Desafio de uma nova economia mais vivo

A expressão Nova Economia é antiga. Surgiu no final da década de 1990 e mostrava o resultado da transição da economia baseada na indústria para a economia baseada nos serviços. E nesse tempo todo o conceito só evoluiu, mais ainda agora com a pandemia, quando os empresários e empreendedores se viram obrigados a focar no serviço de delivery e principalmente, na atenção aos clientes que ficaram em casa, reclusos e tristes. Para facilitar o entendimento do conceito, o especialista em desenvolvimento de pessoas, Carlos Eduardo Oshiro, diretor executivo da Targo Consultoria, irá promover o curso online ‘Imersão na Nova Economia’, e adiantou algumas informações ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio: O que é a Nova Economia?

Carlos Oshiro: É a nova forma de se fazer negócios. Existe uma nova forma hoje de você vender o seu produto. No passado, na velha economia, o foco eram as vendas. Na Nova Economia o foco é nos lucros, pautado em dois pilares: tecnologia e pessoas. Como é que eu posso utilizar a tecnologia para tornar melhor a vida das pessoas?

JC: O conceito de Nova Economia surgiu há uns 20 anos. Ele continua atual?

CO: A Nova Economia é uma mudança de mente. É uma mudança do mindset do empresário, que se transforma em comportamentos e que geram ações, e a constante execução dessas ações é que forma a Nova Economia. A Nova Economia sempre é feita através do mundo Vuca (Volatility, Uncertainty, Complexity and Ambiguity), onde tudo muda rapidamente. De repente, o que você está fazendo hoje, amanhã já não é mais desse jeito. Essa agilidade de se estar conectado e mudando constantemente é a Nova Economia, então, o conceito de 20 anos atrás não é o mesmo de hoje.

JC: Como tem sido a evolução desse conceito ao longo dos anos?

CO: Ao longo das transições, das revoluções, o mundo foi melhorando a sua forma de empreender. Começamos lá atrás com a revolução agrícola, depois fomos para a revolução industrial, e agora estamos na revolução digital, onde temos o auxílio dos computadores, da tecnologia, e podemos tomar decisões mais rápidas por causa das novas informações. No Polo Industrial de Manaus, vive-se a era da indústria 4.0 onde o colaborador, aquele que operava a máquina, fazendo o trabalho manual, agora precisa entender muito de informática e tecnologia, porque ao invés de manipular manualmente as peças, como antes, agora precisa manipular robôs.  

JC: Como a pandemia do coronavírus veio impulsionar a Nova Economia?

CO: O impulsionamento da Nova Economia pela pandemia surgiu a partir do momento em que empresários e empreendedores tiveram que fechar suas empresas, aí como é que se vende com a empresa fechada? Foi quando entrou o digital. A tecnologia. Empresas que já estavam presentes com seu e-commerce, e faziam delivery através dos aplicativos, simplesmente migraram do presencial para o digital. Faço três perguntas para o empresário/empreendedor saber se ele faz parte da Nova Economia: 1. A sua empresa vende 24h por dia? 2. Os seus colaboradores trabalhariam de graça para você, por um mês, pelo desejo de trabalhar na sua empresa (coloco a Disney e a Apple como exemplos). 3. Você tem clientes que realmente pagam o valor do seu produto, ou tem que baixar o preço para poder vender porque na Nova Economia o empresário não baixa preço, pois consegue agregar valor e achar quem pague o preço que seu produto merece.     

JC: O delivery será a melhor forma de atender ao cliente daqui para a frente, ou esse serviço tem prazo de validade?

CO: O delivery é na verdade mais um canal de vendas. Muitos restaurantes não tinham esse serviço antes da pandemia e sofreram um pouquinho mais porque o delivery é uma cultura. Normalmente, se o restaurante que você frequenta não faz entregas, você não lembra dele quando quer pedir refeições, porém, quando pede uma pizza por delivery, volta a repetir outras vezes, então, com a pandemia, quem já tinha delivery se saiu melhor do que quem não tinha e ainda perdeu tempo para aprimorar esse serviço. Com certeza as entregas irão continuar. Agora são um novo canal de vendas.   

JC: O tripé do bom negócio será: a excelência do produto, do serviço e do delivery?

CO: A Nova Economia não foca no produto. A velha economia é que fica focando na qualidade e nas características do produto, mas na Nova Economia se entende que a qualidade é uma obrigação do empresário. Ninguém compra um produto ruim duas vezes. O foco da Nova Economia é o que está em volta do produto: atendimento com excelência, surpreender o cliente constantemente, atmosfera do ambiente, decoração, temática, até o próprio cheiro, o som ambiente condizente com a temática. Na Nova Economia tire o foco do seu produto e trabalhe o que está em volta dele.

JC: Nesse começo de ano, diante da crise vivida pelo mundo, como utilizar o conceito da Nova Economia para enfrentar a crise?

CO: Uma das formas é envolver as pessoas, a começar pelos seus colaboradores. O empresário/empreendedor precisa ter o propósito de tornar o mundo melhor a partir dos seus colaboradores: Sam Walton, fundador da Wal-Mart, disse que a forma como você trata seus colaboradores é a forma como seus colaboradores tratarão seus clientes.

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