Desenvolvimento sustentável engatinha

As mudanças são inevitáveis para que a sociedade evolua em vários aspectos. O crescimento econômico e tecnológico é a prioridade de qualquer governo. Cada vez mais, discutir o meio ambiente e a sustentabilidade é discutir economia. O Amazonas, Estado símbolo da região Amazônica, merece uma atenção especial à questão do desenvolvimento sustentável. No entanto, no Estado apenas 0,15% do orçamento é dedicado a SDS (Secretaria do Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável). Na semana em que ocorre o 2º Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável em Brasília, o Jornal do Commercio ouve os principais responsáveis pelas questões ambientais e de desenvolvimento sustentável do Amazonas, para verificar o que está sendo feito e precisa ser melhorado na região.
O pesquisador da organização não-governamental IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Osvaldo Stella, ressalta que o Amazonas possui base para trabalhar melhor a questão, mas “basta apenas uma visão um pouco menos predatória do poder público, no sentido de ampliar e priorizar as oportunidades que tragam rendimentos a região sem causar danos ao meio ambiente”. O pesquisador cita exemplo da própria pecuária, tida como grande vilã da floresta, aonde é possível se trabalhar de maneira sustentável e aumentar o rendimento por hectares. “Sem muito esforço, poderíamos multiplicar esse número de 6 a 4 vezes, trabalhar uma intensificação do uso do solo, recuperação de nascentes, arborização na pastagem. Assim você consegue melhorar a genética, e o número de cabeças por hectare. O lucro do pecuarista aumenta”.
Para o presidente da Comissão do Meio Ambiente da Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), Luiz Castro (PPS) não se pode desassociar a qualidade de vida do ser humano da qualidade ambiental. “Se você tem ciclovias, tem alternativas de transporte barato e limpo. Se tiver arvores, tem melhor qualidade do ar. Se tiver parques limpos, tem mais locais de lazer. Isso infelizmente não é muito difundido na cultura da população que é voltada para o consumismo. O problema é que a maioria dos governantes também não vê isso como prioridade”, ressalta.
Luiz Castro vê como fundamental que se articule a lei de serviços ambientais para que a legislação possa avançar nesta área. “Temos um discurso muito forte do governo, mas lamentamos por que a leis não são devidamente implementadas e a SDS não dispõem de recursos financeiros e humanos para atuar na amplitude que precisa ampliar” critica. Para o deputado se fosse dada prioridade do governo no fortalecimento de órgãos como a SDS e o Ipaam, o Amazonas poderia evoluir mais nesta questão.
Para o presidente da Comissão do Meio Ambiente da CMM (Câmara Municipal de Manaus), Everaldo farias (PV), a Legislação brasileira é uma das mais modernas do mundo sobre o assunto o que falta é trabalhar a cabeça das comunidades e do próprio setor empresarial. Além de aumentar as vantagens para empreendimentos que utilizem tecnologias não poluentes, e em setores da economia que cumpram a legislação ambiental, investindo em produção de energia elétrica gerada a partir de tecnologias limpas e trabalhar nas comunidades. “Como exemplo temos um projeto de lei que inclui os coletores de resíduos sólidos que trabalham nas cooperativas de coleta seletiva no quadro funcional do sistema de limpeza pública da cidade” completa.
O vereador também ressalta algumas dificuldades encontradas. “Em Manaus, uma cidade cujas principais características são o crescimento demográfico intenso e explosivo, primeiramente precisamos equilibrar as necessidades de urbanização com a preservação de áreas verdes”, disse.

Falta de capacitação é entrave no interior

O Secretário Geral da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), e ex-presidente da AAM (Associação Amazonense dos Municípios), Jair Souto destaca que no interior as pessoas tem uma vocação para coletividade e o desenvolvimento sustentável, mas não há capacitação para se formar um corpo técnico. “As novas gerações que têm mais oportunidades de estudo podem ser treinadas para atuar no cooperativismo. Essa nova realidade precisa de projetos específicos. Aqui no Amazonas é tudo muito sensível em termos ecológicos econômicos e nossa logística é um gargalo crônico. Essa nova realidade precisa de projetos específicos,” explica. Jair também destaca que é preciso um esforço para que os três entes trabalhem em paralelo, através dos municípios nas comunidades, com o governo do Estado e federal.
A Secretária municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Kátia Schweickardt, que esteve presente no Encontro de Secretários de Meio Ambiente das Capitais, realizado em Porto Alegre, ressalta a importância de fóruns de discussões visando a melhoria do meio ambiente, presente no Encontro de Secretários de Meio Ambiente das Capitais, realizado em Porto Alegre, no último dia 22. Há um trabalho para que Manaus sedie o Fórum no próximo ano, com o apoio dos secretários do Norte e Nordeste. “Este é um fórum muito importante na articulação de políticas locais fortalecendo o pacto federativo por meio do protagonismo dos municípios e para buscar fontes de financiamentos sobretudo para o debate mundial sobre a pegada de Carbono.

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