21 de abril de 2021

Copom resolve deixar Selic em 2% ao ano

Em mais um movimento previsto pelo mercado financeiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) resolveu não mexer na taxa básica de juros, em sua última reunião, encerrada nesta quarta (9). A despeito da inflação dos alimentos e dos combustíveis – e de seu potencial de contaminação de outros segmentos e produtos da economia brasileira –, o Banco Central manteve a taxa Selic em 2% ao ano, repetindo decisão das duas reuniões recentes.

Lideranças classistas ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio avaliam que a medida do BC foi acertada, diante do cenário econômico brasileiro, marcado por uma recuperação que já se mostra frágil, sinais de uma segunda onda em vários Estados brasileiros, e a morte anunciada das politicas anticíclicas para combater os impactos econômicos da pandemia. A maior parte dos dirigentes, no entanto, avalia que os juros devem subir no curto a médio prazo.

Em comunicado, o Copom reiterou que o efeito dos preços dos alimentos é temporário, mas ressaltou que a inflação deverá continuar elevada nos próximos meses. “Apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue monitorando sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente”, destacou o texto da autoridade monetária.

No mesmo documento, o BC estimou que a inflação oficial deve fechar 2020 em 4,3%, caindo para 3,4% em 2021 e em 2022. Vale notar que o cenário projetado pressupõe dólar partindo de R$ 5,25 e evoluindo, segundo o poder de compra internacional. Inclui também a hipótese de juros básicos de 2% ao ano ao fim de 2020, 3% ao ano no decorrer de 2021 e 4,5% ao ano, em 2022.

Com a decisão de ontem, a Selic está no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. Em julho de 2015, a taxa chegou a 14,25% ao ano. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018. Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto deste ano.

“Confortável ao tomador”

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, considerou que a decisão do Copom foi uma atitude prudente, tendo em vista as incertezas ainda latentes no desempenho geral da economia. A manutenção do índice, segundo o dirigente, estimula o crédito e incentiva o setor produtivo e a população a consumir fazendo com que gire a roda da economia, favorecendo também a indústria.

Mas, o dirigente concorda que os indicadores econômicos já apontam para uma reversão do quadro. “Acredito que a taxa Selic em 2% ao ano é confortável para o tomador de financiamentos. Entretanto não será possível mantê-la por muito tempo neste patamar. Para 2021, é previsto por alguns especialistas que ela suba e alcance até o final do ano 4,5%. Vamos esperar pra ver”, ponderou. 

A avaliação do presidente da Fieam segue em sintonia com a da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que considerou acertada a decisão do Copom e sem prejuízo ao objetivo de manter a inflação controlada. Em comunicado à imprensa, a entidade avaliou que, em 2020, a condução da política monetária visou atender a necessidade de financiamento do setor produtivo privado, diante da crise da covid-19, além de reforçar o papel do crédito como canal de impulso ao crescimento. 

“Uma vez que o Copom leva em consideração as perspectivas para a política fiscal nas suas decisões, a manutenção da regra de teto dos gastos públicos e o avanço nas discussões em torno da reforma administrativa são imprescindíveis para permitir a manutenção dos juros baixos por um período mais prolongado de tempo”, reforçou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, no mesmo texto.

“Dívida pública”

Mais veemente, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, também concorda que a decisão do Copom foi correta do ponto de vista macroeconômico. O dirigente, entretanto, relativiza o prazo de sua validade e também sua extensão para consumidores e empresas do setor comercial.

“Acho que não será possível manter essa taxa por muito tempo, porque temos uma inflação que está vido com força, em vários produtos. Acredito que, já em fevereiro, os juros devem voltar a subir. Temos que aproveitar, enquanto dura. Mas, embora a Selic baixa evite uma explosão no crediário, seus efeitos não chegam tanto na ponta do consumo, já que os bancos trabalham com juros reais futuros de 7%. Do jeito que está, favorece mais ao governo, que consegue reduzir sua dívida pública”, ressaltou.

Mais crédito

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, comemorou a decisão do Copom e lembrou que, em quatro anos, a taxa básica de juros já recuou 12 pontos percentuais favorecendo os financiamentos para imóveis “em padrões aceitáveis”. O dirigente pondera, contudo, que a mesma manutenção do ‘preço do dinheiro’ em um patamar baixo favorece não apenas a demanda, como também a elevação de custos da atividade.  

“Acho importantíssimo para o setor a taxa permanecer em 2% e que a gente não tenha muita expectativa de que ela suba. Isso, apesar de termos uma inflação relativamente alta em outros produtos ligados à construção. Isso é importante, porque a atividade trabalha com prazos dilatados e os juros devem seguir no mesmo patamar, na ponta do consumo. Com isso, a procura pelo crédito imobiliário deve se manter já que, quanto menor a taxa, maior a venda”, opinou.

Já o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, considera que o movimento do BC foi válido, mesmo diante da inflação dos alimentos e do eventual impacto indireto da Selic no câmbio, favorecendo as exportações, em detrimento do abastecimentos nacional. “A decisão do Copom, a nosso ver foi acertada. A economia ainda vivencia a crise decorrente da pandemia e a taxa de juros é muito importante, principalmente para melhorar as condições de acesso ao crédito para o produtor”, encerrou. 

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