Crédito ao consumidor aquecido em 2010

O indicador da Serasa Experian sobre perspectiva do crédito para os consumidores registrou queda de 1,3% em outubro, a terceira consecutiva, atingindo o patamar de 104. Segundo a empresa de análise de crédito, as reduções dos últimos meses apontam que haverá alguma desaceleração no ritmo de concessões à pessoa física, que deve ocorrer no final do primeiro trimestre do próximo ano.
A pesquisa indica, porém, que o indicador segue acima do nível 100, apontando que as concessões reais de crédito – com recursos livres – ao consumidor abrirão o ano de 2010 num ritmo ainda bastante aquecido.
De acordo com a Serasa, as melhores condições de financiamentos e a maior confiança dos consumidores – impulsionada pela recuperação do mercado formal de trabalho – ajudam a elevar o nível de empréstimos. Completam o cenário a redução da inadimplência e a prorrogação de incentivos fiscais dados pelo governo federal.
A empresa afirma que a desaceleração, a partir do segundo trimestre do ano que vem, deve se dar em função do descompasso entre o rápido crescimento do endividamento e um ritmo mais lento de recomposição da massa de rendimentos das famílias.
Além disso, avalia a empresa, as operações de crédito imobiliário, normalmente feitas com recursos direcionados, como poupança e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), deverão ter mais destaque no ano que vem, o que deve contribuir para um crescimento menos acentuado do crédito ao consumo com recursos livres.

Captação no exterior

A Serasa divulgou ainda o indicador de perspectiva do crédito às empresas, que avançou 0,4% em outubro, a nona alta consecutiva. O número, atualmente em 99,3, se aproxima do nível 100, o que, segundo a empresa, aponta que o volume de concessões – que hoje está cerca de 6% abaixo do normal – deve ser normalizado nos próximos seis meses.
O estudo aponta, porém, que esta recuperação não depende só de uma melhoria na inadimplência, mas de melhores condições para a captação de recursos no exterior.
“Neste sentido, o recente episódio da moratória de uma empresa estatal de Dubai (Emirados Árabes Unidos) pode, dependendo da dimensão de suas consequências, diminuir a velocidade de normalização das captações no exterior e, consequentemente, das concessões de crédito às empresas’’, concluiu a nota da Serasa.

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