12 de maio de 2021

‘Demos um grande passo no tema bioeconomia’ diz Polsin

 O superintendente da Suframa, Algacir Polsin, avalia que o projeto ZFM (Zona Franca de Manaus) cumpre o seu papel estratégico para o qual foi criado em 1967, tornando a capital do Amazonas moderna, pujante, no coração da floresta, desenvolvida tecnologicamente, com geração de milhares de empregos diretos e indiretos, permitindo hoje mais oportunidades de renda à população da região.

Polsin ressalta que, atualmente, o Parque Industrial de Manaus é a principal força motriz do modelo. São pelo menos 450 empresas em operação com projetos plenamente aprovados. E o faturamento de todas essas atividades bem-sucedidas falam por si só, segundo o superintendente.

“De janeiro a novembro de 2020, o Polo Industrial faturou R$ 109 bilhões, o equivalente a US$ 20 bilhões, com expectativa de R$ 117 bilhões até dezembro de 2021”, salienta o superintendente.

Segundo Algacir Polosin, a ZFM é responsável ainda pela geração anual de 93 mil empregos diretos acumulados e de 400 mil indiretos no Estado do Amazonas.

“Olhando pelo retrovisor, vimos que o projeto é um modelo de sucesso, cumprindo o que se esperava em sua criação em 1967, há 54 anos, por meio do decreto lei 288”, salientou ele ao abrir as comemorações do aniversário da Suframa na quinta-feira (25), ocasião em que aconteceu também a primeira reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa) em 2021.

Na primeira deliberação deste ano, foram aprovados 32 projetos industriais e de serviços, totalizando aproximadamente R$ 1,8 bilhão em novos investimentos e a previsão de geração de 1.297 empregos nos três primeiros anos de funcionamento.

De acordo com o superintendente, a Suframa tem contribuído para a manutenção da floresta em pé, ainda praticamente intocável, oferecendo novas alternativas de trabalho para a mão de obra ativa.

Agora, diz o superintendente, a autarquia trabalha em 13 eixos temáticos para fortalecer mais ainda as atividades da ZFM, que vão desde estruturas logísticas até energias renováveis, passando por saúde e ecoturismo.

Entre esses projetos, ele destaca o polo de atração de investimentos que será o biodistrito agroindustrial de Rio Preto da Eva, uma cidade inteligente tendo como foco Manacapuru e uma zona de desenvolvimento sustentável que abrangerá Amazonas, Acre e Rondônia.

“Com isso, temos buscado contribuir para a melhoria das cadeias produtivas de matéria-prima regional, na prospecção de novos mercados, possibilitando mais atração de novos investimentos e melhorando o ambiente tecnológico e o empreendedorismo”, explica Polsin.

Além disso, o superintendente diz que a bioeconomia é um dos novos vetores de desenvolvimento para tornar a Zona Franca ainda mais atrativa, promovendo mudanças em seus marcos regulatórios com foco em potenciais investidores nacionais e estrangeiros. “Esses produtos só existem aqui. Não temos competidores, nem disputa. Temos que tirar o máximo o proveito deles”, afirma.

O superintendente deu uma entrevista à imprensa na última quinta-feira (25).

Jornal do Commercio – A Zona Franca de Manaus chega aos seus 54 anos de existência. O modelo cumpriu, realmente, o seu papel estratégico ao longo dessas décadas?

Algacir Polsin – Obviamente. Entre outras tantas vitórias, com a Zona Franca, a Suframa permitiu que no coração do Amazonas tivesse uma cidade tão pujante como é Manaus. E ao mesmo tempo tem contribuído para a manutenção da floresta em pé, tendo como a maior força motriz do modelo o Polo Industrial, reunindo aproximadamente 450 empresas com projetos plenos aprovados.

JC – E o faturamento, como anda…..?

AP – De janeiro a novembro de 2020, o faturamento foi da ordem de R$ 109 bilhões, o equivalente a US$ 20 bilhões, com expectativa de R$ 117 bilhões até dezembro de 2021. A ZFM responde pela geração anual de 93 mil empregos diretos acumulados e de 400 mil indiretos no Estado do Amazonas.

JC – E agora, quais são os próximos passos para fortalecer ainda mais o modelo?

AP – Temos feito alterações no marco regulatório que prometem mudanças práticas em um futuro próximo no processo de desburocratização da autarquia, ampliando as possibilidades de matéria-prima, insumos, todos regionais.

Mas nossa história ainda está em construção. Há muito que ser feito. O objetivo é diversificar os vetores industriais, incluindo aqueles ligados à bioeconomia, contribuindo para o comércio, os serviços, o turismo e o agronegócio, melhorando o ambiente de pesquisa, desenvolvimento e inovação….

Além de espalhar o desenvolvimento para diferentes municípios da Amazônia Ocidental e do Amapá.

JC – Em seu discurso por ocasião da última reunião do CAS que também marcou a abertura das comemorações do aniversário da Suframa, o sr. anunciou que a autarquia busca, hoje, 13 eixos temáticos de desenvolvimento. Quais são eles?

