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Desempenho do Amazonas representou a segunda maior alta do país, e veio após dois meses de quedas

Os serviços do Amazonas entraram em degelo na entrada do segundo trimestre. Motor de crescimento do PIB brasileiro no começo do ano, o setor avançou 6,8% em solo estadual na passagem de março para abril –que teve dois dias úteis a mais. Foi a segunda maior alta do país, e veio após dois meses de quedas. Na comparação com o mesmo período de 2023, houve uma escalada de 14,5%, suplantando a perda anterior (-2,5%), no melhor resultado nacional. O Estado bateu a média brasileira em ambas as comparações (+0,5% e +5,6%, na ordem), em mês favorável para transportes, informação e comunicação. 

As empresas do Amazonas tiveram elevação de 7,7% no quadrimestre e subiram 2,2% no acumulado dos últimos 12 meses. Em todo o país, os serviços pontuaram altas respectivas de 2,3% e 1,6%, disseminadas em quase todas as atividades, com exceção de transportes e armazenagem. A despeito da queda mensal, os serviços prestados às famílias, como hospedagem e alimentação, conseguiram fechar o quadrimestre no azul, com incremento acima da média. Os dados são da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE. 

Diante dos números, a CNC revisou para cima suas projeções para o setor. Em comunicado à imprensa, a Confederação Nacional de Bens, Serviços de Turismo aumentou suas apostas para os serviços em 2024, corrigindo a estimativa de crescimento, de 2% para 2,2%. As apostas aumentaram ainda mais para a atividade de turismo, que teve sua meta elevada de 2,4% para 2,7%. A entidade destaca que, apesar de pequena, a aceleração mensal da PMS nacional em abril foi a quinta consecutiva. E, embora manifeste preocupação com a inflação dos serviços, avalia que a redução dos juros tende a favorecer o setor.

Apesar das oscilações, os serviços ainda são os maiores empregadores do Estado e continuam contratando. Dados do Novo Caged informam que, em abril, o setor voltou à liderança do ranking da oferta de oportunidades profissionais. Houve ganho de 2.042 empregos celetistas no mês e avanço de 0,84%, superando março (+894) e praticamente igualando fevereiro (+2.054). As vagas se concentraram principalmente no grupo que reúne informação, comunicação e atividades, financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+743). Os serviços como um todo abriram 5.581 vagas (+2,33%) no quadrimestre, mantendo a liderança.

Estados e atividades

Com a expansão de 6,8% nos serviços perante março, o Amazonas decolou da 24ª para a segunda posição do ranking do IBGE, em meio a 14 resultados negativos. O melhor desempenho veio do Maranhão (+8,8%) e o pior, do Tocantins (-22,5%). Em relação ao mesmo mês de 2023, o Estado (-2,6%) escalou da 12ª para a primeira colocação, também com Tocantins (-8,1%) em último. Os serviços amazonenses também encabeçaram o rol do quadrimestre (+10%). Em 12 meses, contudo, ainda estão no 21º lugar. 

O IPCA de abril (+0,38%) foi menos ameno, mantendo o descolamento da receita nominal em relação ao volume de serviços do Amazonas. A variação mensal do faturamento do setor a preços correntes (+5,1%) cresceu com mais força e contrastou com a perda do mês anterior (-2,1%). A comparação com abril de 2023 mostrou uma progressão de dois dígitos (+18,2%). Os acumulados do ano (+13,2%) e dos 12 meses (+6,7%) saíram fortalecidos. A média nacional (+1,1%, +8,9%, +6,3% e +5,2%) também avançou em todas as frentes.

O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos. Em âmbito nacional, o pequeno incremento mensal (+0,5%) veio de três das cinco atividades investigadas mensalmente: transportes (+1,7%); “outros serviços” (+5%); informação e comunicação (+0,4%); Já os segmentos de serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%) e serviços prestados às famílias (-1,8%) declinaram. Correndo por fora, as atividades turísticas tiveram variação positiva de 2,3%.

Na comparação com abril do ano passado (+5,6%), todos os subsetores fecharam no azul, com destaque para informação e comunicação (+7,7%). “Em 2024, o mês de abril teve dois dias úteis a mais do que em abril de 2023, o que acaba trazendo algum impacto positivo a esse indicador. Há uma maior chance de estabelecimento de novos contratos de prestação de serviços, por exemplo”, destaca o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE. 

Incertezas no caminho

O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, enfatiza que a performance mensal dos serviços em âmbito local colocou o Estado em destaque nacional, no melhor resultado para o mês desde 2018. “No acumulado do ano, o Amazonas lidera o ranking. Entretanto, caiu para uma posição mais modesta nos 12 meses, sugerindo uma forte recuperação recente, apesar de um desempenho menos impressionante ao longo de um período mais prolongado. A média móvel trimestral apresentou leve variação negativa, indicando incertezas sobre os próximos resultados”, analisou.

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, concorda que o ganho mensal dos serviços do Amazonas em abril foi suficiente apenas para recuperar as perdas dos dois meses anteriores. Mas, salienta que a expansão anual foi significativa e moveu o setor para frente. “Já a maior quantidade de dias não afeta, porque o dado já vem com o ajuste sazonal. Sobre as oscilações, possivelmente alguma atividade faturou mais. Mas não é possível comprovar, já que não temos recortes”, comentou.

Renda e emprego

A ex-vice-presidente do Corecon-AM e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, reforça à reportagem do Jornal do Commercio que o setor de serviços carrega relevância econômica por ser o que mais emprega e participa em mais de 70% do PIB nacional. “O resultado positivo registrado já era esperado pelos analistas de mercado e contribui para impulsionar diversos segmentos, desde infraestrutura, instituições financeiras, o transporte e a comunicação, entre outros”, listou.

A economista disse que os principais fatores que contribuíram para o resultado foram o maior volume de renda circulando na economia, números crescentes de empregabilidade, e retorno de atividades de lazer, viagens e eventos. “Chamo a atenção para a performance do Amazonas frente aos demais Estados brasileiros. Para os próximos meses, espera-se que os números positivos sigam em crescimento gradativo, impulsionados pela maior disponibilidade de renda dos consumidores”, avaliou.

O presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, ressalta à reportagem que o setor de serviços tem evoluído no Amazonas e no restante do país. “A estrutura do PIB brasileiro se alterou nos últimos dez anos. Antigamente, a agropecuária era destaque, após saltar do último para o segundo lugar, em 40 anos. Quando você fala de serviços, fala de restaurantes, clínicas, escolas, comunicações, e atividades como corretagem, seguros, etc. É muito importante que estejamos dentro dessas tendências, apesar de a economia ainda não ter se restabelecido”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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