Crise ameaça formação de reservas internacionais

Nada é mais claro a esta altura do que a gravidade da crise internacional, que fugiu completamente ao controle dos mecanismos convencionais e não convencionais de regulação. A crise já não é uma “crise do subprime” e rapidamente transita de uma “crise de confiança” para uma crise generalizada de liquidação de ativos, na qual o receio de perdas mais aprofundadas precipita as vendas a qualquer preço dos ativos de maior liquidez – daí as quedas dos preços das ações e das commodities nos mercados mundiais. Diante de um quadro como esse, tudo o que foi construído pelo Brasil nos últimos anos em termos de constituição de reservas internacionais e fortalecimento de instituições financeiras pode se revelar pouco para enfrentar a crise. Por isso, medidas talvez muito mais graves e de alcance muito maior tenham de ser adotadas pelas autoridades do país para proteger a economia nacional.
Por enquanto, é possível conceber uma linha de política econômica não radical, mas que, dependendo de um otimista abrandamento da situação internacional, pode contribuir para que o Brasil evite o pior impacto sobre sua economia. O Banco Central passou a fazer intervenções no mercado de câmbio para, minimamente, evitar desvalorizações exageradas da moeda nacional. É inevitável a desvalorização do Real, mas os exageros potencializam a sensação de contágio do Brasil pela crise externa e geram antecipações de aumento de inflação e permanência de juros altos. Por gerar expectativas excessivamente pessimistas, as desvalorizações devem ser controladas, ao menos nesta fase aguda de instabilidade dos mercados financeiros, por meio de fortes intervenções do Banco Central no mercado de câmbio.
A restrição do crédito para as empresas e famílias brasileiras é outro tema fundamental para que o Brasil preserve mínimas condições de crescimento de sua economia. O crédito contratado com recursos externos pelas empresas brasileiras sofreu um verdadeiro colapso com a crise externa.

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