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Das oficinas de motos e do galpão do Garantido saem peças artísticas

Realmente Parintins não cessa de produzir artistas, boa parte crias do irmão Miguel de Pascale, o missionário italiano que durante décadas ensinou a crianças parintinenses as artes do desenho, da pintura e da escultura. Agora, essas crias estão formando novos artistas.

Sorin Sena iniciou seus estudos de artes com o irmão Miguel quando tinha apenas nove anos, em 1993, e lá continuou até 2000.

“Desde criança lido com artes. Com irmão Miguel aprendi a desenhar, pintar e esculpir. Como muitos dos alunos enveredaram para a pintura, eu preferi me direcionar para um segmento que quase ninguém se interessou: as esculturas”, disse.

Mas as esculturas de Sorin não são aquelas feitas em mármore, ou barro cozido. Ele trabalha com metais que recolhe em oficinas ou onde quer que os encontre. É assim que surgem de objetos estranhos a animais tipo aqueles da série ‘Animais fantásticos’, mas também aparecem robôs, anjos, insetos, motos, tanques de guerra, helicópteros e o que mais a imaginação de Sorin permitir.

No dia 31 de maio, sexta-feira, encerrou a segunda exposição das obras do escultor intitulada ‘Midas – a arte de metamorfosear 2’, na Biblioteca Tonzinho Saunier, na ilha Tupinambarana.

Midas foi o rei que pediu ao deus Dionísio que tudo o que tocasse virasse ouro. Nas mãos do Midas de Parintins, todo o metal que ele toca vira arte. Se o Midas grego se arrependeu de ter seu pedido atendido, pois até a comida que ele tocava virava ouro, com Sorin está sendo diferente. Suas esculturas são vendidas e transformadas em dinheiro, muito embora ele não esteja preocupado com isso.

“Eu trabalho para o Garantido e tenho meu emprego, então, fazer as esculturas é um hobby para mim, por isso costumo dar para os amigos muitas das esculturas que faço, muito embora várias delas sejam vendidas”, afirmou.

Todos os metais

“A minha primeira exposição, ‘Midas – a arte de metamorfosear’, ocorreu durante a pandemia, em 2020. Naquela ocasião expus 150 peças. Essa agora reúne 84 peças, sendo 50 novas e dez do Scorpion (Ivan Matos). O Scorpion foi meu aluno e hoje vive da arte de fazer esculturas com metais”, revelou.

A matéria prima para as obras de Sorin são conseguidas principalmente nas oficinas de motos, espalhadas por Parintins, e também entre as sobras das alegorias no galpão do Garantido.

“Onde eu vejo uma peça de metal, qualquer uma, eu já recolho porque eu sei que, mais cedo ou mais tarde, ela vai fazer parte de alguma das minhas obras. Seja roldana, roda dentada (estas dão um efeito muito bom), correntes, pedaços de vergalhão, até talheres, parafusos e porcas, pegou solda, já vai para o meu depósito aguardar para virar arte”, contou.           

De posse de um soldador, Sorin junta os metais (aço, ferro, alumínio, cobre, níquel) e suas obras vão surgindo saindo de sua mente e tornando-se concretas. 

“Eu imagino uma figura e vou pegando as peças, de acordo com o que imaginei, e a obra vai sendo montada, peça por peça. É o que se chama imaginação criativa. É tornar real uma ideia que irá impactar positivamente na minha vida, e nas de outras pessoas. São obras únicas, que jamais se repetirão”, ensinou.

Mas agora, os metais utilizados por Sorin terão um ‘companheiro’ bem menos resistente do que eles na confecção das obras de arte, porém, perigoso para o meio-ambiente: o isopor. Sorin pretende usar essa resina transformando-a de sobra em obra.

Legado nas artes

“No galpão do Garantido, e do Caprichoso também, é imensa a quantidade de sobras de isopor depois que são feitas as alegorias. Pretendo incorporar essas sobras às minhas peças”, informou.

Para isso, o escultor já está pensando na organização da ‘Midas – a arte de metamorfosear 3’, que deverá acontecer depois do Festival Folclórico de Parintins, que este ano será nos dias 28, 29 e 30 de junho.

“Lógico, não tem como eu usar todas as sobras do galpão, mas pelo menos farei a minha parte”, avisou.

Sorin falou que também sabe desenhar e pintar, herança dos ensinamentos do irmão Miguel, e por muito tempo, como a maioria dos alunos do missionário italiano, pintou quadros.

“Só comecei a fazer esculturas em série, há 18 anos, mesmo assim por brincadeira. Me considero um artista plástico há dez anos, quando passei a me dedicar a fazer cada vez mais um trabalho melhor do que o outro”, lembrou.

Durante a pandemia, Sorin resolveu ensinar outros jovens a fazer esculturas em metal.

“E não é que têm alguns, como o Darlison Vieira, que estão fazendo trabalhos belíssimos, e vivendo disso, o que muito me alegra, pois, assim como o irmão Miguel deixou como legado uma imensidão de artistas plásticos, eu também quero deixar”, concluiu.

Quem quiser conhecer melhor os trabalhos de Sorin, e até solicitar obras, pode acessar seu Instagram: @sorinsena13   

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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