Deficit é o pior do ano em junho

Influenciados pela alta do dólar as exportações e importações no Estado do Amazonas voltaram a crescer. No entanto, o saldo da balança comercial continua apresentando valores cada vez mais negativos devido à alta importação de insumos da Zona Franca. Em julho o resultado apresentado foi o pior do ano. Com um deficit da balança comercial de US$ 1,256 bilhão. As importações em julho alcançaram US$ 1,347 bilhão, 13,67% superior se comparar com junho, maior valor desde setembro de 2012. No acumulado do ano o valor de importações já é de 7,9 bilhões, montante 1,49% superior a 2012.
O economista Francisco Mourão Júnior explica que a alta do dólar é o principal fator para o crescimento dos valores de exportação e importação no Amazonas “A valorização do dólar ajuda quem exporta e prejudica quem importa. Quem exporta vende com um preço melhor mas quem importa compra muito caro, se beneficia por um lado, mas prejudica pelo outro”, comenta. Historicamente o Amazonas é o Estado com o maior número de importações devido ao modelo da ZFM instituído no Estado que visa suprir o mercado interno nacional e necessita da aquisição de insumos do exterior para fabricação de produtos.
Para Mourão Jr. as empresas tendem a antecipar a compra de insumos a partir de agora para se proteger da disparada do dólar. “Estamos no meio do ano e a partir de agora as empresas devem começar a fazer estoque para o final do ano, antes que o dólar ultrapasse a barreira dos R$ 2,30. Temos que começar a analisar esses fatores sazonais, acredito que deve haver um melhor saldo na balança comercial para o final do ano” opinou.
O dólar vem apresentando um crescimento desde maio e já acumula um aumento superior a 10% no ano frente à moeda brasileira. Atualmente a moeda americana se encontra em um patamar próximo dos R$ 2,30, considerado o limite aceito pelo governo para não prejudicar a inflação. A expectativa, no entanto, é de que a moeda continue apresentando crescimento devido ao estímulo que o Fed (Federal Reserve -Banco Central Americano) está dando a economia americana. O que já gera um saldo negativo US$ 5 bilhões na balança comercial brasileira, recorde histórico. No Amazonas o saldo da balança comercial é de -US$ 7,36 bilhões, resultado semelhante ao de 2012 com -US$ 7,32 bilhões de janeiro a julho do ano passado.

Exportações também crescem

Depois de apresentar o pior resultado em 16 meses em junho, as exportações amazonenses atingiram os US$ 90,7 milhões em julho, terceiro melhor resultado do ano. Em comparação com o mês de junho o crescimento é de US$ 22,7 milhões ou 25,02%. Já se compararmos com o mesmo mês do ano passado, os valores em exportações apresentam um crescimento de 18,08%.
No acumulado do ano os dados também apresentam um crescimento. Nos sete primeiros meses do ano, o Amazonas exportou US$ 598,25 milhões. O valor é 13,54% maior que em igual período do ano passado, com US$ 517,24 milhões. Para o economista Francisco Mourão Jr. a valorização do dólar influencia o valor das exportações positivamente. “Quem vende tem um preço melhor, por isso os valores tendem a aumentar”, explica.
Apesar da possível perda de competitividade com o fortalecimento da indústria americana, Francisco Mourão ressalta que também é uma economia que importa do Amazonas. “O mercado americano e europeu começam a demonstrar uma certa estabilidade e isso influencia, principalmente o americano. Com o dólar alto isso favorece o produto brasileiro que é vendido no mercado exterior gerando maior renda aqui no Brasil”, explica. Os Estados Unidos são o 4º principal país exportador do Amazonas, responsável por US$ 28,18 milhões no primeiro semestre do ano. Um crescimento de 25,26% em comparativo com igual período de 2012.
No entanto, Francisco Mourão alerta para o risco da alta dos preços locais em virtude dessa valorização. “Com o dólar em alta, as empresas vão ter uma tendência de querer produzir para exportação e não para o mercado interno. Pode haver um aumento de preço no mercado interno por falta de oferta. Há o risco das empresas quererem mirar nas exportações”, opina.

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