8 de maio de 2021

Custo Covid-19 impacta nos serviços bancários

A taxa de inadimplência nas operações de crédito do SFN (Sistema Financeiro Nacional) no Amazonas aumentou, ao mesmo tempo em que o volume de concessões nas mesmas operações encolheu, conforme dados do BC (Banco Central). Em sintonia, os bancos voltaram a elevar suas taxas em todas as suas linhas de financiamento, para ambos os públicos, segundo a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Os juros dos financiamentos bancários voltaram a embicar para cima pelo terceiro mês seguido, em fevereiro. As estatísticas da Anefac informam que o acréscimo no custo de dinheiro pesou mais sobre as pessoas jurídicas, que amargaram aumento de 1,37%, reposicionando o custo do empréstimo de 2,92% para 2,96% mensais – o patamar mais elevado desde julho de 2020. Para as pessoas físicas o incremento foi de 1,07%, passando de 5,61% (janeiro) para 5,67% (fevereiro) ao mês – o maior valor desde abril de 2020. As respectivas taxas anuais ficaram em 41,91% e 92,51%, respectivamente.

Bancos voltaram a elevar suas taxas em todas as suas linhas de financiamento
Foto: Divulgação

O BC ainda não divulgou os dados de fevereiro, mas a inadimplência nas operações de crédito no Amazonas já sofreu alta em janeiro, mês seguinte à subida dos juros bancários, e bem antes de o Copom (Comitê de Política Monetária) quebrar um jejum de seis anos e vitaminar a Selic. Para pessoas físicas, subiu de 3,26% para 3,44%, no primeiro aumento desde maio de 2020. Mas, ainda ficou abaixo de janeiro de 2020 (3,87%). No caso das pessoas jurídicas, o indicador cresceu pelo segundo mês seguido, de 1,05% para 1,48%, embora ainda tenha ficado aquém do nível de 12 meses atrás (2,64%). 

A mesma base de dados do BC indica que o saldo das operações de crédito do SFN foi decrescente, no mesmo período. Para pessoas físicas, janeiro de 2021 (R$ 19,720 milhões) ficou 0,34% abaixo de dezembro de 2020 (19,787 milhões), mas ainda 9,78% superior ao dado de 12 meses antes (R$ 17,963 milhões). Para as jurídicas, o volume (R$ 14,818 milhões) diminuiu 6,42% sobre o mês anterior (R$ 15,835 milhões), mas expandiu 32,53% no confronto com janeiro de 2020 (R$ 11,181 milhões).

Vale notar que o spread bancário ainda situa as taxas de juros bancarias em patamar bem distante da Selic, sendo muito mais sensível aos reajustes do que aos cortes. Considerados todos os movimentos do Copom de março de 2013 (7,25%) a fevereiro de 2021 (quando ainda estava em 2%), a taxa básica de juros caiu 72,41%. Na mesma comparação, a média do custo dos empréstimos para pessoas físicas foi na direção contrária e avançou 6,66% – de 87,97% para 93,83%. Pessoas jurídicas conseguiram decréscimo, mas este não passou de 3,83%, com 41,91% (2020) contra 43,58% (2013).

Aversão ao risco

Em material divulgado pela assessoria de imprensa da Anefac, o vice-presidente de estudos e pesquisas da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, atribuiu a nova elevação das taxas no crédito bancário ao aumento dos juros futuros no mercado financeiro, a expectativa de mais aumentos da Selic frente a uma inflação maior. Após a desaceleração de janeiro (+0,25%), o IPCA voltou a esquentar em fevereiro (0,86%) e já acumula 5,20% em 12 meses, encostando no teto da meta inflacionária do BC para 2021 (5,25%).

Outro fator que explicaria a piora no quadro do crédito viria do atraso no pagamento dos empréstimos. “Essa provável inadimplência pode ocorrer por causa do fim das carências nos empréstimos (pausas e carência nas negociações de dívidas); ao desemprego elevado; ao fim do pagamento dos auxílios emergenciais; ao aumento da inflação e seus efeitos na renda, e, por fim, à maior seletividade dos bancos na concessão de crédito”, apontou Oliveira. 

Tendo em vista a piora do cenário econômico, com maior risco de crédito e da elevação da inadimplência, o vice-presidente de estudos e pesquisas da Anefac avalia que a tendência dos próximos meses é que as taxas de juros devem prosseguir e trajetória de expansão. “Mas, algumas ações do Banco Central [e do governo federal] podem amenizar estas altas, como redução de impostos, compulsórios e reduções da taxa básica de juros”, amenizou.

Spread e inflação

O presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, sintetiza a questão ao frisar que o banco visa apenas o lucro retirado da taxa de juros e que, independentemente da flutuação da taxa Selic, a instituição vai aproveitar “qualquer brecha” para colocar uma margem de lucro maior e seguir aumentando as taxas cobradas nos financiamentos ao seu cliente. E essa dinâmica, prossegue o economista, é diferenciada para o perfil do tomador.

“Dependendo do tipo de operação, quanto maior o risco que a pessoa que busca empréstimo acaba trazendo, na percepção do banco, maior é o spread. Porque a empresa sabe que ali tem uma chance de inadimplência. Por outro lado, quanto mais estreito for o relacionamento do cliente com a instituição bancária, incluindo aquisição de outros produtos, como seguros, consórcios e capitalização, melhor o tratamento e a taxa de juros”, explicou.

Evangelista reforça que, com o viés de subida da Selic, a tendência é que todos os financiamentos fiquem ainda mais caros, incluindo os juros das parcelas em compras com carnês. “É uma tendência, em função da inflação que vem se desdobrando. A elevação dos juros básicos é uma medida de contenção de consumo e, consequentemente, da inflação. O aumento no custo dos financiamentos faz o consumidor pensar e deixar de comprar. Com isso, há uma expectativa de que aquele preço se reduza. A estratégia deve ser efetiva e a gente já percebe, pelos indicadores, que ocorreu retração no consumo”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

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