Dentistas oferecem mais serviços diversificados

E pensar que, na Idade Média, eram barbeiros que arrancavam os dentes das pessoas. De tanto ir aos mosteiros cortar cabelos e aparar barbas dos monges, os barbeiros aprenderam com os religiosos como se fazia aquele trabalho. Quando os monges foram proibidos de exercer a medicina, os barbeiros assumiram a função inclusive passando a realizar a atividade em espaços públicos num espetáculo tétrico.

Felizmente chegamos aos nossos dias com o dentista sendo um dos mais importantes profissionais na manutenção não só da saúde bucal, como do resto do corpo. Por isso dia 25 de outubro é comemorado o Dia do Dentista no Brasil. Nessa data, em 1884, o Decreto-Lei nº 9.311 criou a graduação que formou os primeiros dentistas profissionais no Rio de Janeiro e na Bahia, e desde lá, os profissionais, os equipamentos, os medicamentos e as técnicas odontológicas só evoluíram.

Fernando Macedo dos Santos nasceu em Quixadá/CE, mas há 27 anos se formou e exerce a profissão de dentista em Manaus. Nessas quase três décadas Macedo não parou de observar a evolução em tudo que envolve a sua profissão.

“O que mais causa medo num paciente é a dor. Quando comecei a anestesia tinha a concentração de no máximo 2%. Hoje chega a 4%, ou seja, evita a dor por muito mais tempo. A agulha era grossa e reutilizável. Agora é descartável e tem três tipos: pediátrica, média, longa e extra-longa. Esta, tem a grossura de um fio de cabelo”, contou.

Evolução que não para

Há poucas décadas, muitas pessoas que tinham dor de ouvido, dor de cabeça, desvio na coluna e até encurtamento de uma das pernas, e jamais descobriram a causa daqueles problemas, não imaginavam que poderia estar na boca.

“As próteses (dentaduras) eram feitas no ‘olhômetro’. Você calculava o tamanho dos dentes do paciente e mandava pro protético fazer a peça. Se errasse e a mordida não ficasse correta, isso poderia acarretar todos os problemas citados antes. Dentes tortos, ou a falta deles, mesmo que fosse de um único dente, também poderiam gerar essa série de situações cuja causa, médico algum conseguia descobrir. Só com o tempo, estudos e pesquisas descobriram o que as causavam”, falou.

Outra evolução foi dos materiais utilizados para fazer o molde de uma prótese.

“Tinha dois tipos, a godiva, um termoplástico, e a mercaptana, um material elástico. Eram massas colocadas na boca do paciente para fazer o molde para a prótese. Ocorre que essas massas eram reutilizáveis. O dentista só as higienizava num esterilizador e depois já estavam sendo reutilizadas em outro paciente. Agora o que se usa é o Alginato Hydrogum, também uma massa, com o mesmo princípio das anteriores, porém, que perde o seu poder logo após usada, tendo que ser descartada”, afirmou.      

Se hoje, o que mais vemos são pessoas com aparelhos nos dentes para corrigir-lhes a posição, antes em adolescentes, agora em qualquer idade, isso resultou do avanço das pesquisas que tornou esses aparelhos mais baratos e acessíveis a qualquer bolso.

“Na década de 1980 só quem tinha muito dinheiro podia colocar aparelhos nos dentes. O aparelho custava o preço de um carro popular e a manutenção mensal era um salário mínimo”, relembrou.

Atualmente existem manutenções que vão de R$ 150, a R$ 300, e aparelhos que custam de R$ 2.500, a R$ 6.000, de acordo com o material de que são feitos e a capacidade de correção ser mais rápida”, informou.

E as brocas para obturação? Quem não tinha medo delas? O barulhinho incômodo ainda continua, mas antes movidas a pedal, agora funcionam com luz de led e sua rotação é mais veloz do que as turbinas de um jato supersônico, garantiu Macedo.

País com mais dentistas

Macedo ensinou que manter uma saúde bucal e do corpo é simples. Basta escovar os dentes e usar o fio dental após as refeições. Se quiser um pouco mais, uma limpeza da língua também é importante.

“E ir ao dentista realizar uma limpeza completa de seis em seis meses. Para se ter idéia, a periodontite, estágio avançado da gengivite, que é uma inflamação resultante de higiene bucal inadequada, pode ser causada por várias bactérias, e apenas uma delas, a porphyromonas gengivalis, é capaz de provocar hipertensão, artrite, diabetes, Alzheimer e, recentemente, pesquisadores descobriram que essa bactéria pode ser responsável por induzir abortos”, lembrou.

Então, o ideal é cuidar dos dentes e, se tiver algum em desalinho, usar aparelho; ou se perder, mesmo que seja um, mandar implantar.

“Quando o implante dentário começou a ser feito aqui em Manaus, há uns 15 anos, o implante de um único dente demorava umas quatro horas, depois o paciente precisava tomar vários remédios e tinha que ficar em repouso. Agora o mesmo trabalho demora 15 minutos, o paciente toma uma medicação bem mais leve e, saindo da clínica, já pode retomar sua vida normal”, falou.

“O Brasil é o país com a maior quantidade de dentistas em atuação. Só precisamos que os prefeitos promovam campanhas para educar a população a cuidar melhor de seus dentes evitando uma infinidade de doenças”, concluiu.

E as atividades dos dentistas não param por aí. Agora eles estão entrando na área da harmonização facial. Mas este é um assunto para uma nova matéria.         

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