Custo da construção civil registra desaceleração no Amazonas

O custo da construção civil no Amazonas desacelerou, na passagem de novembro para dezembro, mas amargou a maior alta da série histórica no acumulado do ano. O indicador pontuou 1,23% de expansão na variação mensal, bem acima da marca de novembro (+2,37%). De janeiro a dezembro a taxa de dispêndios das construtoras amazonenses foi 10,82% maior do que a consolidada ao final de 2019. Com isso, o valor local do metro quadrado local passou de R$ 1.253,62 para R$ 1.209,69. 

A decolagem do custo foi puxada novamente pelos dispêndios com materiais, que subiram 2,14%, que passou de R$ 740,64 para R$ 756,82, entre novembro e dezembro. O passivo com a mão de obra (R$ 512,27), por outro lado, experimentou até um leve recuo ante o mês anterior (R$ 512,98), dado que a data base dos trabalhadores do setor ocorreu dois meses atrás. Os dados estão na pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), divulgada pelo IBGE, nesta terça (12).

Diferente dos meses anteriores, o incremento mensal do custo da atividade no Amazonas (+1,23%) perdeu para a inflação oficial, conforme o mesmo IBGE. Pressionado por alimentos e bebidas, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou para 1,35% em dezembro, superando novembro (+0,89%), no maior resultado para o mês desde 2002 (+2,10%). A diferença foi ainda maior nos acumulados do ano – com +10,82% para o Sinapi do Amazonas e +4,52% para o IPCA, respectivamente.

“Os resultados demonstram que, no último ano, os preços subiram mais que o dobro da inflação. Considerando os 12 meses de 2020, o custo da construção no Amazonas subiu em 11, havendo queda apenas em fevereiro. Já o ápice da alta no custo ocorreu em outubro, quando o índice registrou 2,73% de variação percentual. Em 2019, o aumento foi de 5,61%, contra inflação acumulada de 4,31%”, assinalou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.

A desaceleração no aumento detectado entre novembro e dezembro fez o Estado despencar do sexto lugar para o 23º, no ranking nacional de maiores percentuais, além de ficar abaixo da média nacional (+1,82%). O pódio foi ocupado por Roraima (+3,41%), Rio Grande do Sul (+3,04%) e Bahia (+3,03%). Em sentido inverso, Mato Grosso do Sul (+0,46%), Mato Grosso (+0,95%) e Acre (+1,08%) ficaram no fim de uma lista sem deflações.

Abaixo da média

Apesar da nova alta, o custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.276,40) e fez o Estado cair da 11ª para a 13ª colocação entre os maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.439,42) segue na primeira posição, sendo seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 1.402,76) e pelo Acre (R$ 1.398,14). Os custos mais baixos se situaram em Sergipe (R$ 1.1120,38), Rio Grande do Norte (R$ 1.129,59) e Alagoas (R$ 1.155,45).

O custo de material de construção civil no Amazonas, por outro lado, ainda está em um patamar superior ao da média nacional (R$ 710,33), levando o Estado a se manter na quinta posição entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 826,16), Tocantins (R$ 776,49) e Rondônia (R$ 772,98) lideraram o ranking. Na outra ponta, os menores valores ficaram em Espírito Santo (R$ 654,32), Sergipe (R$ 662,60) e Rio Grande do Norte (R$ 663,49).

O custo de mão-de-obra local também permanece inferior à média nacional (R$ 566,07), levando o Amazonas a se manter na 20ª posição do ranking brasileiro. Santa Catarina (R$ 709,76) ocupou o primeiro lugar, seguida por Rio de Janeiro (R$ 697,47) e São Paulo (R$ 646,94). Em contraste, Sergipe (R$ 457,78), Rio Grande do Norte (R$ 466,10) e Alagoas (R$ 473,88) ficaram no fim da fila.

“Quando analisamos localmente o desempenho elevado do custo da construção, podemos pensar que trata-se de uma remarcação local. Mas, quando vemos a média nacional e o desempenho da maioria dos Estados, percebemos que foi um acontecimento nacional. Ao que tudo indica, temos uma remarcação na indústria, o que certamente se refletiu no preço final do produto, no balcão. Desde 2008 (12,9%) o indicador não  fechava o ano de forma tão elevada”, destacou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Em sintonia, o gerente da pesquisa do IBGE, Augusto Oliveira, confirma que a mesma dinâmica se deu em âmbito nacional e aponta que a série foi “muito impactada” pelas altas sequenciais das parcelas dos materiais, a partir de julho. “Em agosto, percebemos que a parcela dos materiais se descolou da outra parcela que compõe o índice, que é a da mão de obra, exercendo uma influência muito grande sobre o agregado”, acrescentou.

Desabastecimento e contratos 

No entendimento do presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, os dados do IBGE confirmam que a mão de obra do setor continua a ter um dos menores valores do Brasil, no Amazonas, mas a alta dos insumos continua sendo um peso significativo para os resultados das empresas, especialmente diante do nó logístico regional e dos problemas de fornecimento registrados no ano passado. 

“Tivemos quase o dobro do aumento dos custos, na comparação a 2019. Essas variações sofreram uma puxada forte em outubro. Acredito que isso se deu pela demora na entrega dos produtos, em virtude da seca, pois nossa logística complica bastante. Com a maior produção local das construtoras, e o desabastecimento de materiais, certamente o mercado pagou mais caro. Acredito que isso deve dar uma equilibrada, mas dentro desses níveis que já estão aí e com reajustes embasados em valores mais estáveis”, finalizou.

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