14 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Custo ambiental causa bloqueio à BR-319

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O custo ambiental da obra, em um cenário sem nenhuma presença do Estado na região, é 477 vezes maior do que os benefícios econômicos que a estrada deve gerar para a União

O asfaltamento dos 418,20 km da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, não é sustentável. O custo ambiental da obra, em um cenário sem nenhuma presença do Estado na região, é 477 vezes maior do que os benefícios econômicos que a estrada deve gerar para a União. É o que mostra o EIA-Rima (estudo e relatório de impacto ambiental), obtido pela “Folha de S.Paulo”.
O documento diz que, sem unidades de conservação realmente implementadas na área (forte governança), a estrada amazônica causaria prejuízos ao ambiente de R$ 10,5 bilhões em 20 anos (R$ 525 milhões ao ano). Deste total, 90% é referente ao gás carbônico emitido pelo desmatamento na área de influência da rodovia.
A derrubada na região, uma das mais intocadas da Amazônia e localizada entre os rios Purus e Madeira, seria de até 4.385 quilômetros quadrados por ano por causa da nova ligação terrestre, previu o estudo. A cifra equivale a 36,6% do que foi ceifado da floresta tropical entre agosto de 2007 e julho de 2008. O documento, feito a pedido do Ministério dos Transportes pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e que deve ser tornado público até o fim do ano, diz que a obra geraria um fluxo de caixa positivo para os cofres da União (frete mais passageiros) de cerca de R$ 1,1 milhão por ano até 2026.
“Muitas coisas no estudo precisam ser revisadas. O custo ambiental da obra talvez não seja tão enorme assim”, afirmou Jair Sarmento, coordenador-geral de Meio Ambiente do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), braço do Ministério dos Transportes responsável pela obra de pavimentação.
O gestor afirmou que a reconstrução da BR-319 será feita com base em critérios sustentáveis. “Ninguém está disposto a pôr fogo em um patrimônio (florestal) dessa envergadura.” Segundo Sarmento, a reconstrução da estrada também deve ser vista sob uma ótica estratégica. A obra, pelo cronograma inicial, deve ficar pronta em 2012. A pavimentação da rodovia está orçada dentro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em R$ 697 milhões.

Com governança

O documento sobre o impacto da obra, feito por dezenas de cientistas, vai balizar a decisão do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na emissão das licenças para a pavimentação. Ele vislumbra quatro cenários econômicos.

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