15 de abril de 2021

Copa promete impulsionar economia do AM

Otimismo é compartilhado por lideranças da indústria e do comércio do Amazonas

A dobradinha: eleições e Copa do Mundo, somada às projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 5% neste ano são apontados pelos dirigentes de entidades ligadas à indústria e ao comércio de Manaus como fatores importantes para incrementar os negócios no Estado do Amazonas neste ano.
O superintendente adjunto de projetos da Suframa (Superitendencia da Zona Franca de Manaus), Oldemar Ianck, disse estar confiante no ritmo da economia industrial, tecendo boas expectativas para 2010. “A perspectiva é muito boa para o ano que vem, haja vista as autoridades dos ministérios da Fazenda e do Planejamento apontarem crescimento do PIB em torno de 5%”, declarou.
Como a produção do PIM (Polo Industrial de Manaus) é vinculada ao PIB, o dirigente avalia que certamente a produção local será alavancada em 2010. “Mais de 90% da produção é direcionada ao mercado interno. Se houver um crescimento do PIB, as vendas serão puxadas”, assegurou.
Ianck disse que a Copa do Mundo influencia as vendas na parte de vídeo, a exemplo das TVs, o que é um fator a mais e que gera otimismo para 2010. Quanto à eleição, disse que tem poder de arraste, porque puxa a conclusão de muitas obras públicas, o que faz circular dinheiro, além dos gastos dos próprios candidatos. “São recursos que entram e circulam na economia como um todo, o que gera riqueza”, assegurou.
Na opinião do presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, os vários eventos que vão acontecer neste ano contribuirão para que 2010 seja um período verde e amarelo. “Em janeiro, passará a vigorar o novo salário mínimo de R$ 510 que representará um aumento real de 4,9%, já descontada a inflação de 2009; em junho teremos a Copa do Mundo, na África do Sul, e em outubro acontecem as eleições que normalmente injetam recursos na economia como um todo”, mencionou.
Além disso, Loureiro citou programas do governo federal, como o Bolsa Família e demais ações, cujos valores serão reajustados e trarão ao mercado maior poder de consumo as famílias. “Tudo isso, sem contar com a queda dos juros desde o segundo semestre de 2009, que poderão ajudar a manter a economia aquecida”, comemorou.
Na opinião do presidente do Cieam, só há um fator que poderá reduzir todo esse otimismo para 2010: a inflação de demanda. “Caso isso ocorra, o governo deverá tomar ações para contê-la e dessa forma poderá mexer na taxa de juros que consequentemente poderá neutralizar por algum tempo a demanda reprimida do consumo”, avaliou.

“Grandes realizações”

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, também está apostando em 2010, definindo como um ano de excelentes vendas, principalmente de eletroeletrônicos, como os TVs de LCD (display de cristal líquido). O dirigente está confiante nos projetos que vão ser implantados em 2010, aprovados neste ano. “Sem dúvida teremos um ano de grandes realizações”, aposta.
Para o economista José Laredo, o ano de 2010 se apresentará em melhores condições em relação a 2009, porque a crise financeira internacional já está superada no país após os resultados do desempenho do PIB no terceiro e quarto trimestre de 2009, com um crescimento projetado a partir dos dados atuais para 12 meses já em torno de 4% a 5 % ao ano.
A comprovação dessa performance, segundo o especialista, está aparecendo no movimento do comércio, no crescimento dos pedidos às indústrias e na aceleração das consultas e contratações no setor de prestação de serviços.

