Corretores imobiliários podem comemorar bom momento do setor

Jornal do Commercio – Há realmente o que comemorar?

Paschoal Guilherme Rodrigues – Com certeza. Esse mercado está aquecido porque agora, realmente, estão lançando produtos que atendem todas as faixas de público, inclusive a classe média baixa, D e E. Existem vários empreendimentos no mercado, onde uma pessoa com uma média de R$ 300 por mês consegue adquirir um imóvel.

JC – Essa realidade é para atender ao público de baixa renda?

Pascoal Rodrigues- Média baixa, D e E, ou seja, o pessoal que realmente tem o sonho da casa própria. São pessoas que estão casando ou o que viviam com os pais, a sogra, enfim o “sem casa”.

JC – O Brasil todo está vivendo esta explosão.

Pascoal Rodrigues – Sim, e o Amazonas, diferente de outros Estados da federação, tem um componente de status. Ele é o 4º PIB nacional e todo mundo precisava ver isso.

JC – Explique melhor essa situação

Pascoal Rodrigues – Finalmente lembraram que temos as maiores indústrias brasileiras e internacionais sediadas no PIM (Pólo Industrial de Manaus), que está fantástico. Com a vinda dos executivos dessas empresas para Manaus, fazia-se necessário melhorar a moradia. Descobriram também que morar em Manaus é muito agradável -só não temos aqui uma praia de mar- o restante tem tudo. O Amazonas tem um potencial fantástico, um povo acolhedor, o clima é gostoso e, o melhor, tem potencial para se desenvolver.

JC – Na sua opinião quanto tempo vai durar esse boom da construção?

Pascoal Rodrigues – Bem lembrado. O fato de termos uma quantidade de lançamentos muito grande, até meio desordenada, nos faz refletir que está na hora das construtoras e incorporadoras se alinharem novamente e colocarem o pé no chão, porque, na hora que arrefecer o boom, as grandes imobiliárias, incorporadoras e construtoras que vieram do resto do país para lançar seus produtos em Manaus podem não dar conta do recado. Atualmente, se lança um imóvel e uma semana depois está todo vendido. No entanto, isso gera uma grande preocupação.

JC – Qual a sua preocupação?

Pascoal Rodrigues – O Brasil inteiro está numa aceleração grande, o governo está de parabéns, tanto o estadual como o federal, porque está incentivando a área habitacional. Os bancos por sua vez, Caixa Econômica, Banco do Brasil e os particulares estão separando uma fatia muito gorda do seu dinheiro para a área imobiliária. Só que o brasileiro, com todas essas bolsas –Escola, Família-, está injetando mais dinheiro no mercado, atingindo um patamar de satisfação, e isto acaba gerando uma coisa perigosa chamada inflação.

JC – A inflação já começa a importunar?

Pascoal Rodrigues – Sim, pois a única solução que o governo dá para a inflação é aumentar os juros. Quando isso acontece, inviabiliza a área financeira, atingindo 99% dos brasileiros, e, por consequência, esse boom em todas as atividades, em especial na imobiliária, vai começar a encarecer. O comprador da classe média baixa, que vinha tendo tranquilidade em comprar, usar seu FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para fazer um financiamento a longo prazo com um banco já sentiu no bolso nos últimos dois meses que houve aumento nesses financiamentos por conta da alta na taxa de juros. Por enquanto, ainda está bom, mas na hora que as pessoas começarem a pegar a máquina de calcular e ver quanto vai custar o financiamento, vão começar a se preocupar e esse boom pode entrar em uma calmaria e só vai retornar na hora que a taxa de juros começar a baixar novamente.

JC – No ramo imobiliário, as prestações podem ser fixas até o fim do contrato?

Pascoal Rodrigues – Diferente dos demais produtos, a exemplo dos carros que têm prestações fixas, o financiamento imobiliário acompanha o INCC (Índice Nacional da Construção Civil), que incorpora os produtos que estão sendo construídos. Logo, conforme o momento do contrato ou da incorporação, esse financiamento acaba ganhando valor agregado por conta da inflação que remete o aumento da taxa de juros. No ano passado, a gente aplaudia quando acontecia a reunião do Copom e a taxa de juros caia, oportunizando a venda de imóveis. Agora, temos que estar atentos, afinal nossa taxa de juros é uma das maiores do mundo.

JC – Na sua opinião, a burocracia bancária reduziu?

Pascoal Rodrigues – Reduziu expressivamente. Se não tiver restrição bancária, dinheiro da entrada, olerite na mão(comprovante de renda) e emprego fixo ou renda autônoma, o processo saí rápido. No passado, muitos bancos oficiais terminavam o ano com dinheiro em caixa, porque não havia agilidade nos processos.

JC – O trabalhador que ganha salário mínimo tem chance de financiamento?

Pascoal Rodrigues – Tem, primeiro porque, uma vez que ele possui o FGTS e dependendo do tempo de trabalho em carteira, terá como abater parte do débito. Hoje, tem a possibilidade de fazer um financiamento familiar, onde é incorporado o salário do marido, da esposa e do filho. Também ainda existem os famosos loteamentos, onde essa classe costuma habitar. Os lotes saem mais barato em torno de 20% em relação a um imóvel pronto, aí as pessoas constroem via mutirão ou emprestam da Caixa para construir.

JC – Comprar imóvel de quem não tem tradição no mercado é perigoso?

Pascoal Rodrigues – Sim, a sociedade tem que saber a origem das construtoras, das incorporadoras antes de fechar negócio, qual sua tradição, o que tem já entregue no mercado.

JC – O senhor é contra quem está entrando neste mercado?

Pascoal Rodrigues – Não sou contra, desde que inicie corretamente, crie uma corporação, seja proprietário do terreno, tenha uma arquitetura boa, um compromisso financeiro saudável, que tenha garantia de um banco como Caixa Econômica, Banco do Brasil, ou um banco particular. Essas são garantias que a população tem que enxergar. Do contrário pode cair numa esparrela. Existem aqueles empreendedores que estão tentando iniciar na atividade que não são donos do terreno, não estão com a incorporação feita e, depois que a pessoa põe o dinheiro neste negócio, a coisa fica complicada. E se não vender tudo, a construção não sai.

JC – O que o Creci tem feito para esclarecer a população?

Pascoal Rodrigues – O Creci tem procurado conscientizar a população no sentido de que: primeiro saber a origem do construtor, verificar se aquela pessoa que está oferecendo um imóvel é corretor, inclusive pegar os dados pessoais dele. Com essas informações em mãos, basta um telefonema para o órgão no número 3673-0084/85/87 que iremos fornecer os dados necessários para evitar que o interessado no imóvel não caia na mão de um falso profissional, que pode lhe enganar, roubar sua poupança etc.

JC – Como está a demanda por corretores de imóveis no Estado?

Pascoal Rodrigues – Hoje temos em torno de 1.500 profissionais, o que ainda é pouco, porque precisaríamos dobrar esse efetivo para atender a essa crescente demanda. Há oito anos, quando assumi a direção do Creci, tínhamos apenas cem profissionais.

JC – O mercado suporta tantos profissionais?

Pascoal Rodrigues – A impressão que dá quando se fala em dobrar o número de profissionais é que as pessoas fiquem preocupadas porque pode acirrar a concorrência. Sempre digo que, quanto mais profissional tiver, mais a sociedade vai chamá-lo, porque normalmente as pessoas não tinham o costume de negociar com esse tipo de profissional, agora têm.

JC – Qual o perfil desse trabalhador?

Pascoal Rodrigues – Hoje o corretor não é um apresentador de imóveis. Ele tem responsabilidade com o próprio Código Civil brasileiro, possui direitos e deveres, tem que ser um técnico e entender de arquitetura, de cálculos de financiamentos, enfim, tem que ter uma postura no mercado. O Creci está acompanhando de perto a atuação desse profissional, inclusive eticamente para que ele não manche a categoria. Além disso, 70% dos corretores têm grau universitário, e quem não tem, está concluindo.

JC – Como estão as fiscalizações no setor?

Pascoal Rodrigues – Estão acontecendo diariamente. Antes, tínhamos quatro veículos. Hoje, são oito para realizar esse trabalho. Independente de outros conselhos profissionais liberais que atuam a partir de denúncias, o Creci realiza fiscalização ativa e preventiva, ou seja, está o tempo todo no mercado procurando os profissionais, indagando, vendo os anúncios de jornais, indo nas imobiliárias para ver se o corretor está funcionando corretamente. Nossa atuação é com o profissional e em defesa da sociedade.

JC – Qual o comportamento das empresas da área?

Pascoal Rodrigues – Hoje estão ganhando status. Há quase dois anos, as imobiliárias, quando muito, tinham dez profissionais e hoje tem empresas com cem e até 200 profissionais atuando como equipe. Isso é bom para o mercado, e uma garantia para as empresas que dispõem de profissionais sérios para comercializar seus produtos.

JC – Qual a diferença entre construtoras e incorporadoras?

Pascoal Rodrigues – A construtora é a que constrói fisicamente o empreendimento, enquanto a incorporadora vai buscar o local para atender àquela faixa de público e idealiza o produto. A incorporadora sempre busca uma construtora para se associar e produzir aquela idéia e normalmente vai num banco para conseguir seu financiamento e por último contrata uma imobiliária para fazer o lançamento do produto.

JC – Como o senhor vê as reformas que estão sendo criadas no Senado,

Pascoal Rodrigues – Não gosto muito de falar nesse assunto, porque as reformas da maneira como estão sendo feitas no país não adianta nem criar grandes expectativas. Não adianta acabar com um imposto e criar outro. Na verdade, vai se trocar seis por cinco em meio.

JC – O que lhe propicia essa falta de otimismo?

Pascoal Rodrigues – O governo continua gastando muito, e imposto serve para cobrir débito do poder público. Quem inflaciona os impostos são os gastos governamentais. Quanto mais o governo gasta, mais tem que arrecadar.
Hoje, a classe média e a alta está com uma sobrecarga muito grande, pagando a conta em nível de impostos. Poderia se criar outras ferramentas para não agredir tanto o trabalhador

JC – Como o senhor define a economia amazonense?

Pascoal Rodrigues – A nossa economia está crescendo por conta das empresas que atuam no PIM e, a cada ano, mais empresas chegam em Manaus, o que resulta em mais produtos e mais empregos gerados no Estado.

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