Desemprego no Amazonas cresce para 17,5% no 1º trimestre

O percentual de amazonenses na fila do desemprego subiu de 15,5% (294 mil pessoas) para 17,5% (330 mil), na virada do quarto trimestre de 2020 para o primeiro de 2021, além de avançar também sobre o mesmo acumulado do ano passado (14,5% e 277 mil). Em paralelo, a taxa de ocupação no Estado não passou de 49,4% (1,556 milhão) e recuou tanto em ambas as comparações. A piora foi sentida tanto no setor privado, quanto no público. 

A retração da oferta de postos de trabalho no marcado formal foi acompanhada por uma nova rodada de aumentos proporcionais na informalidade, a despeito da queda nos números absolutos. A taxa passou de 58,7% (939 mil) para 59,6% (927 mil), na virada trimestral do ano, sendo igualmente superior ao número capturado nos três meses iniciais do ano passado (58,9% e 964 mil). Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta (27), pelo IBGE. 

A taxa trimestral de 17,5% bateu novamente a média nacional (14,7%) e fez o Estado subir da sétima para a sexta posição no ranking de desemprego nacional. Os maiores percentuais foram registrados em unidades federativas do Nordeste – Bahia (21,3%), Pernambuco (21,3%) e Sergipe (20,9%). Os menores se situaram na região Sul – Santa Catarina (6,2%), Rio Grande do Sul (9,2%) e Paraná (9,3%).

A sondagem mostra também que menos da metade da população amazonense com idade para trabalhar (14 anos ou mais) conta com qualquer tipo de atividade remunerada. O nível de ocupação no Estado (49,4% e 1,556 milhão) ficou aquém dos patamares registrados entre outubro e dezembro de 2020 (51,1% e 1,601 milhão) e no primeiro trimestre do ano passado (53,6% e 1,637 milhão). A taxa de participação na força do trabalho – que inclui pessoas ocupadas e desocupadas – foi de 59,8% (1,886 milhão), sendo igualmente mais baixa do que a dos respectivos períodos anteriores – 60,4% (1,894 milhão) e 62,7% (1,913 milhão).

A população desalentada (169 mil), ou seja, a parcela que desistiu de procurar emprego cresceu 15,1% em relação ao trimestre anterior (147 mil), e 58,7% ante o mesmo trimestre de 2020 (106 mil). O número de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (158 mil) também avançou em ambas as comparações – 23,43% (128 mil) e 17,91% (134 mil), respectivamente. O mesmo se deu na subutilização do trabalho, que passou de 31% para 35,8%, na virada do ano, sendo ainda maior no comparativo com 2020 (28,5%). A  população fora da força de trabalho (1,266 mil) ganhou o acréscimo de 126 mil trabalhadores no primeiro caso, mas se manteve “estável”, no segundo.

Informalidade e rendimentos

A “posição de ocupação” classificada pelo IBGE como “empregado” respondeu por 51,35% (799 mil) dos 1,556 milhão de amazonenses com ocupação profissional, no quarto trimestre de 2020. Desses, 494 mil estavam no setor privado, contingente 10,2% inferior ao registrado um ano antes (550 mil), e 6,1% abaixo do trimestre anterior (527 mil pessoas). Em torno de 237 mil estavam no setor público, representando baixa de 4,5% no primeiro caso, e recuo de 8,7%, no segundo.

Entre os trabalhadores do setor privado, 65,59% (324 mil) contavam com carteira assinada, enquanto 34,41% (170 mil pessoas) não contavam com o mesmo benefício. A informalidade, por sinal, atingiu 89,70% (61 mil) dos trabalhadores domésticos no mesmo período. O trabalho por conta própria foi a alternativa para 35,4% dos amazonenses ocupados (551 mil), sendo que 93,5% (515 mil) não possuíam CNPJ – embora o número tenha caído ante o trimestre anterior (516 mil) e ao mesmo intervalo de 2020 (530 mil). Os “empregadores” corresponderam a 2,4% (38 mil) dos ocupados – mas, pelo menos 63,16% (24 mil) eram formais.

Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi o setor que empregou mais pessoas no Amazonas: 20,2% ou 315 mil. O comércio (19,6% ou 305 mil) veio em segundo lugar, sendo seguido pelo grupo de atividades de serviços que englobam administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (18,2% ou 282 mil) e pela indústria geral (9,8% ou 152 mil). Os segmentos de informação, comunicação e atividades financeiras e imobiliárias (7,45% ou 116 mil), de construção (6,17% ou 96 mil), de transporte armazenagem e correio (5,91% 92 mil), e de alojamento e alimentação (4,82% ou 75 mil) vieram na sequência.

O IBGE-AM ressalta, no texto de divulgação da pesquisa, que os números se mantiveram estáveis na maioria dos grupos de atividades, na virada do ano, com exceção do grupo que engloba administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (37 mil pessoas a menos). Em relação ao mesmo trimestre de 2021, entretanto, houve queda “estatisticamente significativa” na indústria geral (-26 mil), alojamento e alimentação (-23 mil) e “outros serviços” (-22 mil).

O “rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas em todos os trabalhos” foi de R$ 1.802, no primeiro trimestre deste ano, no Amazonas. Houve retração nominal de 8,3%, na comparação com o trimestre anterior (R$ 1.919) e decréscimo de 4,3%, ante o mesmo período de 2020 (R$ 1.882). Na análise do IBGE, entretanto, o número permaneceu “estatisticamente estável”, na variação anual. A massa de rendimento alcançou R$ 2,497 bilhões, ficando 11,5% abaixo do trimestre final de 2020 (R$ 2,820 bilhões) e 9,9% aquém da marca do trimestre inicial do ano passado (R$ 2,771 bilhões). 

Sazonalidade e restrições

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que parte significativa da queda da oferta e aumento da procura no mercado de trabalha amazonense se deve ao fato de que o primeiro trimestre é justamente o período que possui uma sazonalidade menor da empregabilidade, uma vez que muitos contratos temporários são encerrados em dezembro e janeiro. O pesquisador não descarta, contudo, o efeito segunda onda nessa dinâmica.

“No primeiro trimestre, o aumento da taxa foi resultado de um maior número de demissões e elevação do número de desocupados. Por outro lado, a pandemia e as consequentes medidas de restrições ocorridas dentro do trimestre impactaram diretamente as atividades econômicas. Com isso, os grandes setores como agricultura, indústria e comércio não tiveram contratações significativas. A alta da taxa de desocupação coloca o Estado cada vez mais próximo das maiores do país: ele já ocupa a sexta posição. A informalidade, por outro lado, teve uma pequena flexão de alta e já se aproxima dos 60% dos trabalhadores ocupados”, arrematou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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