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Copom segue moderado na descida dos juros

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

A terceira redução da Selic, arbitrada pelo Copom, nesta quarta (1º), não surpreendeu ninguém. A decisão do Conselho Monetário Nacional em promover um novo corte de 0,5 ponto percentual foi novamente unânime e deixou a taxa em 12,25% ao ano. Lideranças classistas e economistas ouvidos pela reportagem do Jornal do Commercio avaliam que a medida foi acertada e mais que necessária para a retomada do crescimento. Mas, divergem quanto à possibilidade de o BC (Banco Central) manter novos cortes no médio prazo, diante da volatilidade da conjuntura atual.

Em seu comunicado, o Copom destacou que o cenário internacional continua “adverso” e digno de atenção para os países emergentes, com elevação das taxas de juros de prazos mais longos nos EUA, “resiliência dos núcleos de inflação em diversos países” e novas tensões geopolíticas. Destacou também que os indicadores do fronte interno continuam “consistente” com o cenário já antecipado de desaceleração da economia e uma “trajetória de desinflação” para o consumidor –embora a “inflação subjacente” ainda se situe acima da meta. Diante disso, reforçou a necessidade de “serenidade e moderação”.

“Em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária. O Copom enfatiza que a magnitude total do ciclo de flexibilização ao longo do tempo dependerá da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação, em particular daquelas de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”.

Esse foi o terceiro corte consecutivo nos juros básicos. De março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo de aperto monetário que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis. Por um ano, de agosto do ano passado a agosto de 2023, a taxa foi mantida em 13,75% anuais, por sete vezes seguidas. Antes do início do ciclo de alta e em decorrência dos impactos da pandemia, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica iniciada em 1986.

“Decisão acertada”

O presidente da Fieam, Antonio Silva, julgou a decisão do Copom positiva, mas ressalvou que o tamanho da redução da taxa não foi suficiente para “mitigar o impacto dos custos adicionais a fim de promover o recrudescimento da economia”, nem para reaquecer a atividade econômica macro. O dirigente acrescenta que, a despeito dos sucessivos cortes, os juros básicos da economia brasileira ainda se encontram em 8,5% ao ano e 4 pontos percentuais acima da taxa de juros neutra –que não estimula, nem desestimula a atividade econômica. 

“Entendo que a Selic ainda está em patamar elevado, especialmente se considerarmos o cenário de inflação presente e a perspectiva de inflação futura. A título de exemplo, a concessão de crédito apresentou inflexão negativa de 6,4% nos oito primeiros meses do ano, reflexo justamente desse panorama de juros elevados. Minha expectativa é que, dado o cenário favorável, com IPCA chegando a 5,2% no acumulado dos últimos 12 meses até setembro, passe a considerar reduções mais intensas na taxa básica de juros já a partir da próxima reunião”, asseverou. 

O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, reforça que a diminuição da Selic já era esperada e soma-se a um conjunto de fatores que favorecem o setor, como os subsídios federais e a “vontade política” do Estado e do município em favor da habitação. “Essa decisão foi excelente para a construção civil, porque vai melhorando a venda na ponta do consumo, além de tornar os juros menos pesados para o tomador/incorporador. Acredito que a taxa vai continuar caindo. Não em níveis como vimos no passado, mas moderadamente. O mercado fala que ela deve chegar a 9% em fevereiro de 2024 e, se isso acontecer, deve aquecer a economia como um todo”, frisou.

Mais moderado, o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, concorda que o BC deve ter sempre cautela em suas decisões, já que a Selic é uma taxa de referência que baliza o comportamento dos agentes econômicos. “Se ela for muito alta, vitima a população endividada, como acontece nos últimos meses. Se for muito baixa, estimula a inflação. Acho que a decisão é coerente e responsável. Mas, naturalmente, a gente se preocupa, porque ainda há muitas famílias negativadas e sem acesso a crédito, atrapalhando muito a atividade comercial”, ponderou.

Moderação e ‘destravamento’

O ex-presidente do Corecon-AM, consultor empresarial e professor universitário, Francisco de Assis Mourão Júnior, assinalou que o Copom cumpriu, novamente de “maneira moderada”, o que foi sinalizado na reunião anterior. “Isso demonstra que os dados macroeconômicos estão em níveis acessíveis e que, embora ainda esteja acima da meta, a inflação encontra-se controlável. Os juros americanos também não sofreram reajuste. As guerras na Ucrânia e na Palestina vêm causando alguns impactos. Mas, a necessidade de fazer a economia destravar ficou mais evidente na pauta do Copom”, avaliou.

Ainda mais veemente, a consultora empresarial, professora universitária e conselheira do Cofecon, Denise Kassama, observou que o Brasil ainda tem a maior taxa de juros reais do mundo e garantiu que a Selic ainda tem muitos pontos percentuais a cair, ainda que em “proporções homeopáticas”. “É uma importante sinalização de que a política econômica está surtindo efeitos positivos na economia, com atração de investidores e maior estabilidade no câmbio. A redução do custo do dinheiro é positiva para quem precisa de empréstimo, embora ainda esteja muito alto. Precisamos estimular o consumo para gerar demanda no comércio e na indústria, como geração de emprego, renda e crescimento”, afiançou.

Já a ex-vice-presidente do Corecon-AM e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, considera que a medida do Copom foi acertada e atende às expectativas do mercado, mas estima que a conjuntura atual pode levar a uma interrupção do atual ciclo de baixas da Selic, no curto prazo. “A decisão segue a tendência de moderação e serenidade do Copom. Esperam-se impactos positivos no cenário de crédito e de investimento. Mas, dados os conflitos internacionais e a inflação, assim como a necessidade de mostrar competência governamental na meta fiscal, acredito que teremos uma taxa de juros estável para o início de 2024, interrompendo a trajetória de queda”, arrematou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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