Demitidos do PIM migram para alimentos

Em busca de novos horizontes profissionais, demitidos do PIM (Polo Industrial de Manaus) buscam a reinserção no mercado de trabalho por meio do segmento alimentício. Somente no primeiro quadrimestre deste ano instituições de ensino técnico da capital registraram aumento de 100% na demanda, em relação a igual período de 2015, por cursos profissionalizantes nas áreas de serviços como garçom, auxiliar de cozinha, manipulação e segurança de alimentos e técnico de cozinha.
A Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes-Seccional Amazonas) afirma que há uma oferta expressiva de mão de obra qualificada proveniente do parque fabril. Porém, admite que a realidade do cenário econômico amazonense é desfavorável a novas admissões que estejam além das contratações consideradas como ‘extras’.
A vice-presidente da Abrasel-AM, Lílian Guedes, afirma que nos primeiros meses deste ano houve um aumento expressivo na procura por oportunidades de trabalho em bares e restaurantes da capital. A dirigente comenta que boa parte dos candidatos afirmam ter sido demitidos das fábricas do PIM. Em meio ao cenário de problemas econômicos, Lílian frisa que a oferta de mão de obra, resultante da crise, surge como um fator positivo.
De acordo com a empresária, o perfil dos candidatos pretensos ao segmento de serviços é de homens e mulheres com idade entre 20 e 35 anos, divididos entre ex-colaboradores de linhas de produção e também de demitidos de cozinhas industriais. “Registramos muita procura por vagas em bares e restaurantes. Agora, tem tanta mão de obra que podemos escolher pessoas qualificadas. Os interessados foram desligados das fábricas tanto do setor de produção, como de cozinhas industriais. Quem quiser ingressar nesse segmento precisa estar com o currículo atualizado e ter boa referência no último emprego. Não há problema se o candidato não tiver qualificação porque a Abrasel se preocupa em qualificar os profissionais por meio de cursos”, informa.
Apesar do aumento na oferta de pessoal, Lílian ressalta que o setor alimentício também sofre impactos negativos decorrentes da retração no consumo. Como resultado, há baixo índice de contratação de trabalhadores. Para o dia dos namorados, ela conta que 83% dos empresários ouvidos pela associação descartaram a possibilidade de contratação de pessoal, com exceção de alguns estabelecimentos que estão iniciando as atividades. “Só quem está começando os trabalhos agora, ou ainda, ajustando a ‘casa’ fará alguma contratação. Os demais, devem contar com trabalhos que chamamos de ‘extras’ que são pessoas contratadas para atuar somente em um determinado dia, que no caso, será no dia dos namorados”, explicou. A Abrasel-AM conta com 300 empresas associadas.
Entre as instituições que ofertam cursos técnicos está o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), organização que integra o sistema Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas). Segundo a gerente dos cursos de gastronomia e hotelaria do Senac, Luciana Hoshihara, de janeiro até este mês a organização formou mais de 1,5 mil alunos dos cursos de auxiliar de cozinha, garçom, manipulação e segurança de alimentos, além das diversas oficinas que orientam o preparo de alguns alimentos.
No mesmo período de 2015 o número de formandos foi de 778. O crescimento foi de 100% na demanda por cursos de qualificação.
Para a gerente, é importante que os pretensos trabalhadores do ramo alimentício entendam a importância do bom tratamento ao cliente a partir de um atendimento diferenciado. “Com o aumento no índice de desemprego há pessoas que buscam novas alternativas para reingressar no mercado de trabalho.
O ingresso nos cursos é importante para a qualificação. O setor de serviços é diferenciado porque exige a proximidade do trabalhador com o cliente, demanda um olhar mais humano. É preciso superar todas as expectativas do cliente para que ele retorne àquele estabelecimento”, explica a gerente.

Investimentos na qualificação

Estudante do curso de garçom do Senac, Roberto Veras, 30, foi demitido de uma fabricante de eletroeletrônicos do PIM em julho de 2015. Ao perceber a dificuldade para retornar ao segmento industrial, ele conta que decidiu investir em qualificação profissional para ingressar em outro ramo de atuação, que é o de alimentos. “Trabalhei durante dez anos no Distrito Industrial como soldador e montador. Minha família me incentivou a fazer o curso de garçom e vi que o mercado é mais aberto para esse segmento. Estou gostando das aulas, me identifiquei e vi que o trabalho não é somente de servir, mas há necessidade de técnicas e de uma boa apresentação. O curso é prático e com certeza servirá como auxílio para o retorno ao campo profissional”, disse.
Desligado da última empresa do PIM em dezembro de 2015, Cláudio Soares, 42, também concluiu que está difícil retornar às áreas fabris. Ele é técnico em eletrônica e mesmo assim, afirma que o ramo alimentício pode proporcionar novas oportunidades. “Depois que percebi a dificuldade para voltar ao Distrito Industrial pensei em migrar para o ramo de alimentos, mesmo sem me identificar com a área. Preciso estar preparado porque tenho uma família para sustentar. Acredito que na área de hotelaria e alimentos há mais oportunidades mesmo em meio à crise e a qualificação facilita o acesso a uma vaga”, salientou.

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