Copa vira vitrine de reivindicações

Professores, operários da indústria, psicólogos, rodoviários, policiais, assistentes sociais: Faltando menos de um mês para a Copa do Mundo, em todo o país, diversas categorias têm usado o momento para chamar a atenção para suas reivindicações, aproveitando o clima de incerteza e a grande exposição para pressionar os governos federal – cuja popularidade está em queda – estadual e entidades empresariais.
Acompanhando um movimento nacional, este 15 de maio em Manaus foi marcado por atos trabalhistas de diferentes segmentos. O Dia Internacional Contra a Copa, como ficou conhecida esta quinta-feira nas redes sociais, começou com uma paralisação dos funcionários do terceiro turno da AmBev, a poucos metros do estádio amazonense na Copa do Mundo.
De acordo com Vicente Luciano Serrão, presidente do Sintrabem (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas em Manaus), a greve é por tempo indeterminado. A expectativa é de que pelo menos 80% dos trabalhadores cruzem os braços.
Apesar da proximidade da abertura do evento, e do fato de a empresa ser uma das principais patrocinadoras da seleção brasileira, Serrão nega a influência da Copa do Mundo no movimento grevista.
“Desde outubro do ano passado nós enviamos a proposta para definir a nossa data base, mas eles (AmBev) não têm propostas, não há diálogo com a empresa e por isso a greve continua”, declarou o sindicalista. Inflação dos últimos 24 meses, adicional de insalubridade, redução do valor dos vales transporte, Gratificação por Tempo de Serviço, medicamentos e entre outros direitos trabalhistas estão entre as reivindicações.

Assistência Social
O dia 15 de maio também marcou o Dia do Assistente Social. Aproveitando a mobilização nacional da categoria por melhorias salariais, um grupo com cerca 300 profissionais da área, além de enfermeiros e psicólogos, seguiu em manifestação pelas ruas de Manaus. O destino final dos manifestantes, no entanto, pouco ou nada tinha a ver com a área da saúde: a Arena da Amazônia. Organizado pelo Saseam (Sindicato das Assitentes Sociais do Estados do Amazonas) o protesto teve a intenção de chamar a atenção dos governos estadual e municipal para os bandeiras da classe, que incluem isonomia salarial, planos de cargos e salários, melhorias nas condições de trabalho e a realização de concursos públicos.

Professores
Outra categoria que foi às ruas nesta quinta-feira, foram os professores da rede estadual de ensino. Os manifestantes, que se concentraram em frente à Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), pretendiam pressionar os deputados a aprovarem emendas dos deputados Marcelo Ramos (PSB) e José Ricardo (PT) que previam o pagamento imediato do auxílio-alimentação (previsto para janeiro) o pagamento integral de vale-transporte.
Apesar de o protesto ter sido motivado exclusivamente pela votação de projetos que reajustam os salários dos 27 mil servidores da Seduc (Secretaria de Estado da Educação), que aconteceu ontem na Aleam, alguns membros do Sinteam (Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Amazonas) não descartam novas manifestações durante a competição.
Segundo Ivete Maria Nascimento, que faz parte do grupo de oposição às políticas do Sinteam, no próximo sábado vai acontecer uma reunião na sede do Sintejam (Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas) na qual serão elaboradas novas ações da categoria. Ivete Maria explica que, apesar de ainda não terem as ações definidas, os atos servirão para chamar a atenção para os problemas da categoria durante o maior torneio esportivo do mundo, com a participação de sindicatos e movimentos sociais.
“O protesto desta quinta-feira foi motivado pela votação. A gente foi fazer pressão para que os deputados, além do reajuste de 20% que a gente queria, votassem as emendas – o que acabou não acontecendo. Mas vamos participar das reuniões que vão organizar os protestos durante a Copa do Mundo também. Provavelmente vamos ter uma série de protestos antes do primeiro jogo, depois outra até o segundo e assim por diante. Ainda vamos decidir como vai ser e o que vamos fazer. Todas as oposições, movimentos populares e sindicatos de esquerda foram convocados”, disse.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email