8 de maio de 2021

Crise amplia risco de inadimplência em Manaus

O percentual de consumidores de Manaus endividados com cartões e carnês, entre outros meios de pagamento, caiu pelo décimo mês seguido, na virada do ano. O contrário, no entanto, se deu entre as famílias inadimplentes e as que já admitem que não podem pagar. É o que mostram os dados locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). 

Na sondagem, 67,2% das famílias manauenses (425.722) se dizem endividadas, número inferior aos 68,4% de dezembro e aos 80% de 12 meses atrás. Foi o menor percentual registrado em nível local, nos últimos 13 meses. Assim como o endividamento, caiu também o percentual dos consumidores que garantem que poderão quitar a dívida totalmente – de 11,9% para 7,7%. Em contrapartida, a parcela dos que esperam poder pagar o compromisso parcialmente ficou praticamente estacionada, ao passar de 32,2% para 32,3%. 

O índice de inadimplência na capital foi a 27,6%, atingindo um total de 174.654 famílias. Foi um número maior do que o apresentado em dezembro, quando 26% (164.710) estavam nessa situação, e também superou o patamar de janeiro de 2020 (26,6% e 166.051). A fatia correspondente às famílias de Manaus que declararam à CNC já não ter condições de quitar suas dívidas em atraso voltou a embicar para cima, em janeiro (16,5% e 104.782), superando dezembro de 2020 (14,5% e 91.400) e janeiro do mesmo ano (13,3% e 83.035).

Tempo e dependência

A maioria dos manauenses entrevistados (56,9%) se assume “muito endividada” – contra os 45,4% registrados em dezembro. São seguidos bem de longe pelos que se dizem “mais ou menos endividados” (7,6%) e os “pouco endividados” (2,7%), com níveis piores do que os capturados na sondagem anterior (11,3% e 11,7%, respectivamente). Consumidores com renda total superior a dez salários mínimos predominam na média do indicador – puxados pelo grupo dos “mais ou menos endividados” (40,7%).

O tempo de inadimplência, contudo, mostrou queda em Manaus. Em torno de 30,8% devem há mais de 90 dias – com destaque para os que ganham até dez mínimos (32,2%). A fatia de consumidores com dívidas atrasadas entre 30 e 90 dias (54%) ainda é a maior e também subiu. Em último lugar está o grupo pendente há menos de um mês (15,1%), que também expandiu. Em dezembro, os números foram 34,3%, 48,6% e 17,1%, respectivamente.

O oposto aconteceu nas estimativas de tempo para os manauenses inadimplentes quitarem as dívidas. Cresceu o percentual dos que estimam permanecer comprometido com dívidas por mais de um ano (34,4%) ou entre seis meses e um ano (39,4%). Em contrapartida, os grupos de devedores comprometidos por três a seis meses (11,4%) e até três meses (7,9%) encolheram. Os números da sondagem anterior foram 33,8%, 38,7%, 12,9% e 8,8%, na ordem.

Cartão e comprometimento

Em Manaus, o maior vilão do endividamento e da inadimplência ainda é o cartão de crédito, cuja participação no bolo disparou dos 79,3% para os atuais 98,5%, entre um mês e outro. Ao contrário do ocorrido no meses anteriores, o percentual foi maior para os que ganham menos de dez mínimos (98,7%). Carnês (86%) estão na segunda posição, também com predominância entre os mais pobres (89%). Na terceira posição, o crédito pessoal foi a modalidade que experimentou a maior alta, na mesma comparação: de 35,8% para 63,7%. Crédito consignado (0,9%), cheque especial (0,4%) e financiamento de casa (0,1%), por outro lado, desidrataram.

Em média, as famílias da capital amazonense consomem 43,2% de sua renda para pagar dívidas – mais do que os 42,8% anteriores. Houve uma relativa piora na distribuição por níveis de comprometimento. A maioria (63,9%) já gasta mais da metade dos ganhos mensais com dívidas. São seguidos de longe pelos que gastam de 11% a 50% (25,9%) e pelos que limitam os dispêndios a 10% (3,2%). Em dezembro, essas fatias foram de 62%, 27,7% e 3,1%, respectivamente.

“Ano engessado”

De acordo com o presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, embora a pesquisa demonstre queda mensal no processo de endividamento do consumidor local, houve crescimento em relação a 2019. E, no entendimento do dirigente, o número mais baixo de endividamento está mais ligado à paralisia do comércio imposta pela segunda onda de covid-19 no Estado, do que a eventuais fatores positivos.   

“Tivemos um momento atípico entre o final de 2020 e o início de 2021. O ano começou engessado e com uma série de restrições, que acabaram diminuindo o ritmo da economia. E esse risco imobilizou o consumidor em suas compras. Esta situação pela qual passamos contribuiu para reduzir o nível de endividamento. Houve uma inversão em relação ao começo do ano passado, quando tínhamos muito otimismo e acabamos desaguando na pandemia. Esse não, já iniciamos com muitas dificuldades e a economia quase que totalmente paralisada”, finalizou.     

Endividamento dos brasileiros bate recorde em 2020

Estudo produzido pela CNC, com base nos resultados mensais da Peic, mostra que a média de famílias brasileira endividadas avançou 2,8 pontos percentuais, entre 2019 e 2020, chegando a 66,5% – a maior porcentagem anual da série, iniciada em 2010. O indicador subiu até atingir o nível recorde de 67,5%, em agosto, mas caiu nos meses seguintes, fechando dezembro em 66,3%. A inadimplência também aumentou (+1,5 p.p.), alcançando 25,5%, assim como o percentual das famílias que declararam não ter condições de quitar débitos (+1,4 p.p.), que subiu para 11%.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, destaca que os impactos negativos do surto de covid-19 ao longo do ano impuseram a adoção de medidas de recomposição da renda, como o benefício emergencial, e de estímulo ao crédito, como forma de manter algum nível de consumo pelos brasileiros. “Em conjunto com a redução dos juros ao menor patamar da história e com a inflação ao consumidor controlada em níveis baixos, estas ações forneceram às famílias condições de ampliar a contratação de dívidas e renegociar as já existentes”, concluiu. 

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