Desemprego e subutilização sobem no Amazonas

Pelo menos 13,9% dos trabalhadores do Amazonas (267 mil) encerraram 2019 na fila do desemprego, sendo que 40,3% buscavam trabalho há dois anos ou mais. Em paralelo, uma fatia de 27% da mão de obra disponível no Estado (566 mil) trabalhava – e ganhava – menos do que gostaria e precisava. A média salarial caiu, ao mesmo tempo em que a informalidade subiu, acentuando desigualdades de oportunidades entre raças e gêneros. A conclusão vem dos dados da Síntese de Indicadores Sociais 2019, do IBGE.

O Amazonas já contabilizava 2,995 milhões de pessoas (64%) com 14 anos ou mais e “em idade de trabalhar”. Em torno de 55,1% (1,651 milhão) tinham ocupação remunerada, sendo que apenas 39,5% (653 mil) estavam na formalidade. A taxa de desocupação local se manteve praticamente estável em 13,9%, mas bateu a nacional (11,7%) e até mesmo a da região Norte (11,6%). Em Manaus, a situação foi pior com elevação de 17,4% para 18,1% no desemprego, entre 2018 e 2019, sendo o maior percentual do país. Pelo menos 40,3% procuravam trabalho há dois anos ou mais, seguidos pelos que disputavam uma vaga há menos de um ano (34,6%), entre um e dois anos (13,6%) e há menos de um mês (11,4%).

Os salários também foram comparativamente piores. O rendimento médio do “trabalho principal” era de R$ 1.986 (R$ 10,80 por hora) no Amazonas, ficando bem abaixo da média nacional (R$ 2.229 e R$ 13,80/hora). A região Norte conseguiu sair pior (R$ 1.639). O Estado se situou no 17º lugar entre as demais unidades federativas, com o Distrito Federal (R$ 3.953) e o Piauí (R$ 1.280) figurando nos extremos.

Hierarquia salarial

A hierarquia salarial do Amazonas situou o empregador (R$ 5.730) no topo da pirâmide, seguido pelo militar ou funcionário público estatutário (R$ 3.734). Trabalhadores com carteira assinada (R$ 1.793), sem carteira (R$ 1.206), e por conta própria (R$ 963) formaram a base da pirâmide. Apenas 3% dos amazonenses ocupados pertenciam à primeira categoria e 9,4%, à segunda. Celetistas respondiam por 24,5% da mão de obra ativa no Estado, enquanto 19,7% estavam na informalidade e 33,8% sobreviviam “por conta própria”. 

Houve crescimento no grupo dos sem carteira assinada e de trabalhadores por conta própria, entre 2018 (18,6% e 33,2%, respectivamente) e 2019 (19,7% e 33,8%). Já o percentual de profissionais formalizados caiu de 25,9% (2018) para 24,5% (2019). Vale ressaltar que, mesmo em 2012, quando o país ainda não estava em crise e tinha melhores índices de emprego, o percentual de celetistas no Estado não respondia nem por um terço dos ocupados (29,4%).

A escolaridade foi outro fator preponderante. Trabalhadores com ensino superior completo ganhavam média de R$ 24,6 por hora, enquanto quem tinha ensino médio completo ou superior incompleto recebia R$ 9,1 pela mesma medida. A média salarial para ensino fundamental completo ou médio incompleto já caía para R$ 6,2, ao passo que pessoas sem instrução ou que contavam com ensino fundamental incompleto tinham média de R$ 5,3 por hora. Esses grupos responderam por 18%, 41,3%,13,5% e 27,3% da mão de obra do Estado, respectivamente.

Raça e gênero

Fatores que passam ao largo da meritocracia, no entanto, contribuíram novamente para a distribuição dos rendimentos, com desigualdade por raça, gênero e idade. Enquanto trabalhadores categorizados como “brancos” recebiam média de R$ 2.349, “pretos” e “pardos” (categoria na qual o IBGE inclui os indígenas) ganhavam R$ 1.560. 

Homens (R$ 1.746) tinham média salarial superior à das mulheres (R$ 1.590), assim como os trabalhadores com mais de 60 anos (R$ 2.753) tinham vencimentos superiores aos de 14 a 29 anos (R$ 1.124). As mesmas diferenças se deram em Manaus, com números mais elevados e distâncias idem. O fosso só se manteve entre trabalhadores informais, tanto no Estado, quanto na capital, mas foi menor. 

Os homens são 59,7% da população amazonense ocupada e as mulheres, 40,3%, sendo que a divisão na capital se deu em respetivos 56,3% e 43,7%. “Brancos” são a minoria dos trabalhadores no Estado (16,2%) e na cidade (20,3%), sendo superados em larga margem pelos “pardos” (81,7% e 78,8%, pela ordem). Ocupados do grupo de 60 anos ou mais são 6,6% da mão de obra do Amazonas e 6% de Manaus, enquanto os jovens de 14 a 29 anos eram 29,5% e 27,4%, respectivamente.

A sondagem aponta que a desocupação também foi desproporcional, segundo raça, gênero e idade. A taxa para “pretos”/”pardos” (14,1%) seguiu superior à dos “brancos” (13,5%), mas caiu 4,1 pontos percentuais, entre 2018 e 2019. Em Manaus, o fosso entre o primeiro e o segundo grupo caiu de 7,9 para 2,1 pontos percentuais, na mesma comparação.

Em sentido contrário, a taxa de desocupação das mulheres (18,7%) cresceu em relação à dos homens (10,3%), no Amazonas, passando de 6 p.p. para 8,4 p.p. Em Manaus, o fosso entre os trabalhadores do gênero masculino (15,2%),  e feminino (22,9%) quase dobrou de tamanho e chegou aos 9 p.p. Amazonenses de 14 a 29 anos respondem por 23,6% dos desempregados no Estado e por 31,3%, na capital. São seguidos de longe pelos grupos de 30 a 49 anos (10,3% e 12,8%, respectivamente) e de 50 anos ou mais (14,7% e 16,4%). 

Gargalo na empregabilidade

Para o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, os números da pesquisa indicam um gargalo na empregabilidade, já que a economia amazonense não tem conseguido dar conta nem de atender o crescimento vegetativo da força de trabalho e sua consequente demanda.   

“As altas taxas de desocupação, divulgadas a cada trimestre, mostram que o quantitativo de desempregados mantém-se em níveis elevados. Além disso, a cada dia mais pessoas entram no mercado de trabalho em busca de um emprego. Na outra ponta, nossa economia tem sido incapaz de gerar postos de trabalho que atender essa demanda. E, ainda temos um grupo de pessoas na força de trabalho potencial. Esse conjunto de fatores leva o desocupado a esperar até dois anos por um posto de trabalho”, concluiu.

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