8 de março de 2021

COVID-19. Os dados dos últimos dias apontam para uma melhoria dos indicadores

O pico da contaminação na pandemia, atribuído à cepa supostamente detectada no Amazonas, começa a refluir. Os dados oficiais apontam índices mais baixos de transmissão desde o dia 26/12/2020. Lembremos que o Amazonas estava há 45 dias em 1° lugar no ranking nacional e hoje é o 10°, muito próximo a cair abaixo de 1,0  índice com o qual os órgãos de controle trabalham. Isso nos alivia e alegra e confirma o acerto de algumas medidas. Chega de perder tantas pessoas próximas e muito queridas. No momento, precisamos apenas apurar objetivamente as razões dessa tragédia, entre tantas que a população do Amazonas tem sofrido historicamente. Imposta enfatizar que a investigação é da cidadania, não dos órgãos oficiais de auditoria, controle ou condenação. 

Comícios, festas e férias  

É lugar comum recordar que o aumento do número de casos não se deu por atitudes tomadas por este ou aquele ator público. A transmissão se deu, basicamente, por conta das aglomerações em comícios, festas e férias do final do ano. As pessoas foram alertadas, talvez sem a veemência necessária, ou quem sabe faltou rigor e eficiência nessa comunicação. Da mesma forma, as ações para conter esse nível descontrolado de transmissão, tomadas no começo de janeiro, não foram tão ousadas como deveriam. Outra hipótese é sobre o número de pessoas que criaram imunidades, depois de serem contaminadas e tratadas. O fato é que essa redução de casos é uma excelente notícia. 

Infraestrutura precária  

É preciso, porém, ter presente que a questão não é a contaminação, todos nós teremos contato com esse vírus, mais cedo ou mais tarde. O maior problema é a infraestrutura para prestar o devido atendimento ambulatorial e hospitalar às pessoas que precisaram e precisarão. A vacina trará, da mesma forma, esse alívio na demanda hospitalar. Mas não podemos nos acomodar às estatísticas dos óbitos. Até aqui foi discreta a redução de mortes indicada no relatório da Fundação de Vigilância Sanitária-FVS. As mortes estão estabilizadas em um patamar elevado.Foi atingido um patamar de 79,9% dos leitos clínicos. Esta leitura está entre as melhores do ano 2021. Quanto aos leitos de UTI, ainda estão pressionados por uma ocupação acima de 90%. Espera-se, ainda bem, que nos próximos dias se confirme a tendência de melhoria neste cenário. 

Retomada da Economia 

E qual é o significado desses dados para a retomada da economia? Temos consciência de que não é no ambiente de trabalho que as pessoas se contaminam. Temos protocolos reconhecidamente rigorosos, tanto na indústria quanto no comércio. A indústria tinha uma média de absenteísmo de 2.2% antes da pandemia; de setembro a novembro de 2020, essa média subiu para 3.6% . Então, as pessoas que trabalham na indústria se contaminaram? Sim, e por uma razão muito simples: elas tem suas vidas, social e familiar onde todos podemos ficar expostos a diversas formas de contágio. Um dado elucidativo pode confirmar, porém, a defesa de nossos protocolos de segurança e prevenção. Depois das férias e/ou festas no recesso do final do ano, na primeira semana de janeiro, esse número subiu para 16%. Ou seja, é extremamente seguro o ambiente fabril. Ali, o vírus está sob controle. 

Precisamos perenizar as melhorias na saúde! 

Já faz tempo que o FTI, fundo de turismo e interiorização do desenvolvimento – um repasse da indústria de R$900 milhões/na,  para nossos irmãos ribeirinhos –  é fatiado para diversas despesas que não os propósitos da Lei. E o que compete ao setor privado, como instância geradora de riquezas, para aplicação dessa riqueza na saúde e educação do Amazonas? Essas instâncias são responsáveis pela qualidade de vida e realização pessoal e profissional de nossos jovens. Essa pergunta nos fazemos em todas as reuniões de avaliação deste paradoxo: o Amazonas é um dos 5 Estados que mais recolhe tributos ao setor público. E é, hoje, segundo o IBGE, o Estado em que 2,7 milhões de pessoas estão em vulnerabilidade social. Ou seja, a fome aumentou assustadoramente com a pandemia. E afinal,  como garantir a melhoria perene da Saúde, sendo que a nova Lei do FTI determina 50% para a Saúde? Além de recolher um baú abarrotado de recursos ao poder público, ainda temos que escutar a maledicência contra o programa ZFM, tentando insinuar que somos responsáveis por este  cenário de inaceitável exclusão social.  

Sofrimento da população 

Por que a saúde pública, desde sempre, é extremamente deficiente? Todos assistimos, várias vezes, a notícias e imagens de hospitais lotados, pacientes nos corredores, falta de insumos, espera de meses por uma cirurgia ou um exame mais delicado. Assistimos, há vários anos, a denúncias com relação aos desvios criminosos de recursos da saúde. Como interferir nessas distorções? Deixamos à justiça e à polícia essa atribuição. À nós do setor produtivo compete continuar gerando empregos e pagando os impostos para que os serviços públicos seja dignamente prestadia a população. No entanto, temos nos mobilizado para ajudar as equipes de saúde e as pessoas que hoje estão vivendo essa angústia da fome causada pela pandemia. Isso se deve ao compromisso solidário das empresas, pois nossa responsabilidade social na geração de empregos e coleta de impostos cumprimos com denodo e rigor. 

Desigualdades regionais  

Seguiremos, cabe insistir, na reclamação sistemática de que a riqueza aqui gerada é destinada, fundamentalmente, à redução das desigualdades regionais, por mandamento constitucional. E este é o critério de avaliação dos gastos públicos. Em suma, estamos fortalecendo a Ação Social Integrada. Fazer o bem faz bem, tanto a quem precisa, mas principalmente para aquele que estende as mãos solidárias para o seu irmão. E não mediremos esforços para continuar prestando essa ajuda. Quanto à aplicação dos recursos gerados pelas empresas através de impostos, temos todos que exigir que sejam devidamente utilizado em prol da população. Vamos cobrar mais transparência e eficiência na gestão desses recursos, especialmente na direção da saúde pública, com a oferta decente do número de leitos e com o devido abastecimento de insumos para prestar serviços dignos ao cidadão e sua família.   

(*) Wilson é economista, empresário, presidente do CIEAM, e coordenador da Convergência Empresarial da Zona Franca de Manaus. 

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected].

Foto destaque: Divulgação

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