Desempenho do PIM avança, mas sem reverter perdas na pandemia

O PIM entrou no terceiro trimestre com alta de 0,97% no faturamento e em dólares, na passagem de agosto (US$ 2.09 bilhões) para julho (US$ 2.07 bilhões). Na comparação com a marca de 12 meses atrás (US$ 2.17), contudo, se manteve negativo em 3,67%. O desempenho ainda não foi suficiente para reverter as perdas da pandemia, já que as vendas não passaram de US$ 13.52 bilhões no acumulado dos oito meses iniciais, mantendo-se 21,12% aquém do patamar registrado no mesmo intervalo de 2019 (US$ 17.14 bilhões).

Contabilizados em reais, os valores foram mais animadores. O faturamento totalizou US$ 11.43 bilhões, sendo 6,23% mais elevado do que o de julho de 2020 (US$ 10.76 bilhões) e 27,14% superior ao de agosto de 2019 (US$ 8.99 bilhões). De janeiro a agosto, as vendas da indústria incentivada acumularam R$ 68,51 bilhões subiram 3,17% ante igual período do ano anterior (R$ 66,41 bilhões). Os dados estão nos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus e foram divulgados pela Suframa, nesta terça (17).

Considerado o desempenho acumulado em reais, os segmentos do PIM com maior percentual de expansão foram os de bens de Informática (R$ 18,25 bilhões e +18,29%), mecânico (US$ 3,84 bilhões e +17,26%), metalúrgico (US$ 5.61 bilhões e +5,75%), e termoplástico (US$ 4.47 bilhões e +1,06%) e eletroeletrônico (R$ 17,50 bilhões e +0,50%). “Os resultados desses subsetores ajudaram o Polo a fechar o balanço de janeiro a agosto em alta, mesmo com outros segmentos representativos, tais como duas rodas e químico, com faturamento decrescente”, assinalou a Suframa, no texto de divulgação dos Indicadores.

Vale notar que, na conversão por dólares, o faturamento foi positivo em apenas dois dos 26 subsetores da indústria incentivada de Manaus, com destaque para produtos alimentícios (US$ 87.64 milhões e +32.90%). Um diferencial veio do fato de que o segmento eletroeletrônico (25,52%) perdeu primazia para o de bens de informática (26,37%) na participação das vendas globais acumuladas do PIM. Na sequência, vieram os polos de duas rodas (12,85%), “outros”(12,22%), químico (8,28%), metalúrgico (8,21%) e termoplásticos (6,55%).   

Entre os principais produtos fabricados pelo PIM, os itens que mais se destacaram foram condicionadores de ar tipo split system (2.647.469 unidades e +4,32%) e de janela/parede (265.433 unidades e +21,27%), microcomputadores portáteis (342.619 unidades e +20,64%), tablets (491.900 unidades e +85,76%) e aparelhos de barbear (1.148.907 unidades e +12,53%). O produto com maior crescimento no período foi o disco digital a laser gravado (blu-ray), com 5.412.658 unidades fabricadas e expansão de 134,55%.

Estoques e estabilização

Em depoimento anterior à reportagem do Jornal do Commercio, sobre o desempenho da indústria amazonense em agosto, o presidente da Fieam, Antônio Silva, considerou que o setor “respondeu positivamente” ao desafio de recuperar as perdas da pandemia. O dirigente avaliou também que, apesar das restrições sociais, as festas de fim de ano devem promover aceleração no aumento da demanda, pela retomada do emprego em vários setores da economia. “A diminuição dos estoques atuais é mais um fator favorável ao crescimento produtivo e da força de trabalho”, acrescentou.

Na mesma linha, o presidente do Cieam, Wilson Périco, ressaltou, também em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, que o setor já aguardava um crescimento nos meses de flexibilização econômica, mas ponderou que o ritmo tenderia a ser mais modestos nos meses seguintes, chegando perto de uma estabilização, no fim do ano. Mas, ressalva que as incertezas fazem com que 2021 siga como uma incógnita. “Tivemos um aumento nos empregos e a procura deve aumentar. Ao mesmo tempo, tudo indica que o auxílio emergencial não será renovado”, frisou. 

Mais contratações

As boas notícias também incluíram as contratações, cuja alta já era esperada em função da demanda reprimida pelo isolamento social e o aquecimento do setor para atender o varejo nas festas de fim de ano. Em agosto, o PIM registrou 91.902 postos de trabalho nas fábricas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. Foi o maior número apresentado pelas indústrias incentivadas de Manaus desde março de 2020 (93.167) – mês em que a pandemia chegou ao Amazonas –, marcando também a primeira vez em que as vagas no Distrito atingem marca superior a 90 mil, desde o começo da crise da covid-19. 

A despeito da pandemia e de seus impactos econômicos, a média mensal de postos de trabalho no Polo Industrial de Manaus apresentada no acumulado dos oito meses iniciais deste ano (90.481) se manteve 2,39% acima do patamar apresentado no mesmo período de 2019 (88.367). Superou também as marcas de 2018 (87.193), de 2017 (85.880) e de 2016 (85.167), mas seguiu distante do número registrado em 2015 (109.817), ano inicial da crise econômica anterior. 

“De fato, houve acréscimo de empregos, neste ano de pandemia. Especialmente nas categorias de temporários e trabalhadores por tempo determinado, que devem ter contribuído com mais de 9.000 postos de trabalho, em eletroeletrônicos e descartáveis, entre outros. Mas, eles não têm os mesmos direitos do efetivo geral do Distrito. E os números poderiam ser melhores, se não estivessem faltando insumos, e se as indústrias tivessem acreditado na alta”, ponderou o presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas) e da CUT-AM (Central Única dos Trabalhadores do Amazonas), Valdemir Santana.

Atração de investimentos

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da Suframa, o superintendente da autarquia federal, Algacir Polsin, considerou que os números globais do PIM no período de janeiro a agosto foram positivos, mas salientou que o momento é de intensificar o trabalho e focar ainda mais na atração de novos investimentos e, sobretudo, na manutenção e na geração de postos de trabalho. 

“Sabemos de todas as dificuldades que este ano de 2020 trouxe para o setor industrial, por isso o resultado é bastante válido. Mas, temos que continuar batalhando diariamente na articulação com nossos parceiros para criar sinergia e buscar melhores condições de negócios na região”, finalizou.

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