9 de maio de 2021

CPI da pandemia começa ouvindo dois ex-ministros

A CPI da Pandemia no Senado começa a ouvir, hoje, dois ex-ministros da Saúde do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Na manhã desta terça-feira (04), serão ouvidos Luiz Henrique Mandetta e, à tarde, Nelson Teich, a partir das 14h.

Segundo o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), a convocação de Mandetta e Teich atende a uma série de requerimentos aprovados na semana passada no Congresso. Ele informou que os pedidos para o depoimento dos dois ex-ministros são dos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), relatou da CPI;  Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente do colegiado; e de Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Os parlamentares avaliam que os depoimentos dos ex-ministros devem ajudar a esclarecer se o Brasil poderia ter tomado outro rumo no enfrentamento à pandemia e freado o número de mortes, que hoje já ultrapassa 400 mil vítimas da Covid-19, segundo o último balanço do Ministério da Saúde.  

Omar Aziz prevê que os depoimentos de Mandetta e Teich serão longos na CPI, dado o alto número de questões que serão formuladas ao dois ex-ministros da Saúde no Senado. “Nosso objetivo é detalhar as investigações ao máximo possível. Não queremos incorrer em outros erros de comissões instaladas que acabaram não dando em nada”, disse ele. “Vamos apurar os fatos, somente a verdade, de forma imparcial e com muita seriedade”, ressaltou.

Envolvido em várias polêmicas com o presidente Jair Bolsonaro, que o acusava de não seguir as orientações do governo sobre o combate à pandemia, Mandetta já previa mais de 100 mil mortes durante a primeira onda do novo coronavírus. Ele foi demitido do cargo no dia 16 de abril de 2020, no início da crise sanitária no Brasil.

Naquela data, o País registrava 1.924 mortes. Hoje, o país tem mais de 400 mil óbitos por Covid-19. Seu substituto, Nelson Teich, permaneceu menos de um mês no cargo.

“A constante troca de ministros da Saúde em meio à pandemia é, por si só, um enorme problema para a gestão do ministério e pior ainda são os motivos para essas trocas”, disse o senador Randolfe Rodrigues.

Ele afirmou  que Mandetta foi exonerado do cargo de ministro da Saúde justamente por defender as medidas de combate à doença recomendadas pela ciência. “O presidente defendia mudanças nos protocolos de uso da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus, mas Nelson Teich era contra. Infelizmente, sabemos o rumo que a gestão da pandemia tomou no País”, acrescenta Randolfe nos pedidos para a convocação dos dois ex-ministros para depoimentos na CPi da Pandemia.

Já o presidente Jair Bolsonaro atribui a disseminação da Covid-19 e o alto número de mortes a ações equivocadas de Estados e municípios no enfrentamento à doença. “Liberei todos os recursos necessários, mas infelizmente eles não conduziram bem as medidas para o controle da pandemia”, questionou. “A culpa não é minha”, afirmou.

Mais dois convocados

Ainda nesta semana, são aguardadas as oitivas do general Eduardo Pazuello, que esteve por mais tempo no comando do Ministério da Saúde desde que a pandemia começou, e do atual ministro, Marcelo Queiroga. O primeiro falará nesta quarta-feira (5), enquanto que o segundo deverá prestar esclarecimentos na quinta-feira (6), mesmo dia em que está agendada a oitiva do diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres. Todos vão comparecer ao Senado na condição de testemunhas.

De acordo com Omar Aziz, a CPI da Pandemia pode votar em seguida a convocação de ministros de outras pastas, governadores e prefeitos. Os parlamentares sugerem a convocação dos ministros Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (Defesa e ex-Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil e ex-Secretaria de Governo), entre outros. Há ainda requerimentos para a convocação do ex-ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e do atual chanceler, Carlos Alberto Franco França.

CPI da Pandemia pode votar ainda a convocação de cinco governadores
Foto: Divulgação

A CPI da Pandemia pode votar ainda a convocação dos governadores João Doria (São Paulo), Wilson Lima (Amazonas), Rui Costa (Bahia) e Hélder Barbalho (Pará). Wellington Dias (Piauí) é convidado como representante do Fórum de Governadores.

Foto/Destaque: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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