AP – Os projetos vão desde estruturas logísticas até energias renováveis, passando por saúde e ecoturismo.

Entre eles, destaco o polo de atração de investimentos que será o biodistrito agroindustrial de Rio Preto da Eva, uma cidade inteligente com foco em Manacapuru e uma zona de desenvolvimento sustentável para o Amazonas, Acre e Rondônia.

Temos também buscado contribuir para a melhoria das cadeias produtivas de matéria-prima regional, para a prospecção de novos mercados e atração de novos investimentos.

E ainda para a melhoria do ambiente tecnológico e empreendedorismo.

Temos feito alterações ainda no marco regulatório que prometem mudanças práticas em um futuro próximo no processo de desburocratização da autarquia, ampliando as possibilidades de matérias-primas e insumos regionais para toda a Amazônia Ocidental e do Amapá.

JC – O sr. também defende uma maior interação com as indústrias, o comércio e outros tantos órgãos envolvidos nas atividades da Zona Franca. Como ocorrerá essa maior aproximação?

AP – Vamos realizar reuniões constantes com esses atores do comércio, da indústria e de outros órgãos para avaliar as atividades do modelo. Só assim, poderemos fortalecer mais ainda a Zona Franca de Manaus, que agora investe em novos vetores de desenvolvimento como a bioeconomia, bioindústria e o agronegócio….

JC – A reforma Tributária se aproxima e deve acontecer até o final do ano. Como garantir mais segurança jurídica à Zona Franca com as mudanças que podem vir?

AP – Temos que fortalecer cada vez mais o nosso modelo ZFM. Trabalhar integrando as forças vivas da sociedade, comércio, indústria, entidades de classe, bancadas parlamentares, governos estaduais….

E a Suframa sempre apoiando, integrando, prestando assessoramento técnico junto ao Ministério da Economia, destacando a importância do nosso modelo.

É imprescindível também a participação da imprensa, de levar as informações corretas, divulgando as atividades da ZFM para todo o país.

Não podemos nos limitar a mostrar a fortaleza de um modelo para quem já o conhece. Temos, sim, que mostrar para todo o Brasil, para os integrantes do Congresso Nacional, à sociedade, sobre a importância desse modelo de sucesso que trouxe desenvolvimento a essa região, que reduz as desigualdades.

E que muito ainda tem que se fazer para essa região….. Nós ainda dependemos do Polo Industrial de Manaus.  E temos que, cada vez mais, buscar outros vetores econômicos e diversificar as indústrias.

Temos que garantir a estabilidade, a segurança jurídica, para as indústrias que estão aqui presentes.

JC – Está nos planos da Suframa um maior incentivo à bioeconomia, um nicho econômico que se apresenta com grandes potencialidades. E o que fazer para afastar possíveis entraves para essas novas atividades?

AP – Temos dado um grande passo no tema bioeconomia com a nova regulamentação que foi aprovada. Isso já contribuiu bastante.

Existem alguns marcos legais que têm que ser mudados. Nós e o governo federal estamos trabalhando nesse sentido buscando sempre facilitar e  tirar qualquer entrave que acabe dificultando a nossa bioeconomia, o nosso bionegócio.

Temos que buscar a atração de investimentos, estamos trabalhando nisso agora. E as novas resoluções vão nos dar mais subsídios para fazer essa prospecção de negócios.

Temos que avançar na situação jurídica do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) para que ele tenha efetivamente liberdade e ação para contribuir nesse processo.

É importante sempre estimularmos a capacidade de nossa cadeia produtiva em escala e qualidade. E integrarmos os nossos institutos de pesquisas dentro dessa área de biotecnologia, como também os empreendedores e investidores.

Para que a gente consiga cada vez mais alavancar a bioeconomia que é um diferencial muito grande na nossa Região Amazônica.

E não temos com quem competir. Os produtos que são da terra só existem aqui. E não há disputa. Temos, sim, que tirar proveito deles com uma boa cadeia produtiva e um bom beneficiamento desses produtos.

JC – Primeiro foi o polo de concentrados, cuja interferência na alíquota afastou potenciais investidores. Agora, mais recentemente aconteceu com a produção de bicicletas, dando mais abertura para os importados. Como evitar medidas como essas que ameaçam o polo industrial incentivado de Manaus?

AP – Em termos de concentrados, no ano passado tivemos a aprovação de uma resolução que valorizou ainda mais as empresas desse segmento na Zona Franca.

Ao contrário, as recentes alterações empreendidas pelo governo federal fortaleceram a ZFM.

Com relação às bicicletas, cabe sempre mantermos o assessoramento técnico para que as decisões de Brasília sejam tomadas considerando as características locais.

Com o assessoramento técnico da Suframa, as condições políticas e diplomáticas envolvidas, sempre entendendo a importância estratégica da nossa região.

Temos que trabalhar integrados, assessorando bem o governo federal, em harmonia com os demais atores que também podem contribuir para o processo de tomadas de decisões em Brasília.

Foto/Destaque: Washington Costa/Suframa

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