Demissões trazem risco de apagão

Risco de apagão aéreo ronda os aeroportos em todo território nacional. Os rumores de que a companhia aérea TAM planeja uma demissão em massa de pilotos, copilotos e comissários, motivaram o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas), a cobrar explicações da empresa em reuniões realizadas ao longo dos dois últimos meses, na capital paulista. Segundo o sindicato, 290 tripulantes já foram demitidos pela empresa ao longo do ano. A empresa garantiu que os aeronautas demitidos não se enquadravam na função e a rotatividade é normal.
De acordo com o presidente do Sindamazon (Sindicato dos Aeroviários do Amazonas), Jorge Negreiros, o que vai impactar nos aeroportos e seus usuários é uma eminente demissão em massa dos aeronautas programada para acontecer ainda neste semestre. Ele ainda disse que os aeroportuários não tem força dentro da aviação e que a paralisação da categoria, deflagrada na quarta-feira (31), em nada afetará os aeroportos. “Estamos à mercê de uma demissão em massa, serão desligados mil aeronautas entre pilotos, copilotos e comissários, aí sim vai nos prejudicar, agora aeroportuário é uma categoria que só serve para criar caso de consciência, de resto, peso na aviação não tem nenhum mesmo”, declarou Negreiros ao Jornal do Commercio.

Paralisação na Infraero

Funcionários da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) paralisaram as atividades no TECA (Terminal de Cargas) do Aeroporto Internacional Brigadeiro Eduardo Gomes em Manaus, na quarta-feira (31). De acordo com o presidente do Sina (Sindicato Nacional dos Aeroportuários do Amazonas), Célio Alberto Barros cerca de 70% dos aeroportuários aderiram ao movimento desde a zero hora de ontem, sem alterar as saídas e chagadas dos voos no aeroporto de Manaus. “Na cidade, existem aproximadamente 500 funcionários atuando na Infraero”, disse.
Movimento aeroportuário
O movimento atingiu 64 terminais aeroportuários no país. A concentração começou na madrugada por volta de zero hora nos terminais de cargas, quando é realizada a troca de turno dos trabalhadores. Pela manhã os manifestantes participaram de uma assembleia seguindo organizados em passeata pela avenida Santos Dumont com destino ao saguão do Aeroporto de Manaus, zona Oeste da cidade.

Pauta de reivindicações

A categoria reivindica 16% de reajuste salarial; manutenção do plano de saúde; aumento de 6,4% para 9% do dissídio e na PLR (Participação nos Lucros e Resultado). Também aproveita a oportunidade para firmar posicionamento contrário a privatização dos aeroportos brasileiros. Para os manifestantes três aeroportos já foram perdidos para a iniciativa privada (Guarulhos-São Paulo,Viracopos-Campinas e JK-Brasília) correm o risco de perder mais dois (Galeão-RJ e Confins-MG).
A pauta de reivindicações será encaminhada para a Infraero e depois haverá uma reunião com o sindicato e a empresa.

Ação da estatal

A Infraero informou em nota que a paralisação não atrapalhou o funcionamento do terminal aeroportuário de Manaus e que a empresa estatal respeita a manifestação dos seus empregados e das entidades trabalhistas. Para manter os serviços essenciais e a operacionalidade dos aeroportos, a fim de que não haja impacto, a estatal dispõe de um plano de contingenciamento para ser aplicado em caso de necessidade. Esse plano inclui o remanejamento de empregados, tanto do quadro administrativo como de escala, de forma a reforçar as equipes nos horários de maior movimento de passageiros e aeronaves, envolvendo ainda os demais agentes que atuam nos aeroportos.
A Infraero, conta com aproximadamente 13,6 mil funcionários atuando em todo território nacional e que está aberta a negociação do acordo coletivo com o sindicato.
A estatal afirma que os salários dos empregados estão em dia e que não há qualquer medida para redução dos benefícios.
As manifestações seguem por tempo indeterminado.

Crise vem da revisão de planos

As líderes do setor aéreo brasileiro adotaram desde o ano passado uma postura conservadora, que prevê corte de voos não rentáveis, revisão de planos de expansão de frota e enxugamento da equipe, após anos de crescimento acelerado. A estratégia pretende reverter os prejuízos bilionários acumulados diante de uma demanda mais fraca e custos mais altos, especialmente do combustível.
As empresas tiveram que reduzir sua oferta para melhorar a rentabilidade. As empresas Gol e TAM chegaram ao fim do ano passado com um volume de passagens à venda para voos domésticos 9,5% e 3,7% respectivamente, inferior à oferta em dezembro de 2011, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
As demissões da TAM continuaram no primeiro semestre deste ano. Em junho, a oferta caiu 10,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, acima da projeção da empresa para o ano. Em relatório aos investidores elaborado em maio, a Latam Airlines, empresa criada após a fusão da TAM com a chilena LAN, projeta uma redução entre 5% e 7% na capacidade da TAM no mercado doméstico. A concorrente Gol anunciou no fim de junho que eliminará 200 voos a partir de agosto. A empresa prefere afirmar que o corte não implicará demissões.

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