Da produção à mesa, 30% vai ao lixo

Obstáculos na infraestrutura impedem que grande parte dos alimentos cheguem à mesa

Transporte terrestre e fluvial deficiente, armazenamento inadequado e interrupção no fornecimento de energia elétrica, em um Estado com grandes extensões territoriais como o Amazonas, contribuem para que grande parte de toda a produção agropecuária nem sequer chegue às mesas dos consumidores.
De acordo com o presidente da Faea, Muni Lourenço, no Estado não existem dados oficiais sobre o desperdício, mas, segundo cálculos dele, as perdas na produção local não devem ser muito diferentes da média nacional.
De acordo com a FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, as perdas no Brasil correspondem em média a 30% dos alimentos pós-colheita no caso dos frutos, e 35% das hortaliças. Os altos níveis de perdas pós-colheita em cultivos de frutas, hortaliças e grãos, estimados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento colocam o Brasil entre os 10 países que mais desperdiçam comida no mundo.
“Temos muitas perdas, principalmente nos transportes porque boa parte da produção é transportada por via fluvial e as estradas que nós temos estão em estados precários. Além disso, também há perdas durante o manuseio e armazenagem, principalmente nas feiras e mercados da cidade de Manaus”, explicou.
Ainda segundo Lourenço, a fruticultura e hortaliças são os produtos que apresentam as maiores perdas, desde o campo até a distribuição nas feiras e mercados.
Além da precariedade no transporte, manuseio e armazenamento, o presidente da Faea destaca um quadro muito particular no Amazonas que é a perda de produção pela interrupção no fornecimento de energia elétrica nos municípios do interior. Segundo ele, nestas localidades há uma grande perda de polpas de frutas, leite e derivados, em função da falta de energia por longas horas. Isso gera prejuízo tanto para os produtores como para o Estado. Para ele, as ações governamentais para evitar o desperdício existem, mas podem ser intensificadas desde a base da cadeia produtiva até o destino final, que são as feiras e mercados da cidade.
“Temos visto ações pontuais por parte dos órgãos governamentais junto à capacitação de feirantes, mas com certeza essas ações poderiam ser intensificadas com orientações e um trabalho educativo junto aos transportadores e feirantes para que esse desperdício diminua”, afirma Muni.

Lucas Câmara
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