Crises prejudicam setor de pesquisas

Em um período de forte crise política e uma intensa luta pela recuperação da economia do país, o setor de Ciência e Tecnologia no Amazonas vive um momento de grande expectativa com a entrada do novo governo. Segundo o coordenador geral do programa de pós-graduação da Rede Bionorte que possui cerca de 200 professores e 500 alunos, uma das mais importantes redes brasileiras dedicadas ao segmento na Amazônia Legal, Spartaco Astolfi, a expectativa é que o novo líder do executivo reative a antiga Secti (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação), fator que facilitará o trabalho e o processo de desenvolvimento do setor no Estado.

“No Amazonas houve uma alteração no nosso sistema de ciência e tecnologia e inovação que tentamos reverter por não concordar. O nosso sistema foi montado no final do governo do Amazonino (1999-2003) junto com a UEA (Universidade do Estado do Amazonas) e foi implantado no governo de Eduardo Braga (2003-2007). Um sistema que servia de exemplo para todo o Brasil. Com o sistema do governo David Almeida o dinheiro não era repassado direto para a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e sempre nosso diretor tinha que fazer vários processos burocráticos para captar os recursos”, disse Astolfi.

Segundo o coordenador, a extinção da Secti para a criação da Seplan-CTI (Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) dificultou os trabalhos de pesquisas devido a muita burocracia. “Mas esse é o único detalhe negativo. Desde a criação da Fapeam ela sempre foi muito bem dirigida. Temos esperança que com a entrada do novo governo volte ao sistema normal. Essa parceria facilita muito o nosso trabalho e consequentemente nossa produção”, afirma.

Astolfi fez um breve balanço do atual cenário e destacou a crise política, econômica e a baixa arrecadação do Estado como fatores que tem prejudicado consideravelmente o andamento das pesquisas, e reconheceu o esforço que a Fapeam tem feito para manter o trabalho dos pesquisadores.

“A crise em ciência e tecnologia no país vem antes do impeachment da presidente Dilma. Quando ela estava terminando o mandato, os recursos do fundo setorial estavam sendo reduzidos. E a partir daí começamos a ver diminuição de editais e consequentemente da produção de projetos. Paramos de receber recursos para a rede Bionorte, que atualmente forma doutores em biodiversidade e biotecnologia na Amazônia”, explica.
 
Segundo o coordenador, o cenário piorou quando começou a crise, porque além do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) não ter muito dinheiro, os Estados que aplicam dinheiro em pesquisa tiveram uma arrecadação baixa. “Então os Estados passaram a ter mais dificuldades de financiar projetos científicos. Entendemos que a pouca arrecadação do Estado tem reduzido os recursos. Com essa crise houve uma grande perda do governo em arrecadação reduzindo os recursos da Fapeam. E de Maneira heróica ela conseguiu não cortar a bolsa de doutorado”, disse ele.
Diante da atual situação, o professor mostrou o manifesto da comunidade científica da região Norte, em defesa do financiamento em ciência e tecnologia no país e contou que instituições como a Bionorte estão ameaçadas diante das dificuldades por que passam o CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa) e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), maiores órgãos de fomento à ciência e tecnologia no país.
“A Bionorte está ameaçada diante das dificuldades porque passam o CNPq e a Finep, os maiores órgãos de fomento à ciência e tecnologia do país. Conforme foi anunciado publicamente o contingenciamento de 44% da verba do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, além do contingenciamento do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia, impedirão os respectivos órgãos, por extensão a Bionorte, de honrar os seus compromissos de fomento à pesquisa e desenvolvimento tecnológico, inclusive no que se refere a pagamentos de bolsistas, incluindo os que se encontram no exterior”, contou.

Saiba mais
A Bionorte atua nas áreas de “conhecimento e conservação da biodiversidade” e na gênese de novos “bioprocessos e bioprodutos” que tem como finalidade o desenvolvimento sustentável da Amazônia.  Segundo dados, o órgão possui um programa de doutoramento que inclui 28 instituições com 172 docentes (entre permanentes e colaboradores), 166 pesquisadores associados, e 411 alunos matriculados. Formou 142 doutores nos primeiros 5 anos de existência e produziu cerca de 2.796 publicações científicas, 392 livros e 38 patentes.

Ifam
O pró-reitor de pesquisa, pós-graduação e inovação do Ifam (Instituto Federal do Amazonas), José Pinheiro Neto, explica que apesar da redução do investimento na área de ciência e tecnologia, iniciativas importantes de apoio para a criação de startups e o aumento dos cursos de mestrados com foco na inovação ajudaram a manter um cenário positivo do setor.

“No Ifam os depósitos de patentes dobraram de 2016 para 2017, a incubadora AyTy tem sido cada vez mais procurada por empreendedores interessados em incubar uma startup, o que não difere de instituições como Ufam e UEA. A criação de Centros especializados em tecnologia do Ifam e da UEA tem criado ambientes que facilitam a interação com a indústria. Como já faz há alguns anos o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Eletrônica e da Informação da Ufam e outros”, disse.

José destacou que o Amazonas vinha avançando na última década e a criação de novos programas prioritários de uso dos recursos de P&D da Lei de Informática e do PPB (Processo Produtivo Básico) criada pela Suframa, tem ajudado no apoio de ciência e tecnologia no Estado. “É um grande apoio às ações de ciência e tecnologia porque envolve as áreas de Economia Digital, Formação de Recursos Humanos e Bioeconomia, envolvendo a indústria e a academia e institutos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação”, disse ele.

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