Desempenho da Indústria é ponto fora da curva no PIB amazonense

A indústria de transformação, segmento do qual o PIM faz parte, registrou o pior desempenho entre os setores econômicos no Produto Interno Bruto do terceiro trimestre deste ano, que só não foi puxado para baixo em virtude dos bons desempenhos de agropecuária, serviços, extração de petróleo e construção civil. A conclusão vem da análise dos dados do IBGE. 

O PIB avançou 0,6% na comparação do terceiro com o segundo trimestre de 2019. Em relação a igual período de 2018, o crescimento foi de 1,2%. Houve incremento de 1% no PIB anualizado até setembro, assim como no acumulado. Em valores correntes, a soma dos bens e serviços produzidos no país alcançou R$ 1,842, sendo R$ 1,58 trilhão referentes ao valor adicionado e R$ 259,70 bilhões aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. 

Na comparação com o segundo trimestre, a maior alta veio da agropecuária (+1,3%), seguida por indústria (+0,8%) e serviços (+0,4%). O crescimento na manufatura se deveu principalmente ao setor extrativo de petróleo (+12%) e à construção (+1,3%), já que a indústria de transformação amargou queda de 1%. Os serviços foram sustentados por atividades financeiras e seguros (+1,2%), comércio (+1,1%), informação e comunicação (+1,1%) e atividades imobiliárias (+0,3%).

Dinâmica semelhante foi verificada na comparação com o mesmo trimestre de 2018. A agropecuária cresceu 2,1% e serviços, 1%. A manufatura cresceu 1%, assim como a construção (+4,4%) e o segmento de extração de petróleo e gás (+4%). As indústrias de transformação, por outro lado, amargaram recuo de 0,5%, influenciadas pelos desempenhos da linhas de produção de celulose e papel; produtos químicos; farmacêuticos; e metalurgia.

A manufatura como um todo ficou estagnada no cálculo do PIB anualizado. A indústria de transformação (-0,5%) também sofreu retração, sendo acompanhada, apenas desta vez, pelo segmento extrativo (-0,9%). Construção (+0,4%) e atividades industriais de eletricidade e gás, água, esgoto, e gestão de resíduos (+3,4%) cresceram, assim como agropecuária (+2%) e serviços (+1,1%).

Não há dados sobre a contribuição dos Estados para o desempenho do PIB. As últimas sondagens do IBGE sobre a produção industrial, entretanto, apontam um panorama de instabilidade para o setor no Amazonas, onde os bens de consumo têm mais peso. A manufatura amazonense alternou variações mensais negativas em julho (-6,2%) e setembro (-1,6%), entremeando uma alta de expressiva (+7,8%) em agosto. Em relação a 2018, por outro lado, os índices foram crescentes: +0,3% (julho), +13% (agosto) e +16,7%.

Fora da curva

No entendimento do presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Mario Okubo, apesar das oscilações do PIM ao longo dos meses do terceiro trimestre, o setor vai bem no Estado e é um ponto fora da curva dentro de um panorama de baixa em geral para a manufatura brasileira.

“O setor de duas rodas, onde está a maior parte de nossos associados, passa por um ótimo momento e está até faltando moto nos pontos de venda. Tanto é que empresas como a Honda estão ampliando sua capacidade produtiva e fazendo com que seus fornecedores locais invistam também. O polo eletroeletrônico também não está mal. Creio que os números negativos estão vindo de outros Estados e não daqui”, avaliou.

Tecnologia e crise

Já o economista, consultor empresarial e professor universitário, Francisco de Assis Mourão, tem opinião diferente e diz que a indústria de transformação brasileira se ressente do fato de estar atrasada tecnologicamente em relação ao panorama global do setor e as terceirizações predominarem nas fábricas. “A Volkswagen, por exemplo, recentemente fechou uma fábrica de caminhões no país, justamente por esse motivo”, apontou.

Mourão considera também que a fraca recuperação da economia brasileira de uma crise prolongada de quatro anos ainda não enseja voos mais altos para a indústria de consumo, em especial para o PIM, que tem em sua cesta produtos de elevado valor agregado e dependentes de crédito. “O desemprego está muito alto e os juros, apesar das reduções, ainda estão muito altos. Em um cenário assim, o consumidor segura mais e não compromete renda com bens considerados por ele como não essenciais”, encerrou. 

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