Crise ainda é impactante nas pequenas indústrias

O nível de recuperação da indústria ainda não pode ser percebido nas pequenas empresas do setor, ainda fortemente abaladas pela crise da covid-19. Sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que desempenho, situação financeira e confiança seguem abaixo da média histórica e dos patamares registrados nos meses pré-pandemia. Embora os números sejam nacionais, especialistas e lideranças apontam que o Amazonas não é ponto fora da curva nesse caso. 

O segmento, no entanto, se mantém otimista diante das adversidades econômicas proporcionadas pela pandemia do novo coronavírus – e também dos entraves estruturais agravados pela crise. Divulgada nesta quinta (13), a pesquisa “Panorama da Pequena Indústria” informam que o Índice de Perspectiva avançou 6,6 pontos percentuais e chegou a 46,1 pontos e ultrapassou em 0,8 ponto a média histórica. 

O peso da carga tributária ainda é visto como o principal entrave por todos os segmentos industriais – especialmente no segundo trimestre. Na indústria de transformação, a demanda interna aparece logo em seguida como segundo maior obstáculo. Resultado da menor produção no pico da pandemia e da quebra nas cadeias logísticas, a escassez e falta de matéria-prima assumiram a terceira posição no ranking de preocupações da pequena manufatura.

O Índice de Desempenho dos pequenos negócios do setor, por outro lado, registrou alta de 7,5 pontos e chegou aos 41,3 pontos. É o segundo incremento consecutivo desde o tombo registrado em abril (27,1 pontos) – mês em que a os números da pandemia e as medidas de restrição à circulação de pessoas estavam em seu auge. O desempenho, contudo, não conseguiu arranhar a média histórica (42,8 pontos).

O cenário mais desafiador, conforme análise da CNI, é encontrado no Índice de Situação Financeira da Pequena Indústria. A despeito do aumento de 1,2 p.p. em relação ao primeiro trimestre, o valor de 33,2 ainda ficou 3,2 p.p. abaixo do que o registrado no segundo trimestre de 2019 e 3,9 p.p. aquém da média histórica. “A pequena melhora da situação financeira no trimestre pode ser explicada pelos diversos ajustes de produção, emprego e estoques realizado pelas empresas durante a pandemia, passado o choque de março e abril”, salientou o relatório do estudo. 

Reforma Tributária

As condições adversas, não impediram que a confiança dos empresários entrasse novamente em trajetória de recuperação. Segundo a CNI, o Índice de Confiança do Empresário Industrial das pequenas empresas aumentou em junho (+7,2 pontos) e julho (+ 6,8 pontos), após tombo histórico de abril (-25,2 pontos) e estabilidade em maio (+0,2 ponto). 

A entidade ressalva, entretanto, que o indicador ainda permanece abaixo dos 50 pontos, o que significa que o viés é de falta de confiança, embora em menor intensidade. “A falta de confiança contribui para a paralisação dos investimentos e dificulta a recuperação da atividade econômica”, complementou o relatório da sondagem da CNI.

Em texto distribuído pela assessoria de comunicação da entidade, o gerente executivo de Política Industrial da CNI, João Emilio Gonçalves, considera que ainda há um caminho a ser percorrido para a pequena indústria superar os desafios impostos pela pandemia. “Mas, avançamos em relação a abril, que cada vez mais tem se consolidado como o pior momento da crise. O panorama reforça a importância da Reforma Tributária como ponto crucial para a retomada da atividade econômica no médio e longo prazos”, ponderou

Otimismo e incertezas

Na avaliação da gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa – Seção Amazonas), Socorro Correa, aponta que pesquisas conduzidas pelo próprio Sebrae já indicam que empreendedor amazonense é mais otimista do que os de outros Estados, em que pesem a instabilidade e a insegurança no cenário econômico brasileiro, assim como a fragilidade da aparente recuperação que vem sendo desenhada em diversos indicadores econômicos recentes. 

“Vejo, que as empresas locais estão lutando e usando todas as estratégias possíveis para se manterem. Mas, ainda não dá para falar de final de crise. Os gastos governamentais para combate e tratamento da covid-19 e apoio à economia elevaram os gastos públicos. Essa conta terá de ser paga por alguém: governo com corte de investimento e custeio ou os contribuintes. Além disso, a doença não está controlada, logo ainda temos cenários incertos”, alertou.

Custos e competitividade 

No entendimento do presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, os dados mostram um panorama que confirma as previsões que a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas fez, assim que o PIM conseguiu superar os momentos mais cruciais da pandemia: de uma recuperação lenta, seguida pelo aumento da confiança do empresário da pequena indústria. Segundo o dirigente, a confiança dos empresários da média e grande empresa, já superou os 50 pontos e é considerada otimista. 

“A carga tributária é um problema para a indústria como um todo e também para o comércio. A demanda por sua vez, já passou pela sua maior queda e esperamos que continue crescendo, bem como o emprego, que é o suporte para aumentar o poder aquisitivo do trabalhador. Por tudo isso, a Reforma Tributária continua sendo de suma importância para reduzir o Custo Brasil e aumentar a produtividade e competitividade da indústria, criando um ambiente de negócios propício para o desenvolvimento econômico”, argumentou.

Antonio Silva aponta que a situação financeira é um ponto nevrálgico para a pequena empresa, que tem muitas dificuldades de obter financiamento. Mas, considera que a dinâmica da economia dá mostras de que a situação tende a melhorar. “Com referência às perspectivas da pequena indústria amazonense, creio que também são boas, apesar das dificuldades. É um panorama que exige do empreendedor maior empenho na conciliação dos custos de produção com menor margem de lucro para elevar a competitividade”, arrematou.

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