Copa impõe jogo de perdas e ganhos

Apesar de muito aguardada e comemorada como grande incentivadora de negócios brasileiros, a Copa do Mundo terá efeito ‘zero’ na economia, apontou um relatório da agência de classificação de risco, Moody’s. Seguindo a tendência apontada pelo relatório, empresários também diminuíram a expectativa de geração de riqueza com o evento em todo o Brasil. Ao mesmo tempo em que o evento estimula o comércio e pequenas empresas, também gera desconforto e perdas para outros setores. Em Manaus, uma das 12 subsedes da Copa, o mercado está aquecido, mas os empresários estão cautelosos com o evento. Setores como o de alimento e de bebidas esperam um acréscimo, mas apenas durante o mês do evento.
Citado como um dos segmentos que terão suas receitas aumentadas, as empresas de alimentos e bebidas (junto com hotelaria e locação de veículos, por exemplo) vêm servindo com termômetro para diagnosticar números elevados. Mas o otimismo gerado com a Copa não pode ser espelho para o ano todo, como explicou o vice-presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas), Mário Valle, que também é proprietário do restaurante Tambaqui de Banda. “Sabemos que a Copa e seus efeitos serão passageiros. Teremos dois momentos distintos, um incremento de 50% nas vendas e os contatos que serão feitos com as agências de turismo que garantam a vinda dos visitantes após a Copa”, disse. “Nenhum segmento está comprometido exclusivamente com o evento, não esperamos ter ganhos apenas na Copa, pois nosso maior público é local, os estrangeiros representam apenas 10% dos clientes’, resume Valle.

Feriados
Os ‘feriados’ da Copa também estão dividindo o mercado. Para a indústria, por exemplo, os dias de jogos que forem decretado facultativos, representarão um atraso na produção e, consequentemente, nas metas empresariais. Esses mesmos feriados já são comemorados por setor como o de alimentos e bebidas, locação de automóveis, táxis e outros.
A dispensa de trabalhadores em dias de jogos importantes nas cidades sedes, será responsável pelo aumento do movimento e renda de restaurantes. “Aumentarão nossos desafios, mas estamos treinando novos garçons e ‘bartenders’, pois com os dias de jogos sendo considerados feriados, teremos o dobro de pessoas nos estabelecimentos”, fecha o empresário.

Oportunidades para o setor gráfico
O setor gráfico é outro nicho que espera crescer com a Copa. Mesmo com os números da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica) que marcavam retração de 2,4%, a tendência é subir. “Durante a Copa, contamos com produtos específicos que tem venda garantida, o que vai representar uma alta. Na parte de papel, atualmente temos 10% do consumo que é de 250 toneladas, no período de março a junho, pré-Copa teremos um aumento previsto de 25%”, explica José Marques de Almeida, diretor comercial da Rymo da Amazônia.

Pontos negativos
Os analistas lembram que problemas locais como trânsito pesado, possíveis protestos da população e dispensas de trabalhadores em dias de jogos importantes nas cidades-sedes vão pesar sobre os negócios de outros setores. Prejudicando a atividade industrial dos setores de mineração, siderurgia, e papel e celulose. As prováveis mudanças nas rotinas da população e da mobilidade nas cidades também podem desestimular consumidores a visitarem shopping centers, o que afetará as operadoras dos empreendimentos e algumas varejistas.
A indústria amazonense espera a definição de entidades de classe para os ‘feriados’ ou pontos facultativos para os trabalhadores, mas os atrasos e quedas na produção são realidades, explica o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco “Algumas empresas já consideram estes como dias improdutivos e estão antecipando volumes na produção. Outras terão que recuperar o perdido no pós-Copa. É hora de planejamento”, disse.

Investimento insuficiente
O relatório da agência de classificação de risco, assinado pelos analistas Bárbara Mattos, Gersan Zurita e Marianna Waltz, aponta ainda que o investimento para a Copa, estimado em US$ 11,1 bilhões de dólares, é pequeno se comparado ao tamanho da economia, de US$ 2,2 trilhões de dólares.
Pelo lado positivo, o relatório da Moody’s estima que 3,6 milhões de turistas virão ao país, o que contribuirá para aumentar a receita de empresas de alguns setores, como alimentos, bebidas, hotelaria e locação de veículos. Outro ponto favorável será o ganho com a exposição global na mídia por meio de peças publicitárias, beneficiando, principalmente, grandes corporações como Coca-Cola, Oi e Anheuser-Busch InBev. A maior demanda por publicidade na mídia ainda vai turbinar a receita de emissoras de rádio e televisão.

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