Novos negócios e novos concorrentes vão aportar na região

O comércio varejista de Manaus também está otimista com o ano que se inicia por conta do cenário nacional. O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, avalia que o Brasil continua crescendo, a moeda brasileira tem se mantido estável e valorizada, enquanto as exportações voltaram a crescer. “Nossa indústria está cada vez mais moderna e dentro dos padrões internacionais de concorrência”, frisou, ressaltando que o país está atingindo independência no campo do petróleo, repercutindo positivamente no crescimento.
Quanto ao Amazonas, Antonaccio tem algumas dúvidas nas perspectivas para 2010, diante do compromisso assumido em relação à Copa do Mundo de 2014, cujo prazo se antecipa em dois anos por causa da Copa das Confederações. O dirigente teme que o poder público local não cumpra tantos encargos. “Temos uma cidade mal traçada, cheia de becos, com um trânsito cada dia mais irregular e tumultuado, enquanto as obras em andamento estão mais vagarosas do que o crescimento do número de veículos que aportam em Manaus, cujos espaços para abrir novas ruas estão esgotados”, apontou.

Ciclo de aprendizado

Com relação ao comércio e os setores de serviços, o presidente da ACA avisa que a partir de 2010 vão começar a sentir novas concorrências com a vinda de outros investidores mais experientes e é preciso preparar os que aqui vivem para enfrentar essa nova situação.
Segundo o presidente da ACA, tanto os lojistas como os vendedores deverão passar por um grande ciclo de aprendizado no que se refere ao atendimento ao cliente, tratando com fidalguia tanto quem compra e quanto quem apenas “especula”, falando inclusive algum outro idioma para melhor atender os turistas que já começam a chegar na capital. “No campo do turismo, volto a chamar a atenção para que se observe os estados vizinhos, onde circulam entre 4 a 5 milhões de pessoas por mês fazendo o que eu chamaria de turismo regional, para o qual não se tem dado as devidas atenções”, cobrou.

Indústria de construção civil vai sair ganhando neste ano

Na avaliação do presidente da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Gaitano Antonaccio, o ano de 2010 será bom para os revendedores de materiais de construção e para a própria indústria de construção civil instalados na região, porque haverá um grande mutirão de obras para atender a Copa 2014. “Nessa caminhada, será impossível deixar de pensar num grande crescimento para o comércio e serviços em 2010”, enfatizou o dirigente.

Liquida Manaus

O presidente da FCDL – AM (Federação das Câmara de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ralph Assayag, afirmou que não tem dúvidas de que 2010 será um ano positivo para realizar negócios no mundo como um todo e não apenas no Estado do Amazonas. O varejo local sai na frente ao fechar a campanha promocional “Liquida Manaus, que vai acontecer entre o fim de março e início de abril. Momento em que os lojistas de vários setores comerciais devem reduzir seus preços em até 70% para alguns produtos.
Na opinião de Assayag, a realização da campanha no fim do primeiro trimestre de 2010, é uma forma de ‘puxar’ as vendas do comércio nos primeiros três meses de 2010, que vão ser incrementadas com a Copa do Mundo. O evento, destaca o dirigente, é propício para a comercialização não apenas de televisores, como também para a venda de roupas – principalmente nas cores verde e amarelo, por conta da torcida pela seleção – sapatos, bonés e bolas, entre outros produtos típicos para o período. “A partir do dia 2 de janeiro, vamos estar na rua falando da campanha aos empresários”, afirmou, ressaltando que a “Liquida Manaus” salvou o comércio em 2009 no período da crise econômica financeira.
Segundo o dirigente, após o termino da Copa de 2010, em julho, os holofotes do mundo vão se virar em direção ao Brasil, o que requer uma preparação extraordinária das 12 cidades que vão sediar o evento esportivo. Diante dessa movimentação, Assayag considera que as vendas de TVs, principalmente com LCD (tela de cristal liquido), vão crescer a ponto da indústria não ter o produto para entregar.
Por ocasião da última reunião do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas) em 2009, em 21 de dezembro, o governador Eduardo Braga falou do interesse do governo do Estado em trazer a Manaus uma fábrica de LCD, cujo produto possui apenas seis fabricantes no mundo. Vale destacar que a Philips do Brasil teve projeto aprovado para montar a frente do LCD, que representa 80% do aparelho de TV. “Está sendo estudada essa nova fábrica que pode ir para Taiwan, Malásia, México, América do Sul e o Estado do Amazonas está brigando para que esse projeto venha para a ZFM”, disse Braga na ocasião.

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