Desempregados aumentam fila

Com aumento da taxa de desemprego em Manaus, que registrou 16,6%, no primeiro trimestre de 2016, muitas pessoas estão recorrendo às unidades de Prato Cidadão da cidade para minimizar as despesas com alimentação. De janeiro a maio deste ano, mais de 719 mil pessoas procuraram as instituições, segundo a Seas (Secretaria de Estado de Assistência Social).
A atual crise econômica é apontada como fator decisivo para levar famílias inteiras às unidades em funcionamento nos bairros Centro, Compensa, Novo Israel, Alvorada e Jorge Teixeira. “Famílias buscam essa opção até mesmo para economizar e garantir uma alimentação a cada dia”, afirma a Seas. As refeições custam R$ 1 e contam com um cardápio base: arroz, feijão, macarrão, farinha, salada e proteína (carne, frango, peixe entre outras).
O vendedor ambulante Francisco Silva, 42, recorre há quase dois meses a unidade do Centro. Segundo ele, a diminuição no fluxo de vendas e o desemprego recente da esposa contribuíram para a decisão. “As vendas caíram muito e tudo está caro. Minha mulher perdeu o emprego no Distrito e não consegue outro. Com isso minha família depende só da minha renda e tem dias que não temos o que comer em casa”, lamenta.
Há também três unidades do SOS Cidadão, nos bairros Alfredo Nascimento, Parque São Pedro e Rio Piorini, que oferecem sopas gratuitas. De acordo com a pasta, no ano passado foram atendidas 695.096 pessoas, incluindo Prato Cidadão e Sopões. “Qualquer cidadão em insegurança alimentar pode frequentar nossas unidades”, destaca.
As unidades do Prato Cidadão abrem às 8h para venda de senha e de 10h30 às 13h para o almoço. Já as unidades SOS Cidadão abrem às 9h30 para distribuição de senhas e das 15h às 18h para distribuição de sopas.

Desigualdade

O aumento do desemprego no Brasil também tem produzido um efeito adverso na distribuição de renda do país. Segundo os dados do Bradesco, o índice de Gini aumentou em quatro dos sete Estados do Norte, onde o Amazonas marcou o pior indicador com 4%, seguido do Acre, com 3%. A elevação do nível de desemprego e a queda econômica são apontados como contribuintes para o fator.
“Certamente esses indicadores aumentam a desigualdade, principalmente em famílias de baixa renda, que são as primeiras a serem afetadas. Isso é uma consequência normal da economia local, porque no momento que as pessoas perdem seu emprego, elas buscam mudar sua qualidade de vida”, explica o disseminador de informação do IBGE no Amazonas, Adjalma Nogueira Jaques, ao destacar que é necessário haver uma pesquisa específica sobre o aumento da desigualdade no Brasil.
Segundo Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego na capital amazonense era de 11,3% no ano passado. De janeiro a março de 2016, eram 171 mil desempregados, contra 111 mil em relação ao mesmo período de 2015, um crescimento de 54%.
“A alta taxa é reflexo da economia local, já que todos os indicadores da indústria, comércio e serviços demonstram queda no desempenho. Com o comprometimento da produção e faturamento nas principais atividades, as empresas e trabalhadores sofrem os impactos negativos”, afirma Jaques.
Segundo o IBGE, eram 858 mil pessoas que estavam ocupadas em Manaus, no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2015 eram 866 mil, uma diferença de 8 mil pessoas desempregadas.

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