Crise fortalece credibilidade do PIM perante investidores

A economista Flávia Grosso, 58 anos, tem colecionado recordes. Desde que ela assumiu o comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em maio de 2003, o faturamento do Polo Industrial aumentou substancialmente. Em 2008, enfrentou um dos maiores desafios de sua gestão, que foi manter a competitividade do Polo Industrial de Manaus, no período da crise. Atualmente, passada a fase de incertezas e de instabilidade econômica, a superintendente comemora os números de empregos gerados e as expressivas altas nos faturamentos de determinados setores da indústria. A seguir, sua entrevista.

Jornal do Commercio – O ano de 2009 foi marcado pela definição de medidas de contenção da crise. Conseguir igualar ou bater o faturamento de 2008 parece não haver condições. É, pois, motivo de comemoração fechar o caixa com um faturamento equivalente ao de 2007?

Flávia Grosso – Sim, porque desde abril de 2009 o PIM começou a mostrar que estava superando a crise. E de abril até agosto, último levantamento feito pela Suframa, o polo vem mantendo o crescimento econômico em faturamento, volume de produção e em nível de empregos. Esperamos fechar 2009 entre US$ 22 e US$ 25 bilhões.

JC – Todos os olhares e voltam para a TV Digital e os impactos desta no PIM. Os testes de transmissão do sinal digital na região já saíram do papel. O Amazonas tem corpo técnico e logístico adequado para expandir os resultados já alcançados a partir da parceria da Suframa com instituições de pesquisa e canais locais?

Flávia Grosso – O governo brasileiro já conseguiu que a Argentina, o Chile, Venezuela e a Colômbia definam como sistema deles o modelo brasileiro de TV Digital. Isso vai se constituir num grande mercado para os produtos do PIM. Com o crescimento do polo, que vai ocorrer com esse grande mercado, a Suframa terá mais arrecadação e poderá investir mais em Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos e em parcerias com Institutos de Pesquisa.

JC – A senhora. acredita que num período de dez anos pelo menos 50% da população nacional terá acesso à modalidade digital do principal meio de comunicação de massa?

Flávia Grosso – Com certeza. O brasileiro é apaixonado pela televisão. Você pode ver também que ele gosta de inovar nos modelos, deixando de comprar outros bens para adquirir a TV de última geração. E na produção da ZFM, sua capacidade produtiva, está apta a suprir essa demanda.

JC – O segmento que obteve recuperação mais acelerada em relação à crise econômica foi o Eletroeletrônico, que contou como carro-chefe a TV de LCD. A chegada do Natal maximizará ainda mais a produção do acessório. Podemos esperar um incremento de quantos por cento no número de empregos no setor?

Flávia Grosso – Acho sim. E não é só o comércio de Natal. Ano que vem nós teremos uma Copa e em todo ano de Copa o brasileiro quer uma televisão nova, mais moderna, maior, para assistir aos jogos. E já há uma evolução de emprego crescente, que certamente não vai parar.

JC – Em setembro, o total de 31 projetos industriais e de serviços foram aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS). Quais novidades podemos esperar das principais linhas de produção contempladas na seleção?

Flávia Grosso – Juntos, esses projetos somam US$ 98,2 milhões em investimentos globais e US$ 24,4 milhões em investimentos fixos. Os novos projetos preveem a criação de 556 novos empregos após o terceiro ano de implantação das linhas de produção. Entre os projetos mais significativos em volume de investimentos estão os das empresas Pelmex da Amazônia, para fabricação de colchões, travesseiros e camas, com investimento total no valor de US$ 13,7 milhões. Também há projetos inovadores como o de implantação da empresa SGW Importação e Comércio de Dispositivo de Locomoção Individual, no valor de US$ 1,8 milhão, voltado para a produção do Multi i2, um equipamento de transporte em duas rodas que é utilizado, por exemplo, por seguranças de shopping centers. O produto será fabricado de forma pioneira no Brasil dentro do PIM.

JC – A área de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação Tecnológica (ECTI) tem, cada vez mais, ocupado posição de destaque dentro do planejamento estratégico da Suframa. Os resultados desse investimento já integram as políticas de desenvolvimento regional?

Flávia Grosso – Nesses últimos anos, nós investimentos muito mais do que em toda a história da ZFM. De 2002 a 2006, foram R$ 960,086 milhões em ECTI. Se você pegar a aplicação de recursos da Suframa, ao longo dos anos, verá que a demanda de investimento diminuiu em algumas áreas e aumentou na formação de capital intelectual e na pesquisa e desenvolvimento de produtos. Elas são as duas bases para um desenvolvimento sustentável. E a Suframa investiu maciçamente nisso, mesmo tendo os seus recursos contingenciados nos últimos seis anos. Os 20% que ela pode aplicar a critério dela, foi canalizado só nessas áreas. Isso fez com que desenvolvêssemos alguns produtos de destaque, como o mouse ocular, que saiu da teoria para a linha de produção. Outros igualmente importantes, como a lanterna para cego, uma luva que vai sintetizar a voz do mudo também estão em final de pesquisa. O marca passo brasileiro, onde toda a base eletrônica, do Chip, foi desenvolvida pelo Instituto Genius contou com financiamento da Suframa e é fruto de parceria firmada com outras empresas do Distrito, com o Ministério da Saúde e outras entidades. Observamos, assim, que esses investimentos já geraram produtos importantes para a inclusão social e para a saúde do brasileiro.

JC – A agenda de promoção comercial da Suframa em 2009 abriu um leque de quantos novos negócios e parcerias firmados no exterior?

Flávia Grosso – Podemos destacar, neste ano, o fato de conseguimos incluir os produtos do PIM no Acordo de Complementação Econômica do Mercosul com o Chile. Estamos em vias de incluir também, definitivamente, nossa produção no Acordo de Complementação feito do Mercosul com o Peru.

JC – Em 2008, o planejamento estratégico da autarquia foi revisado e atualizado. As mudanças já foram sentidas em 2009? Quais demandas regionais receberão atenção maior no biênio 2009-2011?

Flávia Grosso – O planejamento estratégico foi feito e estamos implementando gradativamente as ações possíveis. Trata-se de um processo dinâmico. A equipe que fez o planejamento ficou impressionada, porque ela não esperava que a Suframa respondesse tão rapidamente. Nesse trabalho, identificamos a importância das Áreas de Livre Comércio (ALC’s), de modo que o planejamento prevê um investimento grande nelas, até mesmo devido à mudança de legislação que dá agora abertura para que se tenha produção industrial dentro das ALC’s de produtos à base de matéria-prima regional. Essa produção poderá ser vendida pro resto do país com isenção de IPI. Então, isso deve também desenvolver a produção industrial como um todo, tendo efeito direto na cadeia produtiva de matéria-prima regional. Trata-se de uma mudança considerável.
E o outro ponto de destaque seria maiores investimentos na base de capital humano na região.

JC – O PIM encerrará 2009 com uma previsão de quantos postos de trabalho nas linhas de produção?

Flávia Grosso – Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CAGED/MT, no mês de setembro, registrou-se 351 mil empregos formais no Estado do Amazonas, sendo 327 na cidade de Manaus. Melhor saldo do ano. O Polo Industrial de Manaus deverá chegar ao final de 2009 próximo aos 95 mil empregos, o que representa a recuperação econômica das empresas no segundo semestre deste ano alicerçadas no crescimento da demanda de seus dois principais Polos: o Duas Rodas e o Eletroeletrônico, em especial no Polo eletroeletrônico, com os produtos de DVD-Player, Auto-Rádio, Home-Theater, Câmaras Fotográficas, Condicionadores de Ar, dentre outros.

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