Crédito fica mais difícil para MPEs no Amazonas

A taxa de inadimplência dos micros e pequenos empresários amazonenses caiu entre agosto e setembro, ao mesmo tempo em que o endividamento subiu. Despencou de 50% para 37% a parcela dos pequenos empreendedores amazonenses com dívidas em atraso. A proporção dos adimplentes avançou de 28% para 34%. Em paralelo, a minoria que afirma não possuir qualquer tipo de pendência financeira passou de 22% para 29%. Na média nacional, houve maior equilíbrio, com 31%, 36% e 33%, respectivamente.

Em torno de 67% buscaram crédito para garantir a sobrevivência dos negócios, uma taxa maior do que a apresentada em agosto (61%) e bem acima da média brasileira (50%) do mesmo período. O percentual de empreendedores amazonenses que teve pedidos negados voltou a aumentar, de 69% para 71%. A quantidade de solicitantes que conseguiu se manteve nos 18%, enquanto a fatia dos que ainda aguardam resposta dos bancos caiu de 13% para 11%. Os respectivos números nacionais foram melhores: 55%, 31% e 14%. 

É o que mostram os dados da oitava edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa). Realizada entre 28 de setembro a 1º de outubro, a sondagem ouviu representantes de 6.033 micros e pequenas empresas em todo o país, assim como MEIs (microempreendedores individuais), sendo que 77 deles estão no Amazonas (ver boxe).

Parceria e orientação

Pelo terceiro mês seguido, desde o começo da realização da pesquisa, a Caixa Econômica Federal –tradicional parceiro do Sebrae –foi a primeira opção para quem buscou financiamentos para sobreviver ao fechamento compulsório do mercado amazonense, respondendo por 39% da procura local –mas abaixo dos 42% anteriores. Bradesco (31%), Banco do Brasil (28%), Santander (6%), Itaú (5%), Banco do Povo (4%) e Sicredi (3%) vieram na sequência, mas pelo menos 36% da demanda seguiu para “outros” canais não informados –o dobro do registrado em agosto (18%).

Vale notar que 54% dos entrevistados nem procuraram orientação do Sebrae, um percentual menor aos 63% observados no fim de agosto. Em torno de 41% entraram em contato com a instituição, mas não foram direcionados ao banco público, mostrando piora sobre o levantamento anterior (29%). Por outro lado, apenas 5% passaram por ambos, uma fatia menor do que a de julho e agosto (9% e 8%, respectivamente).

A concessão ficou mais concentrada e, pela segunda vez em todo o período em que a pesquisa foi realizada, a Caixa Econômica (52%) liderou os avais para os financiamentos, respondendo por mais da metade da oferta. Foi seguida, de longe, por Banco do Brasil (21%), Bradesco, Sicoob e “outros” (os três empatados com 8%). 

Indagados se sabiam que o governo federal já havia disponibilizado empréstimos via maquininhas de cartão, e se a essa modalidade lhes parecia interessante, 39% dos entrevistados informaram não estar a par da novidade. Pelo menos 40% disseram saber, mas que não haviam recorrido à opção, enquanto outros 16% lamentaram não dispor do equipamento necessário e apenas 5% confirmaram que já estavam usando o novo meio de concessão de crédito. Em agosto, os respectivos percentuais foram 50%, 37%, 10% e 3%. 

Restrições e tecnologia

O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, assinala que os dados da pesquisa do Sebrae referentes ao endividamento, inadimplência e estrangulamento do crédito para os pequenos negócios do Amazonas já eram esperados e temidos, em face da crise, da demora do governo federal em reagir com a devida oferta de crédito, e da aversão dos bancos ao risco.

“Quando o dinheiro começou a ser liberado, muitas empresas já estavam com problemas de restrição, problema que o solicitante não pode ter no momento da contratação do empréstimo. Quanto mais o tempo passava, mais difícil ficava o acesso ao crédito, porque as contas iam chegando e os empreendedores tinham dificuldades crescentes para pagar”, sentenciou.  

De acordo com Pantoja, embora as maquininhas de cartão contem com juros mais altos do que o Pronampe e, por isso, sejam preteridas em favor dos canais tradicionais das instituições bancárias, a falta de entrosamento dos empreendedores locais com “tudo que se refere à tecnologia” é o fator preponderante para a baixa adesão da nova modalidade de crédito

“Infelizmente, essa é a verdade. Ainda temos um número muito baixo de empreendedores que têm acompanhado as evoluções tecnológicas, apesar de todas as iniciativas de divulgação e ampliação do conhecimento, por parte do Sebrae, inclusive em iniciativas com parcerias da Cielo e de bancos públicos e privados. E, às vezes, temos casos de baixa participação do público”, lamentou. 

“Estabilidade de caixa”

Já a gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, entende que os dados mostram quadro comparativamente superior ao do mês anterior, permitindo enxergar uma melhora no fluxo de caixa das empresas, já que praticamente a terça parte delas (29%) não tem dívidas e uma parcela pouco superior a isso (34%) está com os pagamentos em dia.

“Pouco mais de um terço dos micros e pequenos empresários ainda estão com desequilíbrio financeiro, visto que a concessão de crédito ocorreu apenas para 18% dos entrevistados. Isso denota que a estabilidade de caixa está se dando pelo aumento das vendas, provenientes de medidas adotadas recentemente, como o retorno do atendimento presencial, venda pelas redes sociais e marketing digital”, concluiu.

Saiba mais sobre os empreendedores do Amazonas

Dos 77 entrevistados no Amazonas, 51% são MEIs, 42% são microempresas e 7% são empresas de pequeno porte, sendo distribuídos em serviços (51%) comércio (40%), e indústria (5%), agropecuária (2%) e construção civil (1%). As estatísticas apontam ainda que o empreendedor amazonense é majoritariamente do sexo masculino (55%), tem de 36 a 55 anos de idade (53%), conta com ensino superior incompleto “ou mais” (65%) e se declara da etnia “negra” (88%). A maioria tem entre cinco e dez anos de operações no mercado local (23%), sendo seguidos de muito perto por aqueles que atuam entre dois a cinco anos, ou mesmo pelos que já acumularam mais de uma década de experiência (ambos com 22%).

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