Crise do Covid-19 leva bares e restaurantes ao limite para fechar

Um dos segmentos comerciais que mais tem sentido a quarentena não só na carne, mas também no peixe e no frango é o dos bares e restaurantes, obrigatoriamente fechados por decreto do governador Wilson Lima desde o dia 21 de março.

“No Amazonas, mas concentrados principalmente em Manaus, temos 13 mil CNPJs. Todos estes estabelecimentos completaram um mês fechados para atendimento no salão”, lamentou Fábio Cunha, presidente da Abrasel/AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

E os números negativos da categoria não param só nisso. Segundo Fábio, bares e restaurantes do Estado empregam cerca de 80 mil pessoas e ele estima que 30% desse total, ou 24 mil empregados, já foram demitidos.

“Isso sem falar dos informais, aqueles que entram num acordo com o patrão e trabalham por serviços prestados, sem carteira assinada. Aí somam outros milhares que agora estão sem ter aquela renda certa todo mês, ou nos finais de semana”, revelou.

Um dos objetivos da Abrasel é desenvolver e representar o setor de alimentação fora do lar, por isso Paulo Solmucci, presidente nacional da Associação, logo no dia 23 de março, foi até o presidente Jair Bolsonaro e a equipe econômica do governo federal levando sugestões para que se mantivesse o emprego dos seis milhões de empregados do setor, no país.

No dia 17 passado, o Plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) manteve a eficácia da regra da MP 936/2020 que autoriza a redução da jornada de trabalho e do salário ou a suspensão temporária do contrato de trabalho por meio de acordos individuais em razão da pandemia do novo coronavírus, independentemente da anuência dos sindicatos da categoria.

“Graças a essa MP, as demissões foram reduzidas”, comemorou Fábio Cunha.

Saída foi o delivery

O presidente da Abrasel/AM não tem idéia de como o setor se comportará após acabar essa quarentena e os estabelecimentos voltarem à sua normalidade, mas ele acredita que muitos já fecharam em definitivo e não terão condições de reabrir suas portas.

“O setor de bares e restaurantes não tem caixa elevado, como pode parecer. Os custos para se manter um bar ou um restaurante com padrão de qualidade, são altos e a margem de lucro é apertada. Com esse mês inteiro fechado, muitos proprietários priorizaram saldar a folha de pagamento de seus funcionários em detrimento de pagar fornecedores e aluguel. É totalmente inviável continuar fechado. Não dá para agüentar muito mais”, alertou.

Para tentar driblar a situação, a saída encontrada por donos de bares e restaurantes foi utilizar o sistema de delivery. Quem já o utilizava, só fez dar continuidade ou aprimorou-o, porém, quem nunca tinha tido a necessidade de fazer delivery, precisou se reinventar.

“Não tenho o percentual de quantos estabelecimentos adotam esse sistema, em Manaus, e quantos passaram a adotá-lo em virtude da quarentena, mas sei que muitos proprietários, que não o utilizavam, tiveram dificuldades para, às pressas, operacionalizá-lo”, disse.

“Sei, também, que até o iFood, empresa brasileira líder no setor de entrega de alimentos na América Latina, está tendo problemas com a logística de seus motoqueiros, por conta da alta demanda repentina. Os clientes estão reclamando do atendimento demorado”, afirmou.

Mais de 200 associados

Já pensando em como serão as coisas pós-quarentena e pós-covid-19, Fábio acredita que as pessoas viverão uma nova era.

“Os bares e restaurantes vão reabrir de outra forma porque, com certeza, os clientes estarão mais sensíveis nas questões de higiene. Acho que teremos que seguir novas regras”, previu.

Atualmente a Abrasel/AM reúne mais de 200 associados ativos e a Abrasel nacional é responsável por organizar vários eventos gastronômicos ao longo do ano, como o Brasil Sabor, maior festival gastronômico do planeta, este ano em sua 15ª edição, marcado para acontecer de 14 a 31 de maio; O Quilo é Nosso, voltado para os restaurantes de comida a quilo, este ano em sua 4ª edição, marcado para acontecer de 17 a 26 de setembro; e o Bar em Bar, evento que valoriza a gastronomia dos bares brasileiros, este ano em sua 14ª edição, marcado para acontecer de 5 a 11 de novembro.

“Acredito que essas datas e programações serão refeitas. Até a 36ª edição da Fispal Food Service, principal feira na América Latina do setor, reunindo 470 expositores para quem busca abrir ou aprimorar seu negócio de alimentação fora do lar, que ocorreria em junho, em São Paulo, foi transferido para outubro”, adiantou.

Fábio Cunha é proprietário da Cantina Ghiotto, no Parque Dez de Novembro, e começou há 17 anos com o serviço de delivery.

“Mas ao longo do tempo nos aprimoramos no salão. Agora tivemos que retornar só ao delivery. Estávamos estruturados, mas foi como reabrir uma nova loja, pois tivemos que nos adequar às novas tecnologias, como ter um aplicativo próprio, e pedidos pelo WhatsApp. Melhoramos o atendimento dos entregadores com os clientes nas regras da boa prática da manipulação de alimentos que, como estabelecimento gastronômico, sempre tivemos. Agora é esperar essa onda passar e voltar à normalidade”, concluiu.  

Fonte: Evaldo Ferreira

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