CPI é adiada novamente na Aleam

Mais uma vez foi adiada a instalação da CPI (comissão parlamentar de inquérito) da Pedofilia na Aleam (Assembleia Legislativa do Estado). A promessa de instalação ficou agora para a próxima semana. O presidente da Aleam, Josué Neto, havia prometido instalar ontem a CPI, após forte pressão popular, mas mudou de ideia diante da falta de acordo para a definição dos nomes dos deputados que irão compor a comissão.
O presidente reconheceu que a investigação sobre o envolvimento do deputado Fausto Souza na Operação Estocolmo foi um dos fatores que motivaram a mudança sobre o prazo para a instalação, diante da pressão da sociedade. Depois de uma série de adiamentos, a Mesa Diretora decidiu no último mês de março deixar a instalação para depois das eleições, com receio de contaminar a investigação com a temporada eleitoral.
Josué Neto lembrou que a CPI está aprovada na Casa. “Nós inclusive fizemos a leitura da CPI da Pedofilia aqui no plenário”, argumentou. Josué Neto disse que os líderes dos partidos vão se reunir para definir os membros da CPI. Anteriormente, Josué havia antecipado os nomes, deixando de fora os deputados de oposição que propuseram a comissão de investigação.
Na última terça-feira, o FPMM (Fórum Permanente das Mulheres de Manaus) esteve na sede da Aleam para protestar contra o adiamento da instalação da CPI para depois das eleições. Na ocasião foi entregue ao presidente Josué Neto uma carta de repúdio ao que o grupo denominou de feminicídio ou assassinato de mulheres.
O deputado Luiz Castro, autor da proposta de instalação da CPI, está sendo preterido pelo presidente pelo fato de seu sogro ter sido preso em razão de caso de pedofilia. Castro avalia que a intenção é tirá-lo da investigação, por força e pressão dos investigados, que ele denuncia desde 2009.
O presidente da Aleam diz que o trabalho paralelo da CPI da Telefonia é outro motivo para avaliar com cautela a instalação da investigação sobre pedofilia. Depois de consultar o presidente da CPI da Telefonia, deputado Marcos Rotta (PMDB), a respeito do encerramento das despesas da comissão, que já chegam a R$ 400 mil, o presidente convocou a reunião para qualquer momento que os líderes desejarem a partir de ontem. Até o final da tarde de ontem, nenhum líder partidário teria se manifestado para pedir a reunião, segundo a assessoria da Aleam.
Seguindo o que prevê o Artigo 24 do Regimento Interno da Aleam (Disposições Gerais) que diz que a constituição da CPI deve ser proporcional às bancadas ou blocos parlamentares, o presidente Josué Neto sugeriu que ela tenha em sua composição: um membro da bancada majoritária, um da bancada minoritária, um de cada partido com maior bancada (PMDB e PSD, ambos com quatro deputados cada) e um representante da bancada feminina. Para a instalação acontecer, basta apenas que aconteça a reunião dos líderes partidários.
O deputado Josué Neto reafirmou que é a favor da criação da CPI, mas lamentou que ela tenha de ser instalada em meio a disputas estranhas ao ambiente da Assembleia Legislativa e dentro de um período que envolve a campanha eleitoral, mas pediu aos deputados que serão indicados como membros que tenham força para aguentar a pressão externa e conduzir as investigações de forma isenta e direcionada aos objetivos propostos.

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