Cresce expectativa de recuperação

Um verdadeiro efeito cascata tem marcado a economia brasileira. Desde 2014 o Brasil vem passando por uma grave recessão, contudo, a liberação dos valores depositados nas contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), fizeram o dinheiro voltar a circular novamente no comércio, dando uma expectativa de recuperação econômica. A liberação desses recursos ajudou, mas a volta do consumo das famílias veio para ficar e é o que deve sustentar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) nesta fase inicial da retomada, um movimento que vai aquecer a venda de produtos e serviços, em geral de menor valor agregado, mais rápido do que era esperado no início do ano. A expectativa é de que o nível de consumo das famílias retorne ao patamar de 2014 (último ano de crescimento) até 2019. Parece distante, mas o fato é que ninguém previa a retomada a esse patamar antes de 2020.

De acordo com o economista Gilmar Freitas, a situação política causou a desestruturação financeira do país, abalando o poder de consumo, o que agora, pode estra mudando. “A classe trabalhadora aumentou sua capacidade de compra, as famílias passaram a gastar não apenas com alimentação, e isso mostra que as pessoas ganharam novo ânimo, que o setor da economia após o recuo da inflação, começou a aumentar a expectativa dos trabalhadores brasileiros”, disse o economista.

Com a circulação do dinheiro no mercado, as empresas pararam de demitir e esse foi um dos grandes avanços neste período de crise, pois com os empregos garantidos, os trabalhadores ganham confiança na hora de investir o valor recebido. De acordo com dados do estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado na última sexta-feira (15), o Amazonas registrou taxa de desocupação de mais de 15%, um número menor do que o período entre janeiro e março deste ano, em que esse índice foi superior a 17%.

Segundo Freitas, esses números devem ser vistos com cautela, pois n PIM (Polo Industrial de Manaus), anteriormente possuía 120 mil colaboradores, atualmente, conta com cerca de 85 mil empregados, um número muito aquém do que é necessário. De acordo com o economista, o setor apresenta um crescimento lento nas contratações.

“Dá até pra comemorar o fato de não estar havendo demissões, os demais setores vêm apresentando um aumento gradativo nas contratações e a maior parte dos trabalhadores passaram a atuar na informalidade para não deixar de ganhar dinheiro”, comentou Freitas.

Para o presidente da FCDL (Federação da Câmara dos Dirigentes Lojistas), Ezra Benzion, muitos empresários estão esperando novembro, quando entra em vigor a Reforma Trabalhista, para iniciar as contratações. “Por ser umas das datas de maior número de vendas, o Dia das Crianças, no 12 de outubro, vai refletir no aumento das contratações temporárias, contudo, o desemprego vai diminuir consideravelmente a partir de novembro com a nova lei trabalhista entrando em vigor”, disse Benzion.

Comércio de varejo cresce no AM
A recuperação do varejo já começou a aparecer no Amazonas, os dados da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que neste ano, até julho, as vendas do segmento do varejo cresceu 3%, em comparação com o mês anterior, e já acumula crescimento em cinco dos sete meses do ano, ficando em 1º lugar no ranking dos Estados que mais cresceram neste período.

De acordo com a pesquisa, o comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, registrou variação de 15,2% em relação a igual mês do ano anterior. Assim já acumula crescimento de 9,3% em 2017 e 4,1% nos últimos doze meses.

Segundo o presidente da FCDL, o Amazonas foi um dos Estados mais afetados com a queda nas vendas do comércio no país. “A melhora do comércio, vem acompanhada da melhora no desempenho da indústria, do agronegócio, até o setor de serviços que estava estagnado apresentou recuperação e o Amazonas ficou entre os cinco Estados que apresentaram crescimento, então a nossa expectativa é que as coisas melhorem, porque nós estamos vivendo um período de crise muito prolongado, os números ainda são pequenos para ser considerados um reflexo positivo na economia local, contudo, acredito que mesmo de forma gradativa vamos conseguir perceber o crescimento econômico”, explicou Benzion.

Projeção de crescimento
O Santander projetou crescimento de 0,8% no consumo das famílias neste ano, acima da previsão para a expansão do PIB, de 0,7%. Para o ano que vem, a previsão é de que o consumo cresça 3,5% -número que não repõe o tombo de 8% acumulado entre 2015 e 2016.

Para Igor Velecico, economista do Bradesco, o medo do desemprego fez o consumidor se retrair muito a partir do final de 2015, mas o quadro estar ficando favorável. “Isso é positivo, porque o consumo voltando, mostra aos empresários que as coisas não estão tão ruins e de fato estamos saindo da recessão. A dúvida é o ritmo dessa retomada”, explicou Velecico.

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