17 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Coreia do Sul Revoluciona com suas Cidades Inteligentes

Há quase sete décadas, a Coreia do Sul era uma nação destruída, com diversos indicadores inferiores aos do Brasil, porém, atualmente, este país vibra, sendo um dos líderes em 5G,  Modernização do Estado, Transformação Digital, bem como pela adoção de Políticas em nível nacional de desenvolvimento, com investimentos maciços em Cidades Inteligentes, então que tal conhecer essa última experiência?

De acordo com estimativas das Nações Unidas <https://bit.ly/3LYBwlA>, a população global saltará de 7,7 bilhões em 2018 para 9,7 bilhões em 2050, com uma taxa de urbanização que poderá chegar a 68% <https://bit.ly/3z5kxvb>. Se com uma taxa atual de 55% de urbanização, já sofremos com aumento de violência, poluição, congestionamentos, queimadas, enchentes, pandemias, desemprego, fome, imagine como será nosso planeta em 2050 caso a humanidade não faça um esforço global rumo a transição para uma economia de baixo carbono.

Diante disso, alguns países estão investindo em cidades inteligentes como uma alternativa para solucionar problemas urbanos, a partir da exploração de tecnologias disruptivas que fazem parte da quarta revolução industrial, tais como Inteligência Artificial, Blockchain, Internet das Coisas, Big Data, etc.

E a Coreia do Sul é um dos países modelo em investimento nas Cidades Inteligentes. E para começar, gostaria de abordar sobre a parte legal que serve de base para essa empreitada nacional.

Em 28/3/2008 foi promulgada a Lei sobre Construção, etc de Cidades Onipresentes, a qual evoluiu em 27/11/2017 para a Lei para a Promoção do Desenvolvimento de Cidades Inteligentes e Indústria <https://bit.ly/3GsFp13>. Esta última traz um arcabouço legal sobre o assunto, contendo oito capítulos e 47 artigos. O objetivo desta lei é contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, promovendo crescimento nacional balanceado, e fortalecimento da competitividade nacional, provendo questões relacionadas com a promoção eficiente do desenvolvimento, gestão e operação das cidades e indústrias inteligentes…

Segundo o Artigo 2 inciso I desta Lei, Cidade Inteligente significa uma cidade sustentável em que vários serviços são fornecidos com base na infraestrutura do município, construída  pela convergência e integração de tecnologias de construção, TICs, etc, a fim de aumentar sua competitividade e habitabilidade.

Esta lei contém várias outras definições úteis, orientações para quais tipos de projetos as cidades inteligentes podem ser aplicadas (Moradia, Desenvolvimento Urbano, Inovação, etc), responsabilidades do Estado, e outras diretrizes, razão pela qual a  considero uma das mais avançadas em termos de construção nacional de projetos envolvendo cidades inteligentes.

O caso da Coreia do Sul chama a atenção também por conta da iniciativa ser liderada pelo Governo Nacional, a partir da construção de políticas que têm gerado projetos de grande impacto ao longo do tempo, destacando três estágios de desenvolvimento: 

Primeiro Estágio) Construção da U-City (Cidade Onipresente), um projeto que combina o desenvolvimento de um Sistema de Rede de Tecnologias de Informação e Comunicação de alta velocidade com outros projetos de desenvolvimento de novas cidades. 

A U-City iniciou em agosto de 2007 e até junho de 2013, recebeu investimento de Pesquisa no valor de 1,017 trilhões de won, dos quais 752 bilhões vieram do Governo, enquanto 265 bilhões de won da iniciativa privada. 

Entre outros resultados, os projetos gerados a partir da U-City contaram com apoio de 46 cidades e geraram: 23 mudanças de padronizações (incluindo Leis e Regulamentos), a adoção de duas políticas de alto impacto, a aplicação de 63 patentes em território nacional e  9 em nível internacional, o desenvolvimento de 80 softwares, nove serviços e 15 protótipos de produtos, 124 artigos publicados, 253 apresentações, 115 relatórios técnicos, 100 acordos de  cooperação entre Universidade e Indústria, etc.

Segundo Estágio) Projetos de Informação e Convergência de Sistemas

Entre dezembro de 2013 e março de 2019, cerca de 23,9 bilhões de won foram investidos em Projetos de Informação e Convergência de Sistemas, focados no serviço público,  a fim de maximizar a utilização de estruturas inteligentes já construídas. Basicamente, a Coreia do Sul começou a distribuir uma plataforma integrada, de baixo custo, baseada em serviços de emergência, segurança contra desastres e apoio para as pessoas de baixa renda.

Terceiro Estágio) Desenvolvimento de Cidades Inteligentes

A partir de 2018, o país expandiu sua política para abranger novos conceitos para as cidades inteligentes, tais como bancos de ensaio, laboratórios vivos, ecossistemas inovadores contendo novas tecnologias da quarta revolução industrial. Como forma de implantar iniciativas de crescimento inovadores, o Governo Sul Coreano está implementando várias políticas, tais como desenvolvimento nacional de cidades inteligentes pilotos, maior apoio às cidades inteligentes existentes, bem como construção de ecossistemas industriais.

Os objetivos principais desse estágio são: solucionar problemas urbanos e desenvolver ecosistemas inovadores.

O processo ocorre por meio de chamadas públicas, expansão de investimentos fiscais e drástica desregulamentação, resultando até o final de junho de 2019 em 78 governos locais dedicados em organizar as cidades inteligentes, adaptadas para suas características locais, das quais ressalto as cidades de Sejong e Busan. 

Sejong é uma das cidade piloto que adotou o conceito de Cidade baseada em Inteligência Artificial para mudar a vida diária dos seus cidadãos, a partir de investimentos em inovação em sete áreas: 1.1 Mobilidade (carros compartilhados, carros autônomos, etc); 1.2 Saúde (Telemedicina, Exames Médicos com IA, Resgate usando drones, etc); 1.3 Educação (Edu-tech, aulas EaD, Educação personalizada, etc); 1.4 Energia (Construção de Prédios Descarbonizados, Sistema Central de Gerenciamento de Energia, etc); 1.5 Governança (Laboratórios vivos com participação ativa do cidadão, M-Vote, um sistema de votação eletrônica, etc); 1.6 Emprego (Criação de Startups, incubadoras, etc); e 1.7 Cultura (Recomendações culturais personalizadas, Sistema de pagamento comunitário, sistema de entrega autônomo, não tripulado, etc).

Já Busan adotou o conceito de Dados e Realidade Aumentada para criar uma cidade marítima de ponta em dez áreas da inovação, utilizando robôs, drones, plantas com células de combustível, etc. 

Finalmente, para maiores informações, recomendo o acesso ao site oficial do Governo <https://smartcity.go.kr/en>, uma preciosa fonte sobre o que há de mais avançado em termos de cidades inteligentes no planeta. Ao estudá-lo, o leitor entenderá a Revolução Inteligente e alguns dos motivos pelos quais a Coreia do Sul está anos luz distante do Brasil em termos de cuidar melhor de suas cidades, dos seus recursos, das suas indústrias e do seu povo.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Anúncio

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Siga-nos

Notícias Recentes

JC Play

Podcast

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email