Cultura indígena por meio das artes

O Dia do Índio marca a data de 19 de abril de 1940, quando várias lideranças indígenas do continente americano se reuniram no México, no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Três anos depois o presidente Getúlio Dorneles Vargas (1930/1945) oficializou a data no Brasil por meio de um decreto-lei.
Desde então, sem ter muito o que comemorar, o 19 de abril é lembrado e agora, que os indígenas deixam as selvas e vão para a cidade, lutam cada vez mais pelos seus direitos.
Djuena Tikuna é um desses exemplos. Nascida na aldeia Umariaçu II, no alto Solimões, desde os oito anos de idade mora em Manaus. Djuena, que se apresenta em shows musicais com o grupo Maguta, composto por representantes dos clãs que formam o povo Tikuna, ficou conhecida após cantar o Hino Nacional Brasileiro na língua de seu povo. “Me escolheram para ser a primeira Tikuna a cantar o Hino na língua nativa. Quem fez a tradução foi o professor Sansão Flores Tikuna, morador da comunidade Filadélfia, em Benjamin Constant”, contou. “Eu componho minhas músicas e letras que falam da preservação da natureza e luta dos povos indígenas”, explicou. Djuena já apresentou Brasil a fora, a exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Cuiabá e São Luis, e revelou algo, que pode parecer fora do comum para muitos: “Nunca fui discriminada por ser mulher e muito menos por ser indígena”.

Na pintura

O artista chileno Roland Stevenson é conhecido nacional e internacionalmente pelos quadros que pinta sobre a etnia Yanomami, do alto rio Negro, desde 1977. “Visito o povo Yanomami há mais de 30 anos e já cheguei a morar com eles por oito anos”.
Stevenson é autor do livro “Uma luz nos mistérios da Amazônia”, no qual, por meio de pesquisas, relata que o povo Yanomami é descendente dos Incas, do Peru, que teriam fugido para a região onde moram até hoje ainda na época da invasão espanhola, após 1500. Stevenson está com uma exposição de quadros e fotos no Manauara Shopping. “A exposição, que tem o mesmo nome do meu livro, está dividida em três assuntos distintos: a redescoberta do lago Manoa, que os primeiros colonizadores diziam não existir e eu provei que ele existiu, mas secou; a questão indígena, onde eu mostro que o povo Yanomami é formado pela junção de quatro outros povos; e as viagens, as minhas viagens àquela região, onde narro as aventuras, como a vez em que eu e um amigo fugimos uma tarde inteira, pela mata, da perseguição dos Yanomami, que ainda não me conheciam.

Na literatura

Todos os anos a EDUA (Editora da Universidade Federal do Amazonas) lança títulos sobre a temática indígena. O deste ano é “Encontro de Antropologia – Homenagem a Eduardo Galvão”, editado em parceria com o Museu Emílio Goeldi, de Belém, e ainda inédito, aguardando lançamento.
O carioca Eduardo Enéas Gustavo Galvão é um ícone da antropologia brasileira, tendo realizado trabalhos de pesquisa entre os indígenas da Amazônia de 1940 a 1972. Iniciou em 1940, entre o povo Tapirapé, depois estudou os Tenetehara, Caiuá (Guarani), Tiriyó, Anembé, Kamaiurá, Kaiabí, Juruna e Suiá, além dos povos do alto e médio rio Negro. Trabalhou no Museu Nacional do SPI (Serviço de Proteção ao Índio), antiga Funai; no Museu Emílio Goeldi, em Belém; e no Inpa, em Manaus.
“Seu desempenho foi o do maior antropólogo humanista que tivemos (…) preocupado em registrar documentadamente e assim salvar para a ciência as faces do fenômeno humano que se descaracterizam aceleradamente debaixo de nossos olhos”, escreveu Darcy Ribeiro a respeito de Galvão.

No cinema

O cineasta Cleber Sanches é um apaixonado pela cultura indígena e já realizou dois filmes, em Manaus, sobre o assunto. O primeiro deles, é a primeira minissérie realizada no Amazonas, “Amazonas, a lenda”, que foi concluída em 1999. “Foi ao ar pela TV Cultura dividida em cinco capítulos. O trabalho foi totalmente produzido no Estado, com atores da região e índios de várias etnias como, Tukano, Pira-Tapuia, Dessana e Uanana. As locações aconteceram em Manaus, Manacapuru e São Gabriel da Cachoeira”. O filme mostra mercenários espanhois em busca do Eldorado.
O segundo, o documentário “Dabukuri”, de 2011, ainda inédito para TV, segundo o autor um festejo ímpar, quase desconhecido pelos brasileiros e, consequentemente, pelo mundo. “O Dabukuri é uma celebração entre os povos do alto rio Negro. “As diferentes etnias trocam presentes que variam entre frutas, produtos da roça, peixes e caças, tudo em grande oferenda entre os povos. Em meio à troca de presentes, os índios se divertem ao som das flautas. Uns dançam, outros cantam, e tem aqueles que discutem assuntos de interesse comum. A solenidade começa de tardezinha e o banquete formado pelas tribos pode durar até três dias”, relatou o cineasta. A obra encontra-se disponível na Livraria Valer.

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