Curva de empregos no Amazonas mostra recuperação em julho

O Amazonas registrou, em julho, seu primeiro saldo positivo mensal de empregos com carteira assinada, após sofrer quatro tombos seguidos em virtude da crise da covid-19. No total, 12.197 trabalhadores foram admitidos no mês passado, superando em boa margem o número de desligamentos (9.223). A alta foi de 0,75%, graças à criação de 2.974 postos de trabalho – contra o corte de 0,07% (-273 vagas) do mês anterior. O desempenho do Estado foi puxado para baixo por Manaus (+0,70% e 2.547 empregos). 

Foi o melhor número registrado pelo Estado neste ano, superando em muito os números pré-pandemia de janeiro (+0,18% e 738 postos de trabalho) e fevereiro (+0,37% e 1.516). Diferente do ocorrido em levantamentos anteriores, o Amazonas superou de longe a média nacional (+0,35%) de incremento de saldo de vagas celetistas, embora ainda tenha ficado abaixo do número relativo da região Norte (+0,76%). 

O desempenho mensal do Amazonas, contudo, ainda não foi suficiente para tirar o saldo acumulado e postos de trabalho formais. De janeiro a julho, o Estado ainda contabiliza queda de 3,06% na criação de vagas, graças à eliminação de 12.683 empregos. Os dados foram extraídos da mais recente edição do “Novo Caged”, divulgado pelo Ministério da Economia, nesta sexta (21). 

Os dados do “Novo Caged” não incluem a variação mensal para as atividades econômicas nos Estados, nem os desempenhos destes no acumulado. Entre os cinco setores econômicos listados pelo Caged, praticamente todos registraram altas mensais. O maior saldo veio da indústria em geral (+1.513), que foi impulsionada pela indústria de transformação (+1.457) e pelas atividades de águas, esgoto e de gestão de resíduos (+69), enquanto a indústria extrativa (-3) e de eletricidade e gás (-10) foram na direção contrária.

Na sequência vieram as atividades de comércio e reparação de veículos (+804) veio em segundo lugar, de construção (+557) e de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+192). O único setor a fechar no vermelho foi serviços (-92), que foi puxado para baixo por atividades administrativas e serviços complementares (-206) e transporte armazenagem e correio (-172). Os ganhos registrados por serviços de atividades profissionais, científicas e técnicas (+162) e de alojamento e alimentação (+60), entre outros, não foram o suficiente para reverter esse quadro.

“Pé no chão”

O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, considera que os números do Caged são animadores e refletem o momento em que o setor ensaia uma recuperação. O dirigente salienta, contudo, que os números ainda não estão sendo suficientes para recuperar as perdas decorrentes da pandemia.

“As empresas estão elaborando seus planos para fim de ano e as projeções são mais baixas do que antes dessa crise. Vemos uma pequena melhora, mas todo mundo está com o pé no chão. De qualquer forma, estamos em recuperação e a flexibilização está dando mais gás e melhores expectativas para as empresas. Teremos um segundo semestre melhor e possivelmente novas contratações em setembro”, ponderou. 

Reabertura e crescimento

Em depoimento anterior, o presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, assinalou que o setor vem registrando crescimento significativo desde que as loja de Manaus foram habilitadas a reabrir as portas e receber a clientela presencial, gerando impactos positivos também para os empregos do varejo.

“O comércio passou mais de 100 dias fechado. Em torno de 94% das nossas lojas estavam assim. Mas, tivemos crescimento expressivo, demonstrando que a reabertura foi positiva. Essa retomada acontece apenas em função de uma demanda reprimida e talvez seja um momento para repensar. Mas, estamos atentos aos protocolos de saúde e otimistas em relação aos próximos meses”, afiançou.

Ganhos pela quarentena

Já o diretor de Relações de Trabalho do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), José Carlos Paiva, aponta que a crise da covid-19 em si, e as medidas de distanciamento social para combater a proliferação do novo coronavírus, trouxeram ganhos para o setor, que não parou de trabalhar mesmo nos meses mais duros da pandemia no Amazonas.

“As obras públicas ajudaram em menor grau, mas o mercado imobiliário local teve, neste segundo trimestre, o melhor resultado em três ou quatro anos. O pessoal está pegando dinheiro e investindo. Muita gente aproveitou a quarentena para fazer melhorias em casa. Outros, já estão pensando em trocar o apartamento por uma casa, para reduzir possibilidades de contágio em áreas comuns. Tanto é que a procura por loteamentos cresceu. Tudo isso reflete nos empregos. Se vai ser sustentável, não se sabe, porque tudo é muito incerto. Tomara que sim”, encerrou. 

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