Cultura manauara por quem respira e vive a capital da maior floresta tropical do mundo

Manauara? O que é o viver manauara? Manaus é uma cidade de muitas faces e muitas histórias.  De um passado glorioso com o ciclo da borracha -quando virou a “Paris dos Trópicos”, no coração da maior floresta tropical do planeta -ao marasmo econômico quando os seringais se “mudaram” para a Malásia. Do renascimento pujante da economia com o surgimento da Zona Franca de Manaus aos problemas típicos de uma grande metrópole. A Manaus das belezas naturais, da fauna e da flora, das incomensuráveis riquezas culturais também é a cidade do deficit habitacional, das dificuldades do transporte coletivo e da violência extrema que explodiu com a ascensão do tráfico de drogas. E no meio de todo esse caldeirão há um povo com características únicas, como descreve a escritora e cientista social Rebeca Beatriz, de 27 anos.

“O manauara é a pluralidade em pessoa. A gente faz o que mais ninguém faz, que é abraçar a cultura que vem de outros lugares, por exemplo, e adaptar ao nosso jeitinho. Não é que a gente não tenha personalidade, porque a gente tem sim. Mas é algo como ampliar possibilidades. Significa que nós estamos sempre de braços abertos para o que aparecer. O manauara é aquela pessoa que faz amizade na fila do banco enquanto pergunta se vai chover”, explica.

“Pode-se dizer que somos um recorte de vários povos que vieram em busca de oportunidades e trouxeram seus costumes que refletem em boa parte das influências artísticas, arquitetônicas, gastronômicas, urbanas, entre outros, presentes aqui. Mas quando se fala do que é característico nosso, com certeza o acolhimento é uma das principais coisas a serem citadas. Ser manauara é conversar com qualquer pessoa que você acabou de conhecer e ela sentir que já te conhece a vida toda, porque viver em Manaus é exatamente isso, estar em casa, em qualquer lugar que você vá”, descreve a escritora que se define como um viciada em peixe frito com farinha e banho de rio.

Riqueza cultural

Professora da rede municipal de ensino e doutoranda em Literatura pela Universidade de Brasília, Cinthia Bastos Saboia, de 38 anos, ressalta a riqueza cultural da capital da floresta. “Manaus é um lugar bom de se viver. Nosso Teatro Amazonas é um dos teatros mais bonitos do mundo; temos museus que retratam nossa história e guardam nossas memórias; temos universidades muito boas e um polo industrial, que mesmo com lutas, tem resistido. Na parte humana, nesses tempos de pandemia, temos nos descoberto e nos reinventado”, explica a professora Cinthia, que também lembrou da árdua missão de ensinar em tempos de pandemia causada pelo novo coronavírus.  “Os professores abriram suas casas para seus alunos através das câmeras; a segurança pública tem dado muito de si na organização e segurança de nossa cidade; e os profissionais da saúde têm se tornado verdadeiros heróis”, pontua.

Olhos na natureza

Para a psicóloga clínica Elzicley C. Leão, de 40 anos, o viver manauara é extraordinário pelas belezas naturais que a cidade tem e que, segundo ela, são únicas. “Minha profissão exige serenidade, tranquilidade. E, para mim, não há nada comparável como estar em um lugar onde eu possa ver o rio espelhado com sua água negra e mais as misturas de cheiros das árvores com suas folhas, que nem se comparam aos perfumes franceses. E pra finalizar tem aquele pôr do sol que beija o rio sempre aos fins de tarde… Agora imagine todo este cenário na companhia de um café e tapioca com tucamã?”, brinca Elzicley.

Cidade da diversidade

Professora Pesquisadora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), a doutora Lidiany Cavalcante, 41, ressalta a diversidade. “O viver em Manaus nos traz uma experiência única, com seus sabores e sua diversidade. Somos a cidade que está no coração da biodiversidade. Somos Amazônidas… Temos uma cultura peculiar que transpira do boi bumbá aos clássicos das orquestras. Somos o uno no diverso. Cada dia nos oferece uma representação única com um pôr do sol sem igual. Trazemos no peito a marca do jaraqui e do x-caboquinho em um enlace único de nossa gastronomia. Somos banhados pelo maior rio do mundo e temos populações tradicionais das florestas e das águas. Tudo isso em uma única cidade. Somos Manauaras, somos caboclinhos, somos Amazônia”, define Lidiany, que além da carreira como docente e pesquisadora também é ativista de direitos humanos na capital da floresta.

Um pouco de toda essa diversidade, riquezas culturais e ambientais serão tema desta edição especial de aniversário de Manaus, no Jornal do Commercio.  Um recorte de uma cidade que cabe dentro de várias Manaus.

O que vem por aí na edição especial

E nesta edição vamos falar dos manauaras “internacionais”, aqueles que ganham a vida trabalhando com outros idiomas, ou que usam as outras línguas tão somente como diversão. A edição especial vai falar ainda do orgulho manauara, presente nas camisetas, expressões e no dia a dia da cidade, afinal, Manaus nunca esteve tão na moda quanto agora.

E é claro que este especial fala ainda dos “super manauaras”, aqueles conterrâneos que se destacam no cenário local, nacional e até internacional, como é o caso do lutador de MMA, Bibiano Fernandes que saiu do bairro Alvorada, para se tornar uma celebridade do mundo da luta no mercado asiático.

A Manaus cujo o mercado se reinventa em tempos de pandemia também tem espaço nesta edição, com a história de empreendedores que driblaram todas as dificuldades no período mais crítico do isolamento social. É o presente apontando o futuro do trabalho.

E por falar em futuro, a terceira idade já está nele e completamente conectada. Conheça a história de idosos que driblaram o período de isolamento social utilizando as redes sociais. Agora, aos poucos, eles já começam a voltar a rotina que tinham antes da pandemia causada pela Covid-19.  

Reportagem de Leanderson Lima

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