Custo da construção civil no Amazonas volta a subir em março

Depois de sofrer duas retrações seguidas, o INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas voltou a subir em março, ficando 0,19% superior ao número de fevereiro. O Estado seguiu na mesma trajetória da média nacional, embora esta tenha sido mais elevada (+0,35%). O valor do metro quadrado no Estado subiu de R$ 1.144,89 para R$ 1.147,06.

Enquanto o passivo da mão de obra (R$ 511,62) permaneceu estável no setor pelo terceiro mês seguido, os dispêndios com materiais para a atividade (R$ 635,44) avançaram 0,34% em relação a fevereiro (R$ 633,27). Os dados estão na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), divulgada nesta quinta (9).

O incremento do custo da atividade no Amazonas foi maior do que a inflação oficial medida no período. Conforme divulgado ontem, pelo mesmo IBGE, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pontuou 0,07% – a menor taxa para os meses de março, desde o início do Plano Real, em junho de 1994. A variação do custo da atividade no acumulado de 12 meses (+5,19%) também superou com folga a inflação (+3,30%).  O mesmo não pode ser dito do bimestre onde os números foram +0,17% e +0,53%, respectivamente.

O aumento de fevereiro fez o Estado subir do 24º para o 11º lugar no ranking nacional de maiores custos da atividade. Amapá (+2,54%), Bahia (+2,28%) e Rondônia (+0,57%) ocuparam os primeiros lugares. Em sentido inverso, Goiás (-0,30%), Roraima (-0,17%) e Ceará (-0,03%) ficaram no fim de uma lista com cinco resultados negativos e uma estabilidade (Santa Catarina).

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.169,15). O Estado, contudo, subiu do 14º para o 15º lugar entre os maiores valores do país. Santa Catarina segue na primeira posição (R$ 1.335,50), seguida por Acre (R$ 1.297,30) e Rio de Janeiro (R$ 1.295,77). Os menores custos se situaram em Sergipe (R$ 1.002,65), Pernambuco (R$ 1.046,16) e Rio Grande do Norte (R$ 1.047,21).

O custo de mão-de-obra do Amazonas permanece inferior à média nacional (R$ 555,34), além de ter caído da 15ª para a 17ª posição do ranking. Santa Catarina (R$ 692,24) ocupou o primeiro lugar, seguido por Rio de Janeiro (R$ 664,21) e São Paulo (R$ 637,22). Em contraste, Sergipe (R$ 457,88), Rio Grande do Norte (R$ 458,08) e Ceará (R$ 468,82) ficaram com os valores mais baixos.

Como de costume, o custo de material puxou o indicador do Amazonas para cima. Com disso, o Estado se manteve em um patamar superior ao da média nacional (R$ 613,81) e no 12º lugar entre os valores mais elevados do Brasil. Acre (R$ 725,32), Distrito Federal (R$ 687,84) e Rondônia (R$ 686,67) encabeçaram a lista. Os menores valores ficaram em Sergipe (R$ 544,77), Espírito Santo (R$ 550,47) e Bahia (R$ 570,92).

“Os dados de março se mantiveram praticamente inalterados em relação a fevereiro. Houve apenas uma pequena variação vinda da componente material, o que é normal. Quanto ao momento, o IBGE continua realizando a coleta das informações junto aos informantes. E, no caso da atividade, percebemos que a pandemia não mexeu com os preços de balcão. Pelo menos por enquanto”, assinalou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ao Jornal do Commercio.

Fator frete

Em conversa com o Jornal do Commercio, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, observa que aumentos de custo de mão de obra não são aguardados pelo setor até meados do ano, quando se aproxima a data de dissídio dos trabalhadores da construção civil do Amazonas. No caso dos materiais, o fator predominante para a elevação, segundo o dirigente, segue sendo o frete, dado que praticamente 90% dos empreendimentos locais é do “tipo econômico”, demandando materiais mais baratos.

“Temos uma tributação que ajuda na questão das isenções e o preço do material talvez não fique tão caro. Mas, há a variação do valor, segundo a fase da obra. O período chuvoso faz com que muitos materiais mais caros, destinados a áreas externas, não consigam ser aplicados, e isso acaba dando uma diferença na cesta”, concluiu.

Fonte: Marco Dassori

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