Desalento volta a subir no trimestre no Estado, aponta IBGE

O número de trabalhadores desalentados no Amazonas, diante das dificuldades de conseguir uma colocação no mercado de trabalho voltou a subir no primeiro trimestre, antes mesmo que a crise do Covid-19 e as medidas de isolamento mais severas começassem a ser implementadas. E a subutilização da força de trabalho subiu com mais força no Estado. A conclusão vem dos mais recentes dados da PNAD Contínua Trimestral, do IBGE.

A quantidade de amazonenses que abandonaram a busca por uma atividade remunerada foi de 106 mil trabalhadores, 3,92% a mais do que no quarto trimestre de 2019 (102 mil), embora tenha ficado 3,64% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (110 mil) – quando a maior dificuldade do país era aprovar a Reforma da Previdência.

Em sua sondagem, o IBGE leva em conta a população em idade de trabalhar (14 ou anos ou mais): 3,053 milhões dos 4,021 milhões de habitantes do Estado. A partir daí, há uma distinção entre os que estão na força de trabalho (1,913 milhão) e fora dela (1,139 milhão). Entre os amazonenses fora da força de trabalho, está a fatia cotada como não potencial (952 mil) e potencial para atividades remuneradas (187 mil). É neste último subgrupo que estão os desalentados. 

Em termos proporcionais, a parcela dos amazonenses que desistiram de procurar emprego correspondeu a 5,1% da força de trabalho ampliada – subgrupo que inclui a subutilização do trabalho no Estado. O número foi igualmente maior do que a do trimestre final de 2019 (4,9%) e inferior ao dos três meses iniciais do ano passado (5,4%). 

Quando se leva em conta apenas a força de trabalho potencial do Estado, o percentual de trabalhadores na condição de desalento é bem maior e chega a 56,8%. A taxa é, novamente, mais elevada do que a apresentada entre outubro e dezembro do ano passado (58,4%) e também perde para a fatia capturada pelo levantamento do IBGE nessa situação no mesmo período de 2019 (57,1%).

A fatia proporcional ao desalento do Amazonas na força de trabalho ampliada é a 13ª maior entre as unidades da federação, conforme a PNAD do IBGE. Maranhão (17,2%), Alagoas (14,9%) e Paraíba (10,9%) encabeçam uma lista com quatro taxas de dois dígitos. Na outra ponta, Santa Catarina (0,8%), Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul (ambos empatados com 1,1%) e Distrito Federa (1,2%) tiveram os melhores números.  

Na medida por força de trabalho potencial, o Amazonas ficou na 12ª posição, entre os maiores percentuais em todo o país. Os piores resultados se situaram novamente no Nordeste, com Maranhão (82%), Alagoas (79,2%) e Paraíba (74,6%) nos primeiros lugares. Em contrapartida, o Centro-Sul voltou a obter os melhores números: Distrito Federal (23,6%), Santa Catarina (32,8%) e Rio de Janeiro (33,6%).  

Trabalho subutilizado

Pior desempenho veio do subgrupo de trabalhadores do Amazonas qualificados pelo IBGE como “subocupados por insuficiência de horas trabalhadas”, cujo total chegou a 134 mil, nos três meses iniciais deste ano. Houve aumento de 13,4% em relação ao trimestre anterior (118 mil) e expansão de 24,1% sobre o quantitativo apresentado no período que vai de janeiro a março do ano passado (108 mil).

Em termos proporcionais, a taxa de desocupação por insuficiência de horas trabalhadas no Estado chegou a 8,2%, entre janeiro e março de 2020. O percentual foi igualmente superior ao apresentado nos três últimos meses do ano passado (7,1%) e maior do que o registro do primeiro trimestre de 2019 (7%). 

O Amazonas figurou na décima posição no ranking nacional de unidades federativas com os maiores percentuais de trabalhadores com insuficiência de horas trabalhadas. Ficou bem aquém do Piauí (23,7%), Sergipe (15,6%) e Bahia (14,7%), em uma lista com seis desempenhos de duas casas decimais. O Estado, contudo, se situou em posição muito mais desconfortável do que Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (3,2%) e Rio de Janeiro (4,3%). 

“Grupo sensível”

Procurado pelo Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, salientou que a população desalentada no Estado teve uma “pequena variação” no primeiro trimestre de 2020, que equivaleu a um aumento de 4.000 pessoas que perderam as esperanças de buscar uma vaga no mercado de trabalho amazonense. 

O pesquisador lembra que esse grupo é o mais sensível dos possíveis trabalhadores, sendo geralmente formado por pessoas que buscam seu primeiro emprego, mas não possuem qualificação, em alguns casos. Há também pessoas em idades mais “maduras” que já não encontram espaço no mercado de trabalho, lembra Jaques.

“Quanto aos trabalhadores por insuficiência de horas, o grupo é formado pelos que estão com sua carga suprida parcialmente, e querem mais trabalho. Geralmente são trabalhadores que não estão satisfeitos com seus rendimentos. No entanto, não conseguem outro posto de trabalho. Afinal, não é cultura das nossas empresas a criação de postos por turnos de trabalho”, finalizou. 

Fonte: Marco Dassori

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