Desempenho da indústria eleva previsão do PIB

Com base no bom desempenho observado na indústria, no consumo das famílias e nos investimentos, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) elevou a previsão do PIB para este ano.
A estimativa é conservadora e considera o impacto decepcionante da agropecuária no PIB do segundo trimestre.
De acordo com o IBGE, a agropecuária teve modesto crescimento de 0,6% ante o primeiro trimestre do ano passado e 0,2% frente ao mesmo período do ano passado. A previsão do Ipea de expansão do setor foi reduzida de 4,5% para 3%.
“Se a agropecuária tiver dinamismo similar ao do segundo semestre do ano passado, o PIB pode ser maior. Estamos prevendo 4,5% associado a uma dúvida ligada ao setor agropecuário”, afirmou Fábio Giambiagi, economista do Instituto.
Segundo Giambiagi, sem as turbulências no mercado de crédito imobiliário americano no mês de agosto, a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que sinaliza investimentos, estaria crescendo cerca de 11%, e gerando um PIB mais robusto. O instituto também revisou para cima a projeção de FBCF neste ano de 9% para 10% e do consumo privado, de 5,7% para 6,2%.

Crescimento robusto

Para Giambiagi, não fosse a contribuição negativa do setor externo o PIB poderia encerrar o ano na casa dos 6,0%. “Não é um crescimento espasmódico, é um crescimento robusto”, disse.
Para o próximo ano, o instituto mantém a expectativa de uma expansão em torno de 4,5%. Entre os setores, a expectativa é que a indústria em 2007 cresça 4,8% -acima do esperado na última projeção (4,3%). Os Serviços também tiveram a taxa projetada revisada de 4% para 4,2%.
O saldo na balança comercial sofreu redução, nas projeções do Ipea, de US$ 44 bilhões para US$ 42,7 bilhões, com o aumento das importações.

Pressão inflacionária

A previsão de inflação do Ipea para este ano também sofreu alteração. O instituto prevê que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerre 2007 com alta de 4%, ante projeção de 3,4% em junho.
Segundo o instituto, a taxa básica de juros, a Selic, no último trimestre, deve ficar em 11,1%, ante a variação de 10,7% projetada no último boletim. De janeiro a dezembro, a Selic média estimada é de 12%, ligeiramente acima do esperado no último relatório, de 11,9%.
Para 2008, o Ipea projeta inflação de 4,3%. O instituto aponta que há uma tendência gradual do aumento da taxa de inflação e que deve se manter no próximo ano.
“Embora não seja grave e seja consistente coma as metas de inflação já traçadas, é importante que a aceleração da inflação seja controlada”, indicou o boletim.

Reunião do Copom

Na última reunião do Banco Central, no início do mês de setembro, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés.
Embora já admitisse risco na trajetória da inflação, o Comitê indicou uma possível mudança em sua estratégia apenas no próximo encontro, em outubro.
Na segunda-feira, em evento em São Paulo, o ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou, no entanto, que “há espaço” para novos cortes na Selic e que o crescimento atual “é perfeitamente sustentável”.
Segundo o relatório Focus, realizado semanalmente pelo BC e divulgado anteontem, os analistas do mercado financeiro apostam em mais uma redução na taxa Selic neste ano. A expectativa é que a taxa básica irá cair para 11% na próxima reunião do Copom e que os juros terminem o próximo ano em 10% ao ano.

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