Desenvolver o Amazonas para crescer – I

Quando se analisa a questão do desenvolvimento econômico regional no estado do Amazonas se observa que não se teve nenhum processo de desenvolvimento econômico regional proposto pelo agente governo estadual desde o avanço extrativista da borracha, culminando com sua derrocada já no primeiro quartil do século passado, até esses tempos de economia dinâmica implementada pelo Projeto Zona Franca de Manaus (ZFM), com seus três eixos principais, o industrial, o comercial e o agrícola. Até hoje, a sociedade amazonense ainda não entende porque o governo estadual não promove, provoca, e/ou induz projetos consistentes e reais de desenvolvimento econômico regional que tenha como foco principal o aproveitamento econômico produtivo dos recursos naturais e potenciais econômicos que o Amazonas é dotado. Aqui se trata de processos de desenvolvimento econômico regional real dentro das modernas tecnologias do macro planejamento econômico estratégico regional, que realmente tenham respaldo na economia do conhecimento, pois não se trata de “projeto” politiqueiro do gestor da vez, como sóis ser os tais de ‘Terceiro Ciclo’ e ‘Zona Franca Verde’, este último uma arremedo, sem criatividade e falta de imaginação até no nome.
O que é mais angustiante no seio da sociedade é ver o esgarçamento do tecido social resultando no maior empobrecimento e aumentando as desigualdades sociais, principalmente na capital-estado Manaus, centro regional com intensa concentração de atividades econômicas, com suas indústrias motrizes e chaves, capazes de gerar efeitos de encadeamento e integração, no processo de crescimento regional. Essa aglomeração espacial no território do projeto Zona Franca de Manaus, de indústrias motrizes determinando o pólo industrial complexo dependente que, a partir da intensificação das atividades econômicas, gera novos padrões de consumo, promovendo o aumento de necessidades coletivas como habitação, transportes, serviços públicos etc, colaborando também para a formação de empreendedorismo de pequeno porte e de trabalhadores qualificados.
No entendimento dos especialistas, o Amazonas ao contrário de outros estados brasileiros, possui as vantagens absolutas com estoques de mananciais naturais e tangíveis, para dizer apenas de um – o pescado, faltando somente saber o que fazer com isso. Outro aspecto relevante é a disposição e preparação da gestão pública estadual entender a necessidade do planejamento econômico estratégico calcado nas nove sub-regiões que o estado está dividido, para então formatar, conhecendo todas as vantagens absolutas (são as potencialidades que existem em cada espaço dos municípios, identificados com potencial econômico para aproveitamento em atividades produtivas) de cada espaço territorial dos municípios que compõem cada sub-região dessas. O fundamental desse tipo de atitude ou decisão na gestão pública é o resgate de se planejar processos de desenvolvimento econômico conhecendo cada pedaço do espaço territorial do estado, passível de uma intervenção concreta de ações estruturantes e/ou de projeto específico de desenvolvimento regional local, de forma a mobilizar os recursos locais não tangíveis, fundamentado no comportamento da sociedade local, na organização institucional e da produção nativa, que possa levar às novas formas de competição e cooperação produtiva, traduzindo-se a capacidade da sociedade liderar o seu próprio desenvolvimento regional, condicionando-o à mobilização dos fatores produtivos disponíveis em sua área e ao seu potencial endógeno, assim traduz a forma de desenvolvimento regional denominado endógeno.
Por isso, a idéia do desenvolvimento regional local com base nas condicionantes locais altera-se o planejamento econômico estratégico regional, focando-o nas vantagens da localidade. É com esse prisma de visão que a contribuição da teoria de desenvolvimento regional endogenista se propõe a identificação e aproveitamento econômico dos fatores de produção decisivos, como o capital social, capital humano, os conhecimentos técnicos, Pesquisas, a Inovação e demais informações, determinantes dentro de cada região e não de forma exógena. Assim, espera-se que o agente governo estadual possa induzir e impulsionar as regiões dotadas desses fatores a serem utilizados estrategicamente direcionados para processos de desenvolvimento econômico regional, concorrendo para o crescimento da economia estadual sem dependência externa, mas dependente única e exclusivamente da competência técnica amazonense.

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