Demissões vão continuar mesmo com prorrogação dos incentivos

Apesar dos incentivos fiscais postergados pelo governo como forma de driblar o encalhe de motocicletas nos pátios e destinados a manter o nível de empregabilidade no polo industrial, algumas montadoras já começaram a tomar medidas para evitar perdas

Apesar dos incentivos fiscais postergados pelo governo como forma de driblar o encalhe de motocicletas nos pátios e destinados a manter o nível de empregabilidade no polo industrial, algumas montadoras já começaram a tomar medidas para evitar perdas, principalmente por conta da queda na concessão de crédito ao consumidor.
No início da semana passada, o Sindicato dos Metalúrgicos divulgou que Dafra, Yamaha, Traxx e Honda anunciaram medidas para se adaptar à demanda menor do mercado dos últimos três meses, refletida pela queda nas vendas de modelos novos.
De acordo com o coordenador do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Amazonas), Pedro Emídio Lima da Silva, as empresas vêm adotando planos de demissão voluntária e ampliando o número de funcionários em regime de suspensão temporária de contrato, como forma de reduzir os custos de recursos humanos e o nível de ociosidade. Segundo o representante, a medida de “incentivo” ao pedido de demissão é válida para todos os funcionários horistas das plantas fabris, podendo atingir 200 operários num primeiro momento. “Por sua vez, o número poderá chegar a 800 operários pertencentes ao quadro funcional dessas montadoras, que entrarão em suspensão temporária de trabalho ou bolsa qualificação por um prazo de pelo menos 60 dias”, revelou.
Emídio disse ainda que, ao anunciarem as medidas, as empresas apontam o ajuste da produção e a busca pelo equilíbrio do estoque existente nas redes de concessionárias como principais motivadores. “As férias coletivas nas empresas componentistas do ciclo produtivo das montadoras anunciadas no mês passado continuam valendo, embora a maioria tenha optado realmente pela suspensão temporária de contrato”, disse.
Segundo o diretor de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos, Sidney Malaquias, quatro empresas (Honda, Yamaha, Dafra e Sundown) teriam demitido funcionários entre janeiro e março durante o pacto anticrise do governo estadual. “Só a Yamaha, por exemplo, já anunciou a demissão de 300 operários a partir deste mês. A Honda também quebrou o acordou, demitindo o mesmo número”, revelou.

Acordo cumprido

A assessoria de imprensa da Moto Honda esclareceu que a empresa está cumprindo rigorosamente o pacto anticrise do governo estadual. Ressaltou também, em nota, que a empresa tem em seu quadro 10 mil colaboradores, sem contar com os estagiários, e que existe um percentual (variante de acordo com a quantidade de funcionários) que permite à montadora a realização dos ajustes administrativos necessários.

Demissões Na Sundown

Em relação às demissões de 300 funcionários da Sundown, a assessoria de imprensa da empresa esclareceu a existência de um acordo junto ao Sindicato dos Metalúrgicos para iniciar um programa de demissões voluntárias como parte de um plano para se adequar à realidade do mercado, envolvendo a maioria dos funcionários do setor que produz bicicletas da fábrica. Em nota, a assessoria de imprensa da montadora enfatizou que o sindicato está ciente de todas as decisões em relação ao programa de demissões voluntárias.
Por outro lado, questionado se havia sido informada sobre as demissões programadas pela montadora, Malaquias deu a entender que o sindicato desconhece os referidos avisos, uma vez que até o fechamento desta edição, a entidade ainda não havia recebido qualquer informação oficial por parte dessa empresa.

Novos negócios

Na opinião do analista de mercado Wastony Bittencourt, a frequência com que as pessoas têm aderido aos programas de demissão voluntária pode ser explicada diante da possibilidade de investir o dinheiro recebido num negócio próprio. “O plano é uma roubada, porque é sabido que a atividade empresarial se caracteriza pela incerteza. No mercado financeiro sem risco, a taxa histórica de retorno real a longo prazo é de 8% ao ano”, informou o especialista, acrescentando que, algum tempo depois, é possível que muitas dessas pessoas vejam seu dinheiro se evaporar num negócio fracassado e voltem a procurar emprego.
A análise de Bittencourt é fundamentada no levantamento feito pela Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas) no ano passado, onde as estatísticas mostram que, apesar do interesse pela atividade empresarial, o Estado tem um quadro nada otimista, já que 90% das pequenas empresas fecham suas portas antes do primeiro ano de vida.
Dos 10% restantes, apenas 20% chegam ao quinto ano de existência. Assim, segundo a Jucea, de cada cem empresas abertas, somente duas estarão abertas cinco anos depois.

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