Cuidadores de idosos tem crescimento no Amazonas

O percentual de amazonenses (11,4%) e manauenses (13,5%) com 14 anos de idade ou mais que se dedicam a cuidar de idosos – grupo considerado o mais vulnerável à covid-19 – é crescente e já estava acima da média nacional (10,5%)´, em 2019. O mesmo não se deu no cuidado de crianças de até cinco anos. A fatia do Amazonas (56,2%) é bem superior à do Brasil (49,2%), mas Manaus (47,5%) apresentou parcela proporcionalmente menor, além de sofrer declínio em relação a 2018.

Os dados são do suplemento “Outras Formas de Trabalho”, da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) de 2019, estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que também levantou números a respeito de afazeres domésticos, produção para o próprio consumo e trabalho voluntário, mediados por gênero, etnia, idade e grau de instrução.

O percentual de familiares em todo o Estado que se dedicavam a cuidados de indivíduos de 60 anos ou mais saltou ininterruptamente, de 6,4% (56 mil) para 11,4% (111 mil), entre 2016 e 2019. O número também subiu sem parar na capital: de 6% (31 mil) para 13,5% (63 mil). No Amazonas, a proporção de cuidadores de crianças com até cinco anos de idade cresceu em menor proporção, de 52,5% (463 mil) para 56,2% (548 mil). Ao mesmo tempo, Manaus sofreu ziguezague até finalmente encolher em proporção e avançar em termos absolutos, de 51,1% (263 mil) para 47,5% (221 mil).

Participação feminina

No ano passado, em torno de 34% dos moradores do Amazonas e 28,8% dos residentes em Manaus cuidavam de moradores do domicílio ou de parentes não-moradores de todas as idades. Essa taxa foi maior entre as mulheres (40,9%) do que entre os homens (27%) em todo o Estado, ao passo que a capital apresentou uma diferença menor entre os gêneros – 33,8% contra 23,3%, na ordem.

No Amazonas, participação feminina superou a masculina, em uma proporção de 63% contra 48%, no cuidado de pessoas com 60 anos ou mais. Em Manaus, essa diferença foi um pouco menor – 36% a 27%. Mulheres que cuidavam de crianças com até cinco anos de idade foram 57,7% (338 mil) em todo o Estado – contra os 53,9% (210 mil) dos homens. A capital apareceu com 48,9% (137 mil) e 45,5% (83 mil), respectivamente.

Em relação aos tipos de cuidados, no Amazonas, as mulheres participavam mais que os homens das atividades de auxiliar nos cuidados pessoais (89,3% contra 70,8%, respectivamente) e nas atividades educacionais (76% frente 66,3%). As diferenças são menores nas atividades de ler e brincar, assim como fazer companhia, ou cuidar do transporte, embora a participação feminina seja sempre maior. O mesmo ocorreu em Manaus, com números diferentes.

A prática do cuidado era mais frequente entre afrodescendentes, tanto no Amazonas (38,6%), quanto em Manaus (35,9%). “Pardos” (34,2% e 29,1%) – que incluem os indígenas e mestiços – e “brancos” (31,8% e 26,7%) vieram depois. A maioria tinha entre 25 e 49 anos (40,2% e 34,1%), seguida pelo público de 14 a 24 anos (32,9% e 25,1%) e por aqueles que já passaram dos 50 (24,1% e 22,5%). Não houve, contudo, diferenças significativas segundo instrução. No Estado, era mais comum entre as pessoas com fundamental completo e médio incompleto (38,8%), enquanto os habitantes com superior completo (31,6%) foram maioria na capital.

Cultura e envelhecimento

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta ao Jornal do Commercio que a taxa de realização de tarefas de cuidados de moradores e parentes no Amazonas é, de fato, superior à média nacional e situa o Estado na sétima posição em todo o país. Para Manaus, essa mesma taxa, é bem inferior, sendo a 20ª do Brasil.

“Isso indica que a urbanização reduz os cuidados com parentes. Também nesse indicador as mulheres levam grande vantagem sobre os homens, principalmente quanto estão na idade adulta e vem a preocupação com os parentes da casa e os não moradores. Os laços parentais são fatores importantes na sociedade amazonense, fruto das origens indígena e nordestina, que valorizam a família e seus membros”, avaliou.

Em texto divulgado pela Agência de Notícias IBGE, a analistas do Instituto, Alessandra Scalioni Brito, considera que o maior percentual de familiares cuidando de idosos, em paralelo com a menor proporção de pessoas que cuidam de crianças pequenas se dá pela queda do crescimento vegetativo. “Esses dados podem significar que menos pessoas estão tendo filhos, estão tendo filhos mais tarde ou têm maior acesso a creches. Também pode sinalizar o envelhecimento da população”, concluiu.

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