Coração de Kayza, coração de mãe solidária

O Amazonas é o estado brasileiro com o maior índice de câncer uterino com quase mil casos registrados no ano passado. Dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) mostram que no biênio 2018/2019, cerca de 16.370 novos casos de câncer de colo uterino, uma taxa bruta de 15,43 a cada 100 mil mulheres, surgiram no Brasil.

Atenta à situação destas mulheres há ao menos onze anos, a rainha do arrocha Kayza Marques resolveu transformar a própria casa num espaço de apoio à mulheres com câncer, qualquer deles, que chegam do interior do Estado.

Kayza foi matéria do Jornal do Commercio em outubro passado por estar voltando aos palcos depois de um ano longe dos shows, devido a tratamento de saúde.

“Tive problema nos rins e passei a fazer hemodiálise. Só quem faz esse tratamento sabe como se fica debilitado após cada sessão. Não tive mais condições de fazer shows. Eu que sempre realizei, duas a três vezes por ano o show ‘Vozes do Bem’, para angariar mantimentos para mulheres com câncer agora estava como elas, dependente de tratamento sério”, revelou na época.

Kayza sempre teve um olhar mais direcionado para as mulheres que vinham do interior, seja nas visitas às ong’s que ajudam estas pessoas, em Manaus, ou acompanhando a irmã, há cinco anos com câncer, nas suas idas ao Cecon (Centro de Controle de Oncologia do Amazonas).

“Vocês não têm idéia do sofrimento destas mulheres. Elas chegam a Manaus totalmente desamparadas, na maioria das vezes sozinhas, e procuram o Cecon, mas o Cecon só pode atendê-las se elas trouxerem um diagnóstico médico, que elas podem conseguir num clínico geral, pelo SUS, mas elas não sabem nem onde procurar esses médicos. No interior o médico, sem condições para realizar um bom trabalho, apenas indica suspeita da doença”, contou.

Sem dinheiro para comer

Kayza ressaltou que as mulheres que pretende receber na casa de apoio serão aquelas moradoras dos beiradões.

“As que moram nas cidades do interior têm apoio de familiares e, em Manaus, geralmente têm onde ficar, em casa de parentes. As do beiradão, coitadas. Além de o marido de muitas delas não permitirem que façam exames médicos, mandam que se tratem com remédios caseiros, que não resolvem problemas de câncer, isto quando não as abandonam à medida que o caso se agrava. Quando chegam a Manaus, a situação já está muito séria”, revelou.

Até outubro, quando deu a entrevista para o Jornal do Commercio, Kayza apenas conhecia o problema destas mulheres. Em outubro mesmo, após viajar a São Paulo para tentar tratamentos mais modernos para seus rins, ela sentiu na pele o que é estar doente, em busca de tratamento, numa cidade desconhecida.

“Me hospedei num hotel próximo ao hospital, com diária de 160 reais. Eu tinha os 160 reais para pagar a diária, mas e as mulheres que chegam dos beiradões e não têm nem dinheiro para comprar um prato de comida?”, lamentou.

Ainda em São Paulo, Kayza conheceu uma casa de apoio, mantida por um casal, que recebe pacientes vindas do vizinho estado de Roraima.

“E elas têm toda a atenção que precisam. Foi então que tive a idéia de transformar minha casa numa casa de apoio. Voltei de São Paulo e devo retornar para concluir o tratamento com o transplante dos rins, mas quero deixar o projeto ‘Coração de Mãe’ com as primeiras mulheres dos beiradões sendo atendidas”, ressaltou.

Para 12 mulheres

Kayza já desocupou mais da metade de sua casa, no bairro da Raiz, para receber as novas moradoras. Para o projeto ‘Coração de Mãe’ ir adiante ela está solicitando apoio de interessados em ajudar.

“Até agora já recebi uma cama de doação, mas preciso de seis beliches, colchões, lençóis, armário de cozinha e mesa para refeições. Antes preciso de tinta, para pintar as paredes dos quartos onde as mulheres ficarão hospedadas”, adiantou.

O espaço irá abrigar 12 mulheres. Quanto a alimentos e roupas, Kayza pretende adquiri-los nos shows ‘Vozes do Bem’, quando ela reúne vários cantores de arrocha e brega, e solicita estes itens como ingresso. A cantora pretende retomar logo os shows, parados há mais de um ano, tão logo recupere plenamente a saúde.

“Uma amiga que trabalha no Cecon ficará encarregada de fazer a triagem das mulheres que virão para a minha casa. Aqui elas terão casa, comida e roupa lavada, além de amparo psicológico, pois pretendo conversar com elas e ensinar-lhes coisas sobre a doença e o tratamento, que elas não sabem, para que repassem às outras mulheres onde moram. São pessoas tão distantes da nossa realidade, que não sabem nem pedir ou solicitar algo. Não sabem nem usar um bebedouro quando estão num local público, por exemplo, como já presenciei”, disse.

A casa de apoio ‘Coração de Mãe’ já está aguardando os apoiadores neste início de 2020.

“Nosso endereço é Conjunto Costa e Silva, rua 20, esquina com rua Apurimaqui, nº 479, Raiz. Informações pelo fone: 9 9213-4152”, falou.               

 

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