Crise amplia desesperança das MPEs e MEIs do Amazonas

A segunda onda de covid-19 e a continuidade das restrições ao atendimento presencial nas lojas, derreteram as esperanças dos micro e pequenos empreendedores do Amazonas. A expectativa deles é que deve levar pelo menos 13 meses para que a economia volte “ao normal”. A performance das vendas ajuda a entender o pessimismo: 62% dos MEIs e das MPEs dizem que o saldo das festas de fim de ano ficou abaixo de 2019 e 64% apontam que nem Black Friday, nem Natal ou Reveillon impactaram os negócios. O desempenho foi ainda pior no Carnaval: 82% registraram resultados abaixo de 2020.

Apenas 2% dos empreendedores amazonenses garantem que obtiveram boa vendas no feriado momesco – cuja festa oficial foi cancelada no Amazonas e em outros Estados – e outros 16% apontam estagnação. No caso das festas de fim de ano, para 24% o desempenho positivo e para os 15% restantes, empate. O Natal (26%) respondeu pela maior parte do faturamento, sendo seguido pelo Reveillon (7%) e pela Black Friday (3%). 

Com isso, o ano se encerrou com perdas para 62% dos micro e pequenos empresários do Amazonas. Somente 18% apontaram melhoras no faturamento, no confronto com o desempenho de 2019, 14% cravam em um empate e outros 6% não responderam. Os dados estão na décima edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae, e realizada entre 25 de fevereiro e 1º de março. 

Para nada menos do que 84% dos entrevistados, o faturamento mensal estava abaixo do habitual, no período da sondagem e apenas 3% dizem que subiu – contra os 7% anteriores. Na comparação da última semana capturada pelo levantamento com a semana anterior, houve uma queda média de 49%, para as vendas dos MEIS e as MPEs do Amazonas. Entre a maioria que vendeu menos, a retração foi de 54%, enquanto a minoria que obteve maior comercialização conseguiu alta de 25%. 

Tecnologia e empregos

Caiu de 69% para 56% a proporção de empresas que tiveram de fazer mudanças para sobreviver à crise, na comparação com os números da edição anterior do levantamento – realizado no começo de dezembro, antes da segunda onda. Em sintonia, a fatia de empreendedores amazonenses que abraçaram as redes sociais, aplicativos e internet para facilitar as vendas diminuiu dos 75% anteriores para os 59% atuais. Como resultado, aumentou o número de pessoas jurídicas que saiu temporária (30%) ou definitivamente (5%) do mercado – contra os 15% e 2% anteriores, respectivamente.

Desta vez, o Sebrae não informou a média de colaboradores das micro e pequenas empresas do Amazonas ouvidas na pesquisa – que era de quatro na edição anterior. Os quadros costumam incluir familiares, empregados fixos e temporários, formais ou informais. O levantamento revelou, contudo, que a fatia correspondente a negócios que não contam com um empregado sequer aumentou de 49% para 56%, entre um período e outro. 

Diminuiu de 39% para 22% a fatia de pequenos negócios locais que conseguiram evitar desligamentos nos 30 dias anteriores à pesquisa. Ao mesmo tempo, aumentou de 13% para 22% a fatia dos que optaram por demitir, sendo que a média de funcionários mandados para casa (3) foi metade bateu a média nacional (2), ficando também acima da marca de novembro (1).

Em contraste a minoria das micro e pequenas empresas que ainda conseguiram contratar funcionários de carteira assinada em fevereiro de 2021 (14%) veio em proporção maior do que a registrada em dezembro do ano passado (8%). A média de profissionais celetistas admitidos pelas MPEs e MEIs do Amazonas (2) avançou em relação ao levantamento anterior (1) e empatou com a estatística brasileira (2).

Em síntese, para 63%, a frase que melhor define o momento atual é “ainda tenho muitas dificuldades para manter meu negócio”, sendo seguida de lonte pela fatia dos que estabelecem que o “os desafios provocaram mudanças que foram valiosas para o seu negócio” (20%). A minoria diz que “o pior já passou” (9%) ou que está “animado com as novas oportunidades” (8%). Na sondagem anterior, as respectivas fatias foram 38%, 38%, 12% e 12%.  

Segunda onda

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, observa que a atual edição da sondagem do Sebrae traz o diferencial de apontar que 100% dos negócios foram atingidos pela segunda onda de covid-19, no Amazonas. A executiva avalia que o recrudescimento da pandemia, em nível local, contribuiu para que o Estado apresentasse um desempenho comparativamente pior do que o da média nacional. 

“No período da pesquisa, 30% das empresas amazonenses estavam fechadas temporariamente, sendo este o mais alto percentual do país. Outras 5% já estavam fechadas definitivamente. Outro dado bastante preocupante diz respeito à queda de faturamento, que atingiu 84% das empresas. A primeira onda causou uma queda de 62% nas vendas, em relação as de 2019, o que nos leva interpretar que a segunda onda foi mais impactante aos pequenos”, comparou.

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM destaca ainda que 49% das empresas não utilizam redes sociais como canais de venda, ou porque não se adaptaram à realidade, ou porque seus serviços tem de ser prestados presencialmente. Outro dado indesejável para a economia local, prossegue a dirigente, foi o número de demitidos. “O aumento de pessoas sem emprego contribui para diminuir a demanda de produtos e serviços, acentuando a crise para os próprios pequenos negócios, pela queda do consumo das famílias”, ponderou.

Indagada sobre o horizonte imediato das MPEs e MEIs do Amazonas, Socorro Correa aponta que a crise atual é a maior já vivida pelos pequenos negócios e que uma série de medidas precisam ser adotadas, no menor prazo possível. A lista incluiu credito barato, auxílio financeiro para os setores mais afetados e política de estímulo à geração de emprego. “Também tem que ser feita a vacinação de empresários e funcionários, para os segmento de alimentos, transporte, construção civil e educação, para que estes possam exercer suas atividades”, concluiu.

Saiba mais sobre os empreendedores do Amazonas

A sondagem do Sebrae ouviu representantes de 6.228 micro e pequenas empresas em todo o país, assim como MEIs (microempreendedores individuais), sendo que 103 deles estão no Amazonas. Entre os entrevistados no Estado, 51% são MEIs, 42% estão à frente de microempresas (até R$ 360 mil de faturamento bruto anual) e 7% respondem por empresas de pequeno porte (de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões). Comércio (49%) é a atividade mais comum entre eles, sendo seguida por (47%) e indústria (3%). As estatísticas apontam ainda que o empreendedor amazonense é majoritariamente do sexo masculino (63%), tem de 36 a 55 anos de idade (57%), conta com ensino superior incompleto “ou mais” (54%) e se declara da etnia “negra” (72%).

Foto/Destaque: Divulgação

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