Dados positivos do emprego são sinais de retomada econômica

Como já vínhamos destacando há algum tempo, a economia brasileira demonstra sinais efetivos de que tem retomado o rumo do crescimento, após passar por momentos difíceis em razão da crise mundial deflagrada em setembro passado. O mais recente indicador dessa tendência é o nível de emprego.
Após três meses seguidos de crescimento, o desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país dá sinais de recuo. Em abril passado, o índice de desocupação do IBGE ficou em 8,9% da população economicamente ativa, pouco abaixo dos 9% registrados em março. Vale lembrar que o indicador passou de 6,8% em dezembro de 2008 (menor patamar do ano passado) para 8,2% em janeiro, e 8,5% em fevereiro, culminando com os 9% de março, como reflexo do desaquecimento da economia.
A pesquisa mensal de emprego do IBGE não é a única a mostrar essa tendência. Os números do Caged, que medem o movimento do emprego com carteira assinada, também foram positivos em abril, equivalentes à criação de mais de 106 mil postos de trabalho. Também é importante aqui recordar o retrato de nosso passado recente. Em dezembro de 2008, houve um grande tombo do emprego formal, com o fechamento de quase 655 mil vagas (tradicionalmente, nos meses de dezembro, há um número maior de dispensas, mas que se situava na faixa das 300 mil). Em janeiro (com fechamento de 101 mil postos), a tendência negativa se manteve. Mas já em fevereiro, houve uma pequena retomada, com um saldo positivo de mais de 9 mil novos registros. Em março, foram quase 35 mil trabalhadores com carteira assinada a mais, chegando aos 106 mil postos do mês passado.
O nível de emprego é um dos indicadores mais sensíveis da atividade econômica, já que a dispensa ou a contratação de trabalhadores representam não só efeitos que incidem sobre as empresas no cenário presente, mas refletem o planejamento e as perspectivas em relação aos negócios previstos ou efetivamente contratados das empresas.
Outro efeito hoje notado é que a cotação do dólar, que disparou logo após a eclosão da crise, tendo chegado aos R$ 2,50 por moeda norte-americana no início de dezembro de 2008, está recuando, principalmente devido à entrada de recursos estrangeiros no país. Atualmente em patamar próximo aos R$ 2 por dólar, o câmbio baixo beneficia o controle de preços, tendendo a se refletir em queda da inflação, e ajuda a reduzir a dívida pública. Por outro lado, os setores exportadores perdem competitividade no mercado global.
É interessante destacar que o empresariado brasileiro tem sido extremamente responsável e socialmente consciente, evitando realizar demissões desnecessárias ao longo dos últimos oito meses, que foram gravemente afetados pelos reflexos que por aqui chegaram da crise internacional. Mesmo assim, em alguns casos, os cortes de trabalhadores foram inevitáveis.
O que percebemos agora é que tais cortes vêm sendo revertidos. Um exemplo notável dessa realidade acontece na indústria automobilística. Nos momentos mais graves da crise, algumas empresas se viram forçadas a dispensar trabalhadores, especialmente os que mantinham contratos temporários.
Agora, a cada dia lemos nos jornais que essas empresas estão recontratando funcionários dispensados. Algumas delas já zeraram, inclusive, o passivo, contando atualmente com o mesmo número de trabalhadores que o registrado antes das turbulências.
Além de recebermos efeitos positivos do cenário internacional, que notadamente vem melhorando recentemente, a tendência atual é reflexo de uma série de fatores que não podem ser esquecidos: as empresas tem feito a lição de casa e se adequado às novas realidades do mercado; as instâncias governamentais tem contribuído ao adotar políticas de estímulo a segmentos gravemente afetados pela crise, especialmente a partir da concessão de benefícios fiscais e da redução dos juros básicos da economia; os consumidores tem atuado positivamente, mantendo as compras em alta; além de os investimentos, incluindo os estrangeiros, estarem voltando ao mercado nacional.
Todos esses movimentos tendem a movimentar a economia, gerando um ciclo virtuoso que tende a reconduzir nossa trajetória ao caminho do crescimento sustentado.
É claro que não é ainda o momento de relaxar, pois os cenários são muito voláteis, não sendo permitido errar.
Porém a tendência que podemos vislumbrar sem receios é justamente a de retomada e de avanço paulatino. Patamares chineses ou indianos de crescimento são quimeras inatingíveis. Mas a retomada do desenvolvimento que vinha sendo anotado até o terceiro trimestre de 2008 parece se tornar uma realidade mais palpável a cada dia.

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