Desigualdade avança na renda dos amazonenses, aponta dados da PNAD

A renda do trabalho subiu no Amazonas, entre 2018 para 2019, mas a desigualdade medida pelo Índice Gini avançou com mais força. O mesmo descompasso se deu em termos de distribuição de rendimentos para os trabalhadores amazonenses, segundo cor e gênero. A participação do Bolsa Família manteve-se em 26,4% dos domicílios, situando o Estado na nona em todo o país. É o que revelam os dados do tema Rendimentos, da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE nesta quarta (6).

De 2012 a 2019, o rendimento médio real de todas as fontes subiu de R$ 1.340 para R$ 1.651 no Amazonas, acompanhando a média nacional – que passou de R$ 1.444 para R$ 2.244. O rendimento médio mensal real pelo trabalho no Amazonas foi de R$ 1.741, em 2019, bem abaixo da média brasileira (R$ 2.308). Vale notar que as regiões Nordeste (R$ 1.588) e Norte (R$ 1.687) registraram os menores valores nesse quesito.

Em 2019, o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos no Amazonas resultou em uma massa mensal de R$ 2,59 bilhões, valor superior ao de 2018 (R$ 2,37 bilhões). Metade dos trabalhadores com menores rendimentos receberam, em média, R$ 646, acima do apresentado em 2018 (R$ 626), mas bem abaixo do registro de 2012 (R$ 737). 

A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita alcançou R$ 3,33 milhões em 2019 – contra R$ 3,93 milhões, em 2018. A parcela dos 10% com os menores rendimentos da população detinha 0,8% da massa, frente a fatia de renda de 44,9% dos 10% com os maiores ganhos em 2019, no Estado. 

Medido ela ONU, o índice Gini varia de zero (perfeita igualdade) a um (desigualdade máxima). No Amazonas, houve uma tendência de redução entre 2012 (0,530) a 2015 (0,500). A partir de 2016, o índice voltou a aumentar para 0,516, passando para 0,552 em 2017, e caindo para 0,495 em 2018. Mas, voltou a subir com força em 2019 e atingir 0,514 – próximo ao nível nacional (0,509). 

Os baixos rendimentos vieram de uma maior dependência de programas governamentais de complemento de renda. No Amazonas, 26,4% dos domicílios particulares permanentes recebiam, em 2019, dinheiro referente ao Programa Bolsa Família, percentual bem acima do nacional (13,5%). A proporção foi de 27,8% dos domicílios em 2012 e vem oscilando a cada ano. Norte e Nordeste apresentavam as maiores proporções de domicílios com beneficiários do programa em 2019: 25% e 27,6%, respectivamente. 

Gênero e cor

No Amazonas, os homens representavam 61,4% da parcela da população que possuía rendimentos no Estado, em 2019, e as mulheres, 38,6% – seguindo o padrão da região Norte, onda a fatia feminina não passou de 40%. Em termos de distribuição de renda, os trabalhadores (R$ 1.779) continuam ganhando, em média, mais do que as trabalhadoras (R$ 1.682), no Estado. 

Em sintonia no quesito desigualdade, a população “parda” representava 76,9% do contingente ocupado no mesmo período, enquanto os brancos eram 17%, e os negros, 4,3%. A distribuição dos rendimentos, por outro lado, aponta que o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas brancas (R$ 2.412) superava em aproximadamente 33,33% os vencimentos de “pardos” (R$ 1.611) e “pretos” (R$ 1.672). 

Os trabalhadores amazonenses com, no mínimo, o ensino médio completo foi de 37,4%, bem abaixo do nacional (60,8%). Em torno de 21,8% tinham o ensino fundamental incompleto e 19,7% contavam com ensino superior completo. Os amazonenses sem instrução tiveram o menor rendimento médio (R$ 594), em 2019. Para o ensino fundamental completo, a renda foi 43,6% maior (R$ 1.052). Quem contava com ensino superior completo (R$ 3.888) recebeu três vezes mais do que os trabalhadores de ensino médio.

Fontes de renda

Em torno de 50,7% da população do Estado (2,020 milhões de pessoas) tinham rendimento de alguma fonte, pouco acima da marca de 2012 (48,8% e 1,727 milhão). O contingente que tinha rendimentos do trabalho era de 1,491 milhões (37,4%) – contra os 36,9% de 2018 (1,448 milhões). Em torno de 730 mil (18,3%) possuíam viviam de outras fontes, estimativa inferior à mensurada em 2018 (757 mil pessoas e 19,3%).  

Entre as outras fontes, destacam-se seguro-desemprego, programas de transferência de renda do governo e rendimentos de poupança, que contabilizavam 393 mil pessoas (10,1%) em 2019. Aposentadoria ou pensão respondia por 6,8% (272 mil), enquanto 1,5% (59 mil) recebiam pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador, e 1% (42 mil) tinham renda de aluguel e arrendamento. Houve estabilidade nos números frente 2018.

O rendimento médio, considerando outras fontes, no Amazonas, manteve-se estável de 2012 (R$ 809) a 2017 (R$ 810), subindo para R$1.014, em 2019. Este rendimento médio no Brasil, por sua vez, teve maior crescimento ao longo dos anos, indo de R$ 968, em 2012, a R$ 1.539, em 2019. 

“Em síntese houve melhoras no percentual de pessoas com rendimentos, no rendimento médio, e na massa de rendimentos. Mas, tudo isso foi insuficiente, porque a desigualdade aumentou no Estado e a população parda ganha 33% menos do que a branca, assim como as mulheres amazonenses ainda têm ganhos inferiores aos dos homens. Também não foi suficiente para diminuir a dependência das famílias em relação aos programas sociais de governo”, concluiu o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Fonte: Marco Dassori